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Teste 2
01. Prólogo
02. Templocentrismo
03. Algumas curiosidades sobre templos
05. A melhor decisão
06. Os locais de culto de Abraão
08. A planta do santuário construído na época de Moisés
09. As medidas do santuário construído na época de Moises
10. Os materiais finos do santuário construído na época de Moises
11. Os objetos sagrados do santuário construído na época de Moises
12. O tabernáculo construído por Moisés armado em Canaã
13. Templo de Salomão, o primeiro templo
14. O Santo dos Santos (Lugar Santíssimo).
15. O Lugar Santo
17. Outras coisas relacionadas ao templo de Jerusalém
18. A destruição do templo de Salomão
21. Templo de Zorobabel, o segundo templo
22. Danos causados ao segundo templo
23. Templo na visão de Ezequiel
24. Templo de Herodes, o terceiro templo
25. Jesus e o templo de Jerusalém
27. Jesus se reunia com seus discípulos em todo lugar
28. Jesus mostrou que o soberano Deus pode ser buscado em qualquer lugar
29. Jesus não convidava ninguém para ir numa igreja templo
30. Os milagres com endereço e hora marcados
31. A indiferença dos religiosos do templo
32. O soberano Deus não habita em templos construídos por mãos humanas
33. O soberano Deus não precisa de templos feitos por mãos humanas
34. O soberano Deus não está restrito em nenhum lugar
35. O soberano Deus habitou em Jesus Cristo
36. O soberano Deus quer habitar em nós
37. Jesus não mandou construir templos
38. Os primeiros cristãos não tinham templos
39. Igreja nunca foi templo nos primeiros séculos
40. As primeiras construções da igreja
41. Os templos cristãos surgem com o apoio do imperador Constantino
42. Os locais escolhidos para construção de igrejas
43. As igrejas da arquitetura basilicano
44. A nave central e as naves laterais com suas colunas abafaram o evangelho puro e simples
45. A abside com sua plataforma elevada coroada pela abóboda elevou a figura do clero
46. A grade de separação fez surgir duas classes separadas
47. A cátedra elevou a pessoa do bispo
48. O Altar das igrejas templos acabaram com o conceito bíblico de sacrifício único de Jesus
49. Os materiais usados na construção das basílicas deixaram a cristandade fascinada por templos
50. As basílicas ajudaram a elevar a figura do clero
51. Igrejas dedicadas aos santos
52. As esculturas e os ícones das igrejas templos
53. As liturgias pomposas nos templos luxuosos
54. As igrejas da arquitetura bizantina
55. As igrejas da arquitetura pré-românica
56. As igrejas da arquitetura românica
57. As igrejas da arquitetura gótica
58. As igrejas da arquitetura renascentista
59. As igrejas da arquitetura barroca
60. As igrejas da arquitetura rococó
61. As igrejas da arquitetura revivalista
62. As igrejas da arquitetura russa
63. As igrejas das arquiteturas moderna e pós-moderna
64. As igrejas da arquitetura eclética
65. A prostituição cultual nas praças e nos lugares altos
66. Outras igrejas também trilharam o evangelho da arquitetura
67. O uso de sinos
68. As classes de igrejas templos
69. A mistificação das igrejas templos
70. O alto custo do evangelho templário
71. A corrupção financeira nos templos
72. Igrejas teatros
73. Igreja shopping
75. Igreja e pipoca? Isso não é coisa de cinema?
76. Um evangelho hipócrita nas igrejas artísticas
77. A salvação não depende de igrejas templos, mas depende de Cristo
78. A igreja de Cristo não depende de igrejas templos
79. O título pejorativo de desigrejado
80. Igreja e sinagoga: a grande diferença
81. O respeito aos locais de culto
82. Posso ou não posso criar ou frequentar edifícios chamados de igrejas?
83. Não precisamos mais de templos, precisamos ser templos
84. Conclusão
Prólogo

Antes de tudo, quero deixar bem claro que esse não é um livro com o intuito de perseguir e nem criar um ambiente de ódio contra aqueles que estão nos templos. Todos possuem plena liberdade para viverem a sua fé. Todos devemos respeitar os locais de culto de qualquer igreja ou religião. O objetivo aqui é mostrar as coisas que a cristandade vive, mas que não tem nada a ver com Cristo. Queremos dar a todos, de forma respeitosa, o direito de conhecer a verdade do evangelho original.
Quando uma pessoa lê as palavras de Jesus Cristo no Novo Testamento, muitas vezes, fica animada, entusiasmada, empolgada... Então resolve ser um discípulo dele. Mas quando procura outros seguidores, percebe que diversas pessoas estão confinadas nos templos, agarrados em muitas coisas que não são vistas nos ensinos do Mestre. Então, ficam sem saber para onde irem, pois o que veem, na prática, é um evangelho modificado, estranho, algumas vezes cansativo e entediante, outras vezes hipócrita e sem sentido, preso entre quatro paredes.
E Jesus, como fica diante de tudo isso? Será que foi isso que ele ensinou?
Em lugar algum, nem Jesus e nem os seus primeiros discípulos mandaram construir ou frequentar templos. Eles não eram necessários, pois não havia nenhuma liturgia para ser praticada nesses locais. Mas ao longo de muitos séculos, os seguidores do cristianismo se acostumaram com a tradição de ficarem enfiados nos templos, praticando rituais. Esse costume se tornou o carro-chefe da cristandade. Quando se fala em Jesus, a pessoa logo imagina uma igreja-templo. Essa prática se tornou tão séria que se uma pessoa, mesmo produzindo os melhores frutos do mundo, não estiver frequentando uma igreja dessa natureza, ela não é vista como um cristão verdadeiro, segundo o pensamento preconceituoso de diversas pessoas cristãos templários.
Alguns insistem em dizer que a pessoa que deseja ser cristã precisa se filiar a uma igreja (denominação) e precisa frequentar uma igreja (templo). Puro engano. Para ser um cristão, a pessoa precisa se converter e seguir os ensinos de Jesus Cristo. E é bom lembrar que, em seus ensinos, não encontramos a obrigação de prestar serviços em templos. Quando a pessoa faz o que Cristo a mandou, automaticamente, torna-se parte da igreja no seu sentido original. Esta ideia pregada por diversas pessoas é mero proselitismo e um impedimento para que as pessoas realmente possam seguir o puro evangelho.
Frequentar templos é uma opção, não uma obrigação, porque o costume de edificar igrejas não foi idéia de Jesus, mas de Constantino. E o pior, preconceituosamente, diversas pessoas acham que a pessoa que não vai à igreja não é um cristão de verdade. A igreja precisa, sim, se reunir, mas não necessariamente em um templo, para praticar uma série de liturgias nunca determinadas por Jesus.
Nesse e-book vamos mostrar verdades sobre os templos e como eles surgiram na cristandade, mesmo não sendo uma instituição de Jesus e dos apóstolos.
Templocentrismo

Lá no íntimo de nosso ser, algo diz que há um Deus em um lugar misterioso e supremo que deve ser buscado, por isso o ser humano sempre gostou de ter um lugar específico para o culto religioso. Primeiro, criaram santuários pequenos ou simples altares. Depois, resolveram fazer templos maiores. Usaram ouro, prata, bronze e pedras preciosas, procurando fazer o melhor para os deuses. Nesses lugares, ídolos foram colocadas. Eram deuses imóveis, que não podiam estar em toda parte. Então fizeram templos em todos os lugares.
Templos são todas as construções religiosas destinadas ao culto divino. [1] Na maioria das vezes, são edificações luxuosas, com muitos detalhes e objetos sagrados. Mas também há templos mais simples. Alguns são altos, enquanto outros são baixos. Uns são cobertos, outros, descobertos. Há templos em todas as cidades e povoados. Alguns estão nos vales, enquanto outros, nos montes. Apesar das diferenças, cada um tem grande significado religioso.
As diversas religiões do mundo construíram edifícios destinados ao culto religioso. Essas construções fizeram ou fazem parte dos costumes religiosos de todos os povos, desde os tempos mais antigos.
No zoroastrismo temos os Templos de fogo. [2] No budismo, há templos espetaculares, chamados de pagodes. [3], [4] No hinduísmo há milhares de templos magníficos. [5] No jainismo encontramos templos com arquitetura variada. [6] O taoísmo possuiu templos com altares, onde se encontram as representações das divindades. [7] [8] No confucionismo, quando a filosofia de Confúcio foi se transformando numa religião, templos foram edificados. [9] No xintoísmo, eles são de vários tamanhos, rodeados pela natureza. [10] [11] Uma das características marcantes são os portais nas entradas, conhecidos como torii, que pode ser considerado como o símbolo do xintoísmo. [12] No islamismo, os edifícios sagrados são as mesquitas. [13] [14] No sikhismo, eles são conhecidos como gurdwara. [15] [16] Na Fé Bahá'í, os templos são conhecidos como Casas de Adoração. Possuem nove entradas e estão abertos a todas as religiões. [17] No tenrikyo ou tenriísmo, eles são chamados de Yashiro. [18] [19] O caodaísmo possui templo com torres semelhantes às igrejas católicas. [20] No judaísmo existem as sinagogas. [21] Nas diversas igrejas: católica, ortodoxa, anglicana, protestantes e evangélicas, eles são chamados de igrejas. [22]
Observando o evangelho original de Jesus, percebemos que ele não mandou construir templos. Nós devemos ser os templos. Veremos isso ao longo desse e-book com mais detalhes.
Algumas curiosidades sobre templos

Muitos locais de culto costumam ser um ambiente misterioso, muitas vezes curioso. A fé das pessoas fez com que muitos desses locais fossem construídos de forma excêntrica.
Em muitos locais, nas áreas das antigas culturas, há templos megalíticos conservados até hoje. Essas construções de pedras resistiram vários séculos e até milênios de história. Os templos megalíticos, nas ilhas de Malta e Gozo, construídos há milênios de anos antes de Cristo são um exemplo. [23] [24] [25]
Quem for ao Nepal, na Ásia, poderá ver um templo construído antes de Cristo com 365 degraus, cada um representando um dia do ano. [26]
Na Índia, no estado de Maharashtra, próximo à cidade de Aurangabad, há um local sagrado chamado Ellora, formado por dezenas de santuários cravados numa rocha. [27] [28]
Em Myanmar, na cidade de Bagan, há mais de dois mil templos. [29] [30]
Na cidade de Kyoto, no Japão, há mais de dois mil templos budistas e xintoístas. [31]
Os romanos também deixaram o seu legado nesse sentido. O templo de Diana (Ártemis) em Éfeso, na atual Turquia, tornou-se uma das sete maravilhas do mundo antigo. Existiu por mais de oitocentos anos até ser destruído totalmente em 262. [32] Muitos outros templos do paganismo romano foram edificados.
Sem dúvida, o cristianismo sofreu influências pagãs, principalmente romana. E assim, diversas pessoas construíram e ainda estão construindo suas igrejas templos. Muitos deles com características curiosas. Na Costa do Marfim, na África, a Basílica de Nossa Senhora da Paz, com 158 metros de altura, tem sido considerada a maior igreja católica romana do mundo. [33]
Toda essa riqueza faz as pessoas ficarem impressionadas, com a cabeça fixa na ideia de que os templos são necessários. Assim, muito cristãos não conseguem enxergar a verdade proposta por Jesus. Mas é tempo de conhecer a verdade sobre os templos.
Os templos da Mesopotâmia

Precisamos nos libertar dos templos. No entanto, isso é muito difícil, pois eles fazem parte de uma tradição presente há milênios, nas diversas culturas. O cristianismo que veio do judaísmo do povo judeu. Esse povo é descendente de Abraão, que veio da antiga Mesopotâmia, uma terra de grandes templos pagãos. (Neemias 9:7; Atos 7:2-4; Gênesis 12:1-5) Ali, os antepassados de Abraão serviam a outros deuses. (Josué 24:2.)
Na antiga Mesopotâmia, em cada cidade, havia um templo dedicado a uma divindade. O povo acreditava que os deuses moravam nessas construções. Por isso, eles colocavam, nesses locais, as estátuas de seus deuses. Ali também eram oferecidos os sacrifícios de alimentos e outros rituais. [34] Na cidade-estado de Eridu, ficava um dos templos mais antigos do mundo. [35]
Há mais de 2.000 anos antes de Cristo, na região, foram construídos grandes zigurates. Essas construções eram templos em forma de torre piramidal e se destacavam, no meio da cidade, com muitos metros de altura. [36] [37] Uma dessas construções foi o grande templo do deus Marduk, na antiga Babilônia. [38] A Torre de Babel, que foi descrita no livro do Gênesis, no capítulo 11, era uma espécie de templo desse tipo. [39]
A terra dos antepassados de Abraão era a cidade de Ur. (Gênesis 11:31; 15:7; Neemias 9:7.) Essa cidade ficava ao sul da Mesopotâmia, atual Iraque. [40] Ali, os antepassados de Abraão serviam a outros deuses. (Josué 24:2.) Essa cidade tinha como padroeiro o deus da lua, chamado de Nana ou Sin. [41] [42] Ali foi construído o Grande Zigurate de Ur, contendo o santuário do deus lunar. [43]
Aquelas altas construções pareciam indicar que as pessoas tinham consciência que no alto, muito além, existe um Deus supremo a ser buscado. Mas eles buscaram deuses errados, mergulhando em fantasias, meros ídolos.
Abraão saiu desse ambiente com o propósito de servir ao supremo Deus verdadeiro. Muitos costumes ele teve que deixar para trás. Hoje precisamos ser como Abraão. Muitas vezes, precisamos nos desapegar de tudo que não seja necessário para o verdadeiro culto ao verdadeiro Deus soberano. Por mais altaneiro e magnifico que seja um templo, nada e ninguém é mais altaneiro e esplêndido do que o Deus dos altos céus. Vamos, pois, nessa direção.
A melhor decisão

Para quem estiver lendo em outro idioma, as palavras da imagem são as seguintes: “Ur. Harã. Betel.”
Chega um momento que a pessoa precisa tomar a melhor decisão. Pode parecer difícil deixar de lado as suas tradições religiosas. Mas diante do todo-poderoso Deus dos céus, nada é mais importante. Abrão fez a melhor escolha, e nós precisamos fazer o mesmo.
Há aproximadamente 2000 anos antes de Cristo, Abraão, o patriarca dos hebreus, saiu da Suméria, região sul da Mesopotâmia (sul do Iraque hoje) mais precisamente da cidade-estado de Ur dos Caldeus e foi para Harã, no norte da Mesopotâmia. [44] [45] (Gênesis 11.31.) Depois de algum tempo, ele, sua esposa Sara, seu sobrinho Ló e outras pessoas foram para Betel, na terra de Canaã (Palestina). (Gênesis 12.1-8.)
Abrão deixou uma terra, onde as pessoas adoravam vários deuses estranhos, e foi adorar o único Deus em outras terras. (Josué 24.2-3) Em sua cidade natal, ele deixou o Grande Zigurate de Ur, construído pelo rei Ur-Nammu mais ou menos na sua época (século XX antes de Cristo). [46] Todo esplendor religioso sumério foi deixado de lado, pois não era aquilo que o supremo Deus realmente quer de nós.
Muitas pessoas estão no cristianismo, cuja bases remotas estão em Abraão. Entretanto, diversas pessoas estão se desviando para ideias vindas do paganismo. De certa forma, estão voltando para Ur dos caldeus. Mas precisamos nos distanciar mais e mais de todo paganismo, para que possamos nos aproximar cada vez mais do todo-poderoso Deus.
Os locais de culto de Abraão

É difícil para o ser humano se libertar de tudo de uma vez. Isso precisa acontecer por etapas. Por isso, percebemos que Abraão deixou muitos costumes pagãos, mas preservou alguns costumes antigos.
É claro que Abraão ainda não estava totalmente pronto para adorar o verdadeiro Deus de forma totalmente livre das velhas tradições. Mas percebemos que esse Deus aceitou que certas obras de religiosidade fossem praticadas em sua adoração. Assim, ele e seus descendentes continuaram com certas obras de religiosidades.
Em Canaã, ele teve um filho, que recebeu o nome de Isaque. (Gênesis 21.1-8) De Isaque nasceu Jacó. (Gênesis 25.19-26.) De Jacó nasceram doze filhos e uma filha. (Gênesis 30.21; 35.22-26.) Abrão, Isaque e Jacó não tinham templos para adorarem a Deus. Eles o adoraram construindo altares ao ar livre. (Gênesis 12.5-8; 13:18; 22.9; 26:25; 33:20; 35:6-7.) Eles não construíram nenhum templo. Mas seguiram o costume de realizar sacrifícios de animais a céu aberto, porém, oferecidos ao verdadeiro e supremo Deus.
Eles tinham a fé que o supremo Deus podia ser agradado com ofertas queimadas em altares. Precisamos seguir nessa direção. As vezes podemos praticar o que esse Deus não precisa, mas nosso foco tem que ser sempre esse Deus. Como diz a Bíblia, “ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas.” (Atos 17:25, NVI-Br [47]) No entanto, como podemos ver na lei dada a Moisés, ele permitiu que muitas obras de religiosidade fossem praticadas, porém, apenas no culto dedicado a ele. (Êxodo 20:1-5; Deuteronômio 6:13; 10:20.)
Abrão e seus descendentes ainda preservaram as obras de religiosidade. Mas tudo isso, como veremos, também chegou ao fim. Vamos em frente. A liberdade está mais além, além dos altares.
Os templos egípcios

Esquema básico do templo egípcio. Data: Abril/2013. Autor: Osmar Alvestos. Licença CC BY-SA
O ser humano sabe que o todo-poderoso Deus está em um lugar sublime, misterioso, secreto. Essa realidade, muitas vezes, foi representada por meio de construções. Porém, diversas pessoas fizeram isso em torno de falsos deuses.
Basicamente, um templo egípcio era construído da seguinte forma:
01. Pátio. O templo era cercado ao redor por um muro com o objetivo de protegê-lo. [48]
02. Pátio de oferendas. Nesse lugar, onde todos podiam entrar, eram realizadas as oferendas aos deuses. [49] [50]
03. Salas hipostilas. Nesses locais, somente entravam os sacerdotes e o faraó para realizarem diversas atividades religiosas. [51] [52]
04. Santo dos Santos. Nessa parte mais íntima, ficava a imagem do deus do templo. Aqui apenas o sumo sacerdote e faraó tinham acesso. [53] [54] [55] (Mais referências sobre os templos egípcios: [56] [57] [58] [59] [60] [61] [62] [63] [64] [65] [66] [67] [68] [69])
Com essa estrutura do santuário, é possível perceber que os egípcios tinham consciência da realidade de um Deus soberano, santo, secreto, misterioso. Mas eles buscavam deuses errados. Precisamos, porém, buscar o único supremo Deus que está acima de tudo e de todos, no seu santuário celestial, nas alturas e extremamente santo.
A planta do santuário construído na época de Moisés

1. Pátio; 2 Lugar Santo; 3. Lugar Santíssimo ou Santo dos Santos.
O verdadeiro e soberano Deus estabeleceu leis sobre um local para o culto. Por meio de Moisés, ele deixou diversas leis sobre a construção de um tabernáculo para a realização do culto religioso, cheio de rituais. Percebemos que esse Deus permitiu que Moisés seguisse algumas características dos templos egípcios, porém, esse santuário deveria ser dedicado apenas a esse deus supremo. (Êxodo 25; 26; 27; 28; 29; 30; 31; 35; 36; 37; 38; 39; 40.)
As influências egípcias no culto judaico começaram quando, por volta do ano 1700 antes de Cristo (data incerta) houve um período de grande fome no Oriente Médio. [70] (Gênesis 41.53-57.) Por causa disso. Jacó e os seus filhos foram morar no Egito, onde havia bastante comida armazenada. Eles se estabeleceram numa região muito boa, na terra de Gósen, no delta do rio Nilo, do lado Oriental. [71] (Gênesis 46; 47.1-12.)
No meio desse povo, naquele lugar, não temos notícias de nenhum templo dedicado ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó, mas certamente havia altares por lá. Naquela terra, no entanto, se encontravam templos egípcios com certas características já vistas anteriormente.
Ali no Egito, com passar dos anos, a descendência de Jacó se multiplicou. (Êxodo 1.7.) Mais tarde, por volta do século XIII ou XV antes de Cristo, sua descendência já era bem grande. O faraó daquele tempo, temendo que os hebreus ficassem bastante fortalecidos a ponto de quererem dominar a terra do Egito, resolveu escravizá-los e eliminar todos os filhos que nascessem deles, mandando que fossem atirados todos os recém-nascidos do sexo masculino no rio Nilo.
Nessa época, nasceu um menino entre os hebreus que, para ser salvo, foi colocado numa arca, que foi deixada entre os juncos, à beira do rio, próximo ao lugar onde a filha do faraó tomava banho. Então a filha do rei resgatou o menino e o criou. Essa criança recebeu o nome de Moisés, e foi criando junto à corte de Faraó. (Êxodo 2.1-10.)
É claro que Moisés, uma vez criado nesse ambiente religioso egípcio, mesmo procurando serviu ao único e soberano Deus mais tarde, não deixou de levar consigo algumas influências da religião daquele lugar. Dessa forma, o santuário que o soberano Deus permitiu que ele construísse tinha algumas características dos templos egípcios. O santuário era dividido em duas partes principais:
O Lugar Santo (Hebreus 9:1-2). Essa parte podia ser comparada com as salas hipostilas dos templos egípcios. Assim como era no Egito, nesse lugar não podia entrar ninguém além dos sacerdotes. (Números 18.5-7; Hebreus 9.2-7.)
E os Santos dos Santos (Hebreus 9:3-5). Nesse lugar mais íntimo, nos templos egípcios, como vimos anteriormente, era colocada a imagem do deus do templo. Como os hebreus foram proibidos de terem imagens de escultura, então aqui foi colocada a arca da aliança, que simbolizava a presença de Deus. (Êxodo 20.2-6; 25:10-22.) Aqui somente o sumo sacerdote podia entrar. (Hebreus 9:6.)
E ao redor, um pátio (Êxodo 27:9-19; 38:9-20). Além dos sacrifícios, nesse pátio, eram realizadas as demais atividades religiosas públicas. Moisés, com a permissão do Deus supremo, imitou os templos egípcios, que também eram rodeados por um pátio.
Percebemos, na lei dada a Moisés, que o soberano Deus permitiu que algumas características do santuário egípcio fossem seguidas pelos judeus., mostrando para o povo uma sombra ou figura do que é o santuário celestial, o verdadeiro lugar santíssimo. (Hebreus 8:5; 9:23; 10:1.). Assim como Moisés, mesmo com algumas influências tradicionais, precisamos buscar sempre dar um passo além. Precisamos ir mais longe. Moisés foi mais longe. Nós precisamos ir além de Moisés. E isso é possível.
As medidas do santuário construído na época de Moises

Qual era o tamanho do santuário construído na época de Moisés? É isso que vamos ver agora, com alguns detalhes importantes.
O santuário: O santuário propriamente dito media 30 côvados (15 m) de comprimento, 10 côvados de largura (4,50 m) e dez côvados (5 m) de altura. Era, pois, uma área com cerca de 67,5 metros quadrados. Essas medidas podem ser encontradas multiplicando a largura de cada tábua vezes a quantidade de tábuas de cada lado. Largura de cada tábua: 1 côvado e meio. Isso equivale a cerca de 0,75 centímetros. [72] Quantidade de tábuas de um lado = 20. Sendo assim, 20 vezes 0,75 = 15 m. Depois, 6 tábuas ao fundo. 6 vezes 0,75 = 4,50. Dessa forma, multiplicando o comprimento (15 m) pela largura (4,50 m) temos 67,50 de área. Cada tábua tinha 10 côvados de altura, que pode ser convertido para 5 metros de altura. Essas medidas são aproximadas, pois o tamanho exato de um côvado é incerto. (Êxodo 26:15-25.)
O Santo Lugar. A primeira parte, chamada de Santo lugar, era um cômodo de aproximadamente 10 metros de comprimento, 4,5 de largura e 5 de altura. Era, pois, um espaço de 45 m2. [73] Essas medidas podem ser achadas em Êxodo 26:1-5., onde encontramos cortinas com largura de 4 côvados, que equivale a 2 metros de largura cada uma. Foram usadas 5 cortinas de cada lado. Isso equivale a 10 metros. Já sabemos que a largura do santuário era de 4,50 m (quatro metros e meio).
O Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar. A segunda parte, chamada de Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar, era um cômodo menor com a medida aproximada de 5 x 4,5 x 5 metros. Era uma área de 22,5 m2. [74] Se o tabernáculo tinha alto todo 15 metros de comprimento e o lugar santo 10 metros de comprimento, então, claro, sobraram 5 metros de comprimento para o lugar santíssimo. E a largura, claro, é a mesma: 4,5 m. Os dois compartimentos eram separados por uma cortina (véu) de linho fino.
O pátio. Em volta desse tabernáculo, havia um pátio sem cobertura, fechado por cortinas de linho fino, sustentadas por varas de bronze, medindo cerca de 50 x 25 metros, dando um total de 1250 metros quadrados. Todavia, se formos considerar um côvado como sendo 0,44 cm, então temos 44 m por 22 m, que dá um total de 968 metros quadrados. [75] [76] (Êxodo 27:9-19.)
Diferente dos egípcios, que construíram templos de alvenaria, Moisés mandou construir esse santuário em forma de tenda, pois nessa época, após saírem do Egito, os hebreus se tornaram nômades, acampando aqui e ali pelo deserto. Sendo assim, não podiam construir um templo de pedra como fizeram o povo do Egito. Essa tenda sagrada ou santuário foi usado durante quase 500 anos, até o reinado de Salomão, quando foi construído o templo de Jerusalém. [77] (I Reis 6.1)
Como podemos ver, tanto Abraão como Moisés realizaram reformas religiosas, mudando algumas coisas. Mas nenhuma reforma é completa, caso contrário não seria uma reforma, mas uma obra totalmente nova. Sendo assim, as reformas religiosas desses homens não impediram que costumes antigos das religiões da Suméria e do Egito ainda fossem preservados como, por exemplo: os sacrifícios de animais, as oferendas de alimentos, a casta sacerdotal hierarquizada, rituais de purificação, o santuário com espaço íntimo para a divindade, restrição do acesso de pessoas comuns aos locais mais internos do santuário, etc. Todavia, como podemos ver na Bíblia, tudo foi dedicado ao único soberano Deus.
As leis sobre o tabernáculo terrestre eram circunstanciais, pois foram apenas para os hebreus. Não precisamos mais de um tabernáculo e nem de templo terrestres, mas aquele ambiente era uma figura e sombra das coisas celestiais. Há uma dimensão inacessível, um ambiente santíssimo no céu, onde o eterno Deus está, enquanto aqui, neste mundo, precisamos ser igreja santa. (Hebreus 8:1-6.) Por outro lado, nós somos (ou deveríamos ser) o templo. Sim, nosso corpo precisa ser um santuário. (1 Coríntios 3:9, 16, 6:19; 2 Coríntios 6:16; Efésios 2.20-22; 3:16; Hebreus 3:6a; 1 Pedro 2:5a.)
Os materiais finos do santuário construído na época de Moises

Modelo do tabernáculo, como pode ser visto em Israel, no Vale Timna, localizado ao sul de Israel. Data: 02 de abril de 2011. Autor: Ruk7. Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA.
Segundo a lei dada a Moisés, o tabernáculo construído para cultuar o soberano Deus não foi feito e qualquer maneira. Mesmo eles estando ainda no deserto, tudo foi feito com os melhores materiais: madeira de acácia, ouro, prata, bronze, linho fino, pelos de cabra, peles de carneiro e peles finas. Os elementos usados no culto também foram feitos de madeira de acácia, bronze e ouro. (Êxodo 26; 27; 36.)
Esse tabernáculo foi fechado com dez cortinas de linho fino, fios de tecido azul, roxo e vermelho, bordadas com figuras de querubins. Foram todas unidas com colchetes de ouro. (Êxodo 26:1-6.) Por cima, foi feito uma cobertura com onze cortinas de pelos de cabra, presas com colchetes de bronze. Foi feita também mais uma cobertura de peles de carneiro tingidas de vermelho e outra cobertura, feita de peles finas. (Êxodo 26:7-12.)
As cortinas foram presas em armações verticais de madeira de acácia de quatro metros e meio de comprimento, com bases de prata. E a cobertura foi colocada sobre travessas também de madeira de acácia, revestida de ouro. (Êxodo 26:15-30.)
Para separar o lugar santo do lugar santíssimo, foi colocada outra cortina também de linho fino, fios de tecido azul, roxo e vermelho, bordadas com figuras de querubins. Essa foi presa em ganchos de ouro e em quatro colunas de madeira de acácia, que foram cobertas de ouro e cravadas em quatro bases de prata. (Êxodo 26:31-33.)
Para a entrada da tenda, foi colocada outra cortina de linho fino e fios de tecido azul, roxo e vermelho, com bordados, presa em ganchos de ouro e em colunas de madeira de acácia revestidas de ouro, pesas em bases de bronze. (Êxodo 26:36-37.)
O pátio foi feito com cortinas de linho fino, sustentadas por vinte postes e vinte bases feitos de bronze, presas por ganchos e ligaduras de prata. (Êxodo 27:9-19.)
Hoje, não precisamos mais de templo e tabernáculo materiais. Jesus é um novo fundamento, sobre o qual devemos construir com os melhores materiais, espiritualmente falando. (1 Coríntios 3:11-13, NTLH-Br.) Sim, o nosso ser precisa ser um templo feito de coisas preciosas. Como que está construindo a sua vida?
Os objetos sagrados do santuário construído na época de Moises
Legenda: 01. Pátio. 02. Lugar Santo. 03. Santo dos Santos. 04. Portão de entrada do pátio. 05. Altar para queima de ofertas (altar de sacrifícios). 06. Pia. 07. Porta de entrada do santuário. 08. Mesa de pães. 09. Menorah. 10. Altar de incenso. 11. Véu de separação. 12. Arca da aliança contendo uma vasilha com maná, a vara de Arão e as duas placas de pedra com os dez mandamentos.
Mapa do santuário de Moisés. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.
No Lugar Santo, ficavam: Uma mesa de madeira de acácia, chapeada de ouro, onde eram colocados os pães oferecidos a Deus (Êxodo 25:23-30; 37:10-16; Hebreus 9.2); um candelabro de ouro maciço com sete lâmpadas que permanecia aceso, no santuário, durante toda noite (Êxodo 25:31-40; 37.17-24; Levítico 24.2-3; Hebreus 9.2); um altar de madeira de acácia, todo coberto de ouro, onde era queimado incenso todos os dias (Êxodo 30:1-10; 37.25-28). [78]
No lugar Santíssimo ou Santo dos Santos, ficavam: a arca da aliança, que era uma caixa de madeira de acácia, coberta de ouro, contendo: uma vasilha com maná; a vara de Arão; as duas placas de pedra com os dez mandamentos. Sobre ela, havia: um propiciatório de ouro puro; dois querubins, também de ouro, de asas abertas, virados um para o outro. (Êxodo 25:10-22; Hebreus 9.3-7.) [79]
No pátio, ficavam: Uma pia de bronze com água; Um altar de madeira de acácia, revestido de bronze para a realização de sacrifícios. (Êxodo 30:18.) Nesse altar, havia fogo constantemente. (Levítico 6:12-13.)
O tabernáculo construído por Moisés armado em Canaã

O povo de Israel ficou quarenta anos no deserto até que conquistou a terra de Canaã. (Deuteronômio 29:5; Josué 5:6) Chegando lá, como foi que o povo cultuava ao soberano Deus? Vamos ver isso agora.
Os antigos habitantes de Canaã cultuavam seus falsos deuses “tanto nos altos montes como nas colinas e à sombra de toda árvore frondosa.” (Deuteronômio 12:2b, NVI-Br) Então, o soberano Deus ordenou: “Vocês, porém, não adorarão ao Senhor, o seu Deus, como eles. Mas procurarão o local que o Senhor, o seu Deus, escolher dentre todas as tribos para ali pôr o seu nome para sua habitação. Para lá vocês deverão ir e levar holocaustos e sacrifícios, dízimos e dádivas especiais, o que em voto tiverem prometido, as suas ofertas voluntárias e a primeira cria de todos os rebanhos. (Deuteronômio 12:4-6, NVI-Br) Ordem semelhante foi repetida em vários outros textos como: Lugar de culto. (Deuteronômio 12: 11-14, 17-18, 26-27; 14:23-26; 15:19-20; 16:2-8, 13-17; 18:6-8; 26:2; 31:11.)
O tabernáculo que Moisés mandou fazer era uma tenda ou barraca, também conhecido como tenda da congregação, santuário ou tenda do Testemunho. (Êxodo 26:1; 27:21; 25:8; Números 17:7.) Foi usado durante vários séculos, cerca de 500 anos, até que, em Jerusalém, foi erguido o primeiro templo de Israel, durante o reinado de Salomão. [80] (I Reis 6.1)
O tabernáculo na terra de Canaã. Após a conquista da terra de Canaã, todo o território conquistado foi dividido em doze tribos. (Josué 12.1-6; 14; 15; 16; 17; 18; 19.) E aquela tenda sagrada esteve em alguns lugares estratégicos:
Siló. Ele foi montado em Siló, na tribo de Efraim. (Josué 18:1; 19:51; 22:09; Salmos 78:60.) Essa cidade ficava ao norte de Betel. [81] (Juízes 21.19.) Ali ele permaneceu por mais de 350 anos, durante o período dos juízes. [82] [83]
Nobe. Um dia, a arca da aliança foi capturada pelos filisteus. (1 Samuel 4; 5; 6) Logo em seguida, ela foi recuperada, e o tabernáculo, talvez por motivo de segurança, foi transferido para Nobe, na tribo de Benjamim (1 Samuel 21.1-9; 22.9-19.)
Gibeão. Mais tarde, ele esteve por algum tempo em Gibeão, uma cidade também da tribo de Benjamim. (Josué 18.25; 1 Crônicas 16:39; 21:29, 30.)
Jerusalém. Davi armou uma nova tenda em Jerusalém para onde levou a arca da aliança. (1 Samuel 6.) Esse tabernáculo foi usado até que o rei Salomão construiu o templo de alvenaria. (1 Reis 8.1-9.)
Esses locais, cada um numa época diferente, foram os locais sagrados destinados ao culto. Mas hoje não temos mais um lugar determinado. (João 4:19-25.) Veremos isso com mais detalhes mais adiante.
Templo de Salomão, o primeiro templo

O Segundo Templo Judaico . Modelo no Museu de Israel. Fonte: Wikimedia Commons. Autor da imagem: Ariely. Licença. CC BY 3.0.
Todos certamente já ouviram falar do templo de Jerusalém. Como e quando ele surgiu?
No século XI antes de Cristo, o rei Davi desejou construir um templo para o soberano Deus. [84] (2 Samuel 7:1-17.) O rei Davi “que obteve o favor de Deus e pediu autorização para construir uma casa para o Deus de Jacó.” (Atos 7:46, NAA2017.) Mas o soberano Deus disse que seria um descendente dele que iria construir um templo. Por isso, ele deu ao seu filho Salomão, a planta do templo. (1 Crônicas 28:11-12.)
Davi reuniu diversos materiais especiais para a construção do templo: ouro, prata, bronze, ferro, madeira, pedras de ônix, pedras de engaste, pedras de várias cores, de mosaicos e todo tipo de pedras preciosas, e mármore, e tudo em abundância. (1 Crônicas 29:1-2.) Além disso tudo, ele também doou do que era seu: “cem toneladas de ouro, do ouro de Ofir, e duzentos e quarenta toneladas de prata purificada, para cobrir as paredes das casas; ouro para os objetos de ouro e prata para os de prata, e para toda obra de mão dos artífices.” (1 Crônicas 29:4-5a, NAA2017.)
Outras pessoas também contribuíram. A Bíblia diz: “Então os chefes dos grupos de famílias, as autoridades das tribos, os oficiais do exército e os administradores das propriedades do rei deram de livre vontade para a obra do Templo o seguinte: mais de cento e setenta toneladas de ouro, dez mil barras de ouro, trezentas e quarenta toneladas de prata, seiscentas e quinze toneladas de bronze e três mil quatrocentas e vinte toneladas de ferro. Aqueles que tinham pedras preciosas deram essas pedras para o tesouro do Templo, que era administrado por Jeiel, do grupo de famílias levitas de Gérson.” (1 Crônicas 29:6-8, NTLH-Br.)
No século X antes de Cristo, por volta do ano 966, o rei Salomão, com todos aqueles materiais excelentes, construiu um templo para Deus, em Jerusalém, a fim de substituir o santuário em forma de tenda. (1 Reis 6.) [85] [86][87] Foi Salomão que edificou a casa dedicada a esse Deus. (Atos 7:47.)
Esse templo media 60 côvados de comprimento (27 metros), 20 côvados de largura (9 metros) e trinta côvados (treze metros e meio) de altura. (1 Reis 6:2; 2 Crônicas 3:3.) Calculando a área temos: 27 vezes 9 é igual a 243 metros quadrados. Essa era a medida do santuário propriamente dito, sem considerar as outras partes acessórias e os pátios. [88] Tinha o mesmo esquema do santuário portátil, porém, com medidas cerca de três vezes e meio maior. (Êxodo 26.) Além disso, ainda foram construídas outras áreas acessórias como já foi mencionado. Há diversas ilustrações tentando retratar a grandeza desse edifício sagrado. Nem todas são iguais, mas todas podem nos dar uma ideia de como ele era.
Nos próximos estudos, vamos ver mais detalhes sobre essa grande obra do rei Salomão.
O Santo dos Santos (Lugar Santíssimo).

Assim como era o tabernáculo, o templo também tinha um cômodo chamado de Santos dos Santos ou Lugar Santíssimo. Vamos ver como Salomão construiu esse espaço.
As paredes desse cômodo foram revestidas com mais de vinte mil quilos (mais de 20 toneladas) de ouro. (2Crônicas 3:8b.) A sua porta também era de ouro. Foi feito uma cortina de linho fino e de fios de lã azul, púrpura e vermelha e bordada com figuras de querubins para ser colocada entre os dois compartimentos. (2Crônicas 3:14.)
Nesse lugar, foram colocados:
A arca da Aliança, usada como símbolo da presença de Deus. (1Reis 6:19; 6:23-28.)
Dois querubins de madeira folheado de ouro, cada um com asas que mediam dois metros e vinte e cinco centímetros de comprimento, colocados de pé, com o rosto virado para frente. (1Reis 6:23-28; 2Crônicas 3.10-14.)
Esse espaço no lembra que Deus está em seu espaço extremamente santo e precioso, inatingível por qualquer pessoa. Com Jesus entenderemos isso melhor. Mais adiante veremos mais detalhes sobre isso.
O Lugar Santo

Assim como era no tabernáculo de Moisés, nesse templo também foi construído um espaço para ser o Lugar Santo. Vamos falar um pouco sobre esse lugar do templo de Jerusalém.
Esse cômodo media 40 côvados (18 metros) de comprimento (1 Reis 6:17) tendo a mesma largura de 20 côvados (9 metros). Isso dava um total de 162 metros quadrados. Mais de três vezes e meio maior que o Lugar Santo do tabernáculo de Moisés.
Essa sala foi forrada de madeira de pinho, revestida de ouro, com entalhes de figuras de palmeiras e correntes. (2 Crônicas 3:5.)
Nesse local foram colocados:
Dez candelabros em cima de dez mesas, sendo cinco de cada lado (1Reis 7:49; 2 Crônicas 4:7);
E o altar de incenso feito de ouro (1Reis 7:48; 2Crônicas 4:19).
Esse ambiente faz a gente pensar que a nossa vida precisa ser um ambiente santo e cheio das melhores qualidades. Isso será melhor compreendido com Jesus, como veremos mais adiante.
O pátio do templo

O pátio com o tanque sobre os 12 bezerros e o altar de sacrifícios. Data: 1984. Autor: Jim Padgett. Atribuição: Sweet Publishing e Distant Shores Media. Fonte: Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA.
Como o tabernáculo tinha um pátio, o templo também ganhou um grande pátio, dividido em outros pátios específicos. Vamos como essa parte foi construída.
Foi feito um pátio interno para os sacerdotes, um pátio para os israelitas em geral, também chamados de átrio interior e grande átrio. (1 Reis 6:36; 7:12; 2Crônicas 4:9a). As portas desses pátios foram revestidas de bronze. (2Crônicas 4:pb.)
No pátio, diante da porta do santuário, foram colocados:
O altar de sacrifícios feito de bronze, medindo nove metros de comprimento por nove de largura e quatro e meio de altura. Era, pois, de 81 metros quadrados, do tamanho de uma moradia. Era mais alto que uma casa de um pavimento, que mede cerca de três metros de altura. (2Crônicas 4:1.)
Dez bacias para serem usadas na lavagem de ofertas de animais. (1Reis 7:38; 2Crônicas 4:6.)
Um grande tanque de bronze, arredondado, com dois metros e vinte e cinco de profundidade, quatro metros e meio de diâmetro e treze metros e meio de circunferência e quatro dedos de espessura, para armazenar água para os sacerdotes se lavarem. A parede desse tanque foi decorada com figuras de touros. Além disso, esse tanque foi apoiado sobre doze touros também de bronze, divididos em quatro grupos de três. Cada grupo virado para um dos quatro lados. Foi colocado no canto sudeste. A sua capacidade era de mais de sessenta mil litros. (1Reis 7.23-26; 2Crônicas 4:2-5.)
Todos os dias tinham ofertas sendo queimadas no altar do pátio. As obras de religiosidade eram muitas. Mas Jesus, nos libertou de tudo isso. (Romanos 10:4; Efésios 2:15; Colossenses 2:14, etc.0
Outras coisas relacionadas ao templo de Jerusalém

01. Muro externo; 02. Portas do muro externo; 03. Pátio dos gentios; 04. Portas para o pátio dos israelitas; 05. Salas diversas; 06. Aposentos dos levitas; 07. Galerias; 08. Pátio dos israelitas; 09. Portas para o pátio dos sacerdotes e para o pátio diante do santuário; 10. Mais salas diversas; 11. Outra galeria; 12. Pátio diante do santuário; 13. Pátio dos sacerdotes.14. Altar de sacrifícios; 15. Tanque; 16. Mais salas diversas; 17. Vestíbulo; 18. Santo Lugar; 19. Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar; 20. Dez mesas com dez candelabros de ouro; 21. Mesa com os pães oferecidos a Deus ou pães da proposição; 22. Altar de incenso; 23. Querubins de asas abertas; 24. Arca da Aliança. [89], [90], [91], [92], [93], [94], [95], [96], [97], [98], [99], [100], [101], [102]
Diferente do tabernáculo, o templo de Jerusalém não era apenas o santuário com por Lugar Santo e o Santo dos Santos. Muitas outras partes acessórias foram construídas. Vamos ver um pouco disso.
“Encostados nos lados e nos fundos do Templo, Salomão construiu três andares de salas, cada andar medindo dois metros e vinte centímetros de altura.” (I Reis 6.5, NTLH-Br.) Essas salas de cima também tiveram as paredes revestidas de ouro. Segundo estudos realizados, havia ainda outros pátios e inúmeros outros aposentos.
O templo foi enfeitado com pedras preciosas e ouro. As vigas, as batentes, as paredes e as portas também foram revestidas de ouro. Figuras de querubins foram gravadas nas paredes. Os pregos usados foram dourados com mais de meio quilo de ouro. Em frente ao templo, foram colocadas duas colunas de quinze metros e meio de altura. No alto, cada uma tinha um remate de dois metros e vinte de altura com desenho de correntes entrelaçadas e cem figuras de romãs de bronze. (2 Crônicas 3:6-7.)
“Em todas as paredes ao redor do templo, tanto na parte mais interior como na parte exterior, Salomão mandou esculpir entalhes de querubins, palmeiras e flores abertas. Também revestiu de ouro o soalho, tanto na parte mais interior do templo como na parte exterior.” (1 Reis 6:29-30, NAA2017.)
"Na entrada do Lugar Santíssimo foi colocada uma porta dupla feita de madeira de oliveira; no alto as ombreiras formavam um arco em ponta." As portas eram enfeitadas com figuras entalhadas, representando querubins, palmeiras e flores. As portas, os querubins e as palmeiras eram folheados a ouro. Para a entrada do Lugar Santo foram feitos batentes retangulares de madeira de oliveira.” (1 Reis 6:31-33, NTLH-Br.)
“Fez também duas portas de madeira de pinho, cada porta com duas folhas presas por dobradiças. Nessas portas havia figuras de querubins, de palmeiras e de flores abertas, cuidadosamente revestidas de ouro. A parede do pátio interno tinha três camadas de pedras cortadas e uma cama da de vigas de cedro.” (1 Reis 6:34-36, NBV. [103])
“Além desses, Salomão mandou fazer também todos estes outros utensílios para o templo do Senhor: o altar de ouro; a mesa de ouro sobre a qual ficavam os pães da Presença; os candelabros de ouro puro, cinco à direita e cinco à esquerda, em frente do santuário interno; as flores, as lâmpadas e as tenazes de ouro; as bacias, os cortadores de pavio, as bacias para aspersão, as tigelas e os incensários; e as dobradiças de ouro para as portas da sala interna, o Lugar Santíssimo, e também para as portas do átrio principal." (1 Reis 7:48-50, NVI-Br [104] 2Crônicas 4:19-22.) “Fizeram também dez mesas, que foram postas no Templo: cinco, no lado sul e cinco, no lado norte. Fizeram também cem vasilhas de ouro.” (2 Crônicas 4:8, NTLH-Br.)
Esse templo permaneceu cerca de 380 anos até a invasão dos babilônios. [105] No próximo estudo vamos falar da sua destruição.
A destruição do templo de Salomão

O infinito Deus verdadeiro não precisa de nenhuma construção. Por isso, permitiu que os babilônios acabassem com o templo de Salomão. E é claro que o grande e soberano Senhor não ficou desabrigado. Afinal, ele não depende de casas ou templos feitos por mãos humanas para habitar. (Atos 7:48, 24.)
Lendo os livros dos profetas, podemos ver como Jerusalém estava carregada de pecados de todos os tipos. Era uma apostasia contínua. O povo estava se desviando sempre. Apegava-se ao engano, e não queria voltar-se para o soberano Deus. (Jeremias 8:5.) Era uma cidade sanguinária, assassina, idólatra, onde as pessoas desprezavam os pais, oprimiam os estrangeiros, cometiam injustiças para com os órfãos e viúvas, profanavam, caluniavam, cometiam adultérios, recebiam subornos, praticavam usuras, buscavam ganhos ilícitos, eram avarentos, queriam lucrar de forma desonesta, e tantos outros pecados encontrados nos livros proféticos. (Ezequiel 22:1-14.) Por isso, Jerusalém foi duramente condenada pelo soberano Deus. (Ezequiel 22:14-16.)
Por causa dos pecados do povo de Israel, no século VI antes de Cristo, na época do reinado de Zedequias, o exército do rei Nabucodonosor da Babilônia atacou Jerusalém. (2 Reis 25. 1-12.) Aquele magnífico templo de madeira nobre, bronze, prata e ouro, depois de cerca de 380 anos ostentando a sua grandeza em Jerusalém, foi saqueado.
“Os babilônios quebraram as colunas de bronze e as carretas que estavam no Templo e também o grande tanque de bronze. Então levaram todo o bronze para a Babilônia. Também levaram embora as pás e as vasilhas usadas para carregar as cinzas do altar. Levaram ainda as tesouras de cortar pavios de lamparinas, as vasilhas de queimar incenso e todos os outros objetos de bronze usados no serviço do Templo. Nebuzaradã levou embora tudo o que era feito de ouro ou de prata, incluindo as vasilhas pequenas e os pratos de carregar brasas. Não foi possível calcular o peso dos objetos de bronze que o rei Salomão havia feito para o Templo, isto é, as duas colunas, as carretas e o grande tanque, pois eram pesados demais.” (2 Reis 25.13-16, NTLH-Br.)
Não levaram apenas coisas materiais. Pessoas também foram levadas. O sumo sacerdote, o segundo sacerdote e os três guardas da porta do templo também foram levados. (2 Reis 25.18.) “Os que escaparam da espada, a esses ele levou para a Babilônia, onde se tornaram escravos dele e de seus filhos, até o tempo do reino da Pérsia.” (2 Crônicas 36.20, NAA2017.)
O que sobrou foi destruído. “Os caldeus queimaram a Casa de Deus e derrubaram a muralha de Jerusalém. Queimaram todos os seus palácios, destruindo também todos os seus objetos de valor.” (2 Crônicas 36.19, NAA2017.)
O supremo Deus não aceita subornos. (Deuteronômio 10:17; 2 Crônicas 19:7.) Aquele templo magnífico, onde ofertas e mais ofertas era, nada disso pode engabelar esse Deus. Afinal, o que ele quer de verdade é que as pessoas vivam corretamente, longe do pecado. Por isso, por causa do pecado do povo, do que foi feito para Deus foi descartado.
Isso prova que o soberano Deus aprovou a construção e o uso templo para ali ele ser cultuado, mas ao permitir que ele fosse invadido e saqueado, nos mostrou que ele não precisa de nada disso. Isso serve de exemplo para nós. Muitas pessoas estão em pecado e estão nos templos, achando que vão engabelar esse Deus com suas obras de religiosidade. Mas o que esse Deus realmente quer é a nossa vida transformada. Ele não precisa de templos suntuosos. Ele quer vidas ornamentadas de atitudes brilhantes. Então, façamos de nós um templo magnífico para não sermos descartados como inúteis.
Uma vida sem templo

Vimos, no estudo anterior, que por causa dos pecados do povo de Israel, no século VI antes de Cristo, o exército do rei Nabucodonosor da Babilônia atacou Jerusalém, saqueando e destruindo o templo. (2 Reis 25. 1-12.) Vamos refletir um pouco sobre a vida daquele povo sem o seu magnífico templo de Jerusalém.
Nessa época, os israelitas ficaram sem templo por sete décadas, sob o jugo do cativeiro, numa terra distante. [106] [107] “Isto aconteceu para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, até que a terra desfrutasse dos seus sábados. Durante todos os dias da sua desolação a terra repousou, até que os setenta anos se cumpriram.” 2 Crônicas 36:21, NAA2017.)
Foi um duro golpe. Sem lugar para realizarem seus rituais, sem a arca, o símbolo da presença de Deus, sem o cheiro do incenso e da carne queimada, sem o brilho do candelabro de ouro, tudo ficou triste. Foi mais ou menos assim, o lamento do povo, distante de Jerusalém e do templo:
“Sentados na beira dos rios da Babilônia, chorávamos quando lembrávamos de Jerusalém. Penduramos as nossas liras nas árvores que havia ali. Aqueles que nos levaram como prisioneiros mandavam que cantássemos. Eles diziam: ‘Cantem para nós as canções de Sião.’ Mas, em terra estrangeira, como podemos cantar um hino a Deus, o SENHOR? Que nunca mais eu possa tocar harpa se esquecer de você, ó Jerusalém! Que nunca mais eu possa cantar se não lembrar de você, se não pensar em você como a maior alegria da minha vida!” (Salmos 137:1-6, NTLH ou 136.1-6, dependendo da tradução.)
Todavia, apesar de estarem longe de Jerusalém e de terem perdido o templo, os verdadeiros servos desse Deus, os fiéis, esses não perderam a sua fé. Sabiam que não tinham templo, mas tinham esse Deus em qualquer lugar. Muitas pessoas deles permaneceram firmes, como Daniel, Xabraque, Mesa que e Abedi-Nego, como foi mostrado no livro de Daniel.
Tudo isso quer dizer que não importa se temos ou não temos um lugar certo para cultuar esse Deus. O que importa é se vamos permanecer firmes nele, aconteça o que acontecer. Não importa o lugar, pois o importante é permanecer nele. Por causa dos nossos pecados ou mesmo por causa das provações do fim dos tempos, muitas igrejas de tijolos e cimento poderão ser extintas. Mas o que importa é que a nossa vida permaneça em santidade, firme até o fim.
As sinagogas judaicas

Certamente que já ouviu falar de sinagogas. Se você lê a Bíblia, irá encontrar esse termo em vários lugares.
Sinagoga, do substantivo grego συναγωγη (sunagoge), significa ajuntamento, assembleia. Essa palavra se encontra 57 vezes no Novo Testamento. Ela vem do verbo grego συναγω (sunago), e quer dizer: reunir, juntar, trazer consigo para dentro de casa, etc. Por isso, as reuniões dos judeus, na língua grega, eram chamadas de sinagogas. E é por isso também, que as construções onde eles se reuniam também eram denominadas de sinagogas. [108] [109]
Vimos, nos estudos anteriores, que por causa dos pecados do povo de Israel, no século VI antes de Cristo, o exército do rei Nabucodonosor da Babilônia atacou Jerusalém. (2 Reis 25. 1-12.) Depois desse duro golpe, nessa ocasião, sem templo, longe de sua terra, os israelitas começaram a criar locais para a oração e leitura das Sagradas Escrituras. Esses locais ficaram conhecidos como sinagogas, ou casa de reunião, ou casa de oração. A partir dessa época, essas construções religiosas continuaram sendo edificadas em todos os lugares onde havia judeus. [110], [111] Certamente entenderam que não podiam mais ficar restritos a um único lugar.
Nas sinagogas encontramos:
· Uma plataforma elevada no centro ou à frente, chamada de bimah ou tebá, de onde a Torá é lida e orações são presididas; [112]
· Um baú, conhecido como Aron Kodesh, onde a Torá é guardada; [113]
· Uma lâmpada sempre acesa; [114]
· Um menorah, que é um candelabro com sete lâmpadas; [115]
· Uma arca tampada por uma cortina lembrando a Arca da Aliança;
· Um púlpito para o rabino;
As casas de oração (sinagogas) eram dirigidas por um conselho, conhecido como Sinédrio. Nas cidades maiores, esse conselho era formado por vinte e três pessoas e, nas cidades menores, sete pessoas. Os membros desse conselho eram chamados de anciãos. [118] (Mateus 9:18, 23; Lucas 7.3; 8:41.) Era uma espécie de tribunal com poder para punir as pessoas com excomunhão, flagelação e até pena morte. [119] Jesus foi julgado e condenado à morte por esse tribunal. (Mateus 26.3-4, 57-68.) Dos membros do conselho, um era o dirigente da casa de oração. (Marcos 5:22, 35, 36, 38; Lucas 8:49; 13:14; Atos 13:15; 18: 8, 17) Dessa forma, as sinagogas eram uma espécie de templo e tribunal religioso.
Esses edifícios religiosos supriram a falta de templo, que depois de algumas décadas, foi reconstruído novamente. Todavia, mesmo depois do exílio e com o novo templo erguido, os judeus continuaram edificando suas sinagogas. No Novo Testamento, nos evangelhos e em Atos dos Apóstolos, elas são citadas mais de cinquenta vezes. Em Jerusalém, havia sinagogas de vários grupos: Libertos, alexandrinos, cireneus, cilícios, etc. (Atos 6:9.) No ano 70, havia cerca 394 sinagogas nessa cidade. [120] Os judeus que foram para outras regiões, fora da Palestina, também tinham esses locais de culto. Por exemplo: Damasco (Atos 9:2), Chipre (Atos 13:5), Antioquia (Atos 13:14; 14:1), Macedônia e Grécia (Atos 17:1, 10, 17; 18:4) e Éfeso (Atos 19:8). Em todos os lugares onde havia judeus, sinagogas pequenas, médias e grandes foram construídas, do Oriente à Europa, algumas parecidas com igrejas católicas, com torres, vitrais, etc. [121] [122]
Esse costume judeu de se reunir em sinagogas também influenciou os cristãos. A construção de igrejas, a liturgia que lá dentro acontece, tudo isso tem um pouco das sinagogas judaicas. Essas sinagogas foram muito importantes para esse povo. Mas Jesus não estabeleceu nenhuma liturgia e nenhuma determinação para que a igreja fosse uma espécie de sinagoga. Sinagoga, como vimos, traz a ideia de levar o povo para uma reunião dentro de quatro paredes. [123] [124] É interessante observar que os cristãos não foram chamados de sinagoga, mas de igreja. Essa palavra vem do grego εκκλησια (ekklesia). Ela aparece no Novo Testamento mais de 100 vezes. Era usada no mundo grego para indicar um encontro de cidadãos chamados para fora, na praça pública. [125] Isso quer dizer que temos que ser igreja em qualquer lugar e não dentro de quatro paredes.
Sejamos, pois, igreja, e não sinagoga. Não fomos chamados para ficar escondidos, mas para ir brilhando como luz do mundo, onde quer que estejamos. Se a sua vida cristã se resume em quatro paredes, você não é igreja, mas sinagoga.
Templo de Zorobabel, o segundo templo

O Segundo Templo judeu. Modelo no Museu de Israel. Data: 1/08/2008. Autor: Ariely. Fonte: Wikimedia Commons. Licença CC BY.
Apesar de terem outros edifícios destinados à religião, no final do século VI antes de Cristo, os israelitas reconstruíram o velho templo de Jerusalém. Nessa época, o Império Persa venceu o Império da Babilônia. Dessa forma, o território que antes era Reino de Israel e que estava sob o domínio da Babilônia passou para esse novo Império. E o povo, mesmo não tendo sua nação de volta, ganhou a liberdade para poder voltar para Jerusalém e reconstruir o antigo templo. [126] [127] [128]
Mesmo havendo as sinagogas, o templo foi reconstruído por Zorobabel, que na época era o governador de Judá. (Esdras 3 e 6; Ageu 1 e 2.) Os que voltaram para Jerusalém, sob a liderança desse homem, com o objetivo de reconstruir o templo receberam ofertas de prata e ouro, mantimentos e gado e também ofertas para apresentarem no Templo de Deus, em Jerusalém. E os objetos sagrados que Nabucodonosor havia saqueado foram devolvidos para eles. (Esdras 1)
Os edificadores lançaram as bases da nova casa de Deus. Sacerdotes tocaram trombetas. Levitas repicaram címbalos. E houve brados de louvor e grande choro. (Esdras 3.10-13.) E o profeta Ageu animou a todos dizendo: “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Ageu 2:9, ARC-Br.) Depois de 70 anos após a destruição do templo pelos babilônios, finalmente os hebreus puderam ver o seu edifício religioso de volta. [129] Alguns tentaram impedir. Mas não foi possível parar a obra. (Esdras 4; 5; 6.)
Mais adiante, Esdras e outro grupo de pessoas também voltaram trazendo mais ajuda. (Esdras 7; 8.) Todavia, o muro e os portões de Jerusalém ainda estavam destruídos, e o povo deixou a obra de Deus desleixada. Então, Neemias também veio da Pérsia com outro grupo e acabou de concluir a reforma. E Esdras completou o trabalho realizando uma reforma religiosa, restabelecendo o cumprimento da lei de Moisés.
Como já vimo, o soberano Deus animou o povo por meio do profeta Ageu dizendo que a glória desse novo templo seria maior do que o primeiro. (Ageu 2:9, ARC-Br.) Isso quer dizer que ´é possível melhorar sempre. Mas apesar disso, não podemos nos esquecer que destruições podem causar prejuízos irreversíveis. O povo de Israel não conseguiu recuperar a antiga Arca da Aliança. Após a invasão de Nabucodonosor, que saqueou o templo de Salomão, nunca mais foi citada a sua existência. Apenas o livro de Macabeus traz uma rápida citação duvidosa. (2 Macabeus 2:4-8.) [130], [131], [132]
Hoje não temos que nos preocupar com construção ou reconstrução de templos, pois nós temos que ser o templo. (1 Coríntios 3:9, 16, 6:19; 2 Coríntios 6:16; Efésios 2.20-22; 3:16; Hebreus 3:6a; 1 Pedro 2:5a.) Explicaremos isso com mais clareza mais adiante. Precisamos nos reconstruir sempre, procurando ser um templo melhor do que antes. Mas é necessário ter cuidado com o pecado que nos destrói, pois, danos irreparáveis podem acontecer.
Danos causados ao segundo templo

Planta do segundo templo. 01. Pátio dos gentios. 02. Pátio das mulheres. 03. Pátio dos israelitas. 04. Pátio dos sacerdotes. 05. Repartições diversas. 06. Altar de sacrifícios. 07. Pórtico. 08. Santo Lugar. 09. Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar. [133], [134], [135], [136], [137], [138], [139], [140], [141]
Segundo templo. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.
Mais uma vez, o soberano Deus mostrou para o povo que ele não precisa de templos construídos por mãos humanas, mesmo sendo um ambiente cada vez melhor e mais sofisticado.
O novo templo também tinha seu santuário com o Lugar Santo e o Santo dos Santos, além de outras coisas determinadas por Moisés. Além disso, também foram feitas outras partes acessórias. Mas apesar de todo esse esforço, essa grande obra também não permaneceu intocável. Esse novo templo sofreu outras invasões e vários estragos causados pelas guerras. [142]
Jesus disse para não acumular tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. (Mateus 6:19.) Bronze não pode ser consumido pela traça. A prata e o ouro não enferrujam. Mas tudo isso atraem os ladrões e atraiam reis sedentos de tesouros. E eles vieram.
No século IV antes de Cristo, Alexandre Magno do Império da Macedônia conquistou o Oriente. Todas as terras do Império Persa foram anexadas ao império de Alexandre, que morreu logo em seguida. O seu vasto território foi dividido entre os seus generais. A região do povo de Israel, a Palestina, foi disputada entre duas dinastias: a ptolemaica contra a selêucida. E povo hebreu ficou no meio do “fogo cruzado”, dominado por essas dinastias por mais de 200 anos. [143]
Em 168 antes de Cristo, Antíoco Epífanes saqueou Jerusalém e o Templo, suspendeu os sacrifícios diários e colocou uma imagem de Zeus sobre o altar. (Zeus, segunda a crença dos gregos, era o deus supremo, identificado com o Júpiter romano) [144] Além disso, ainda matou muitos judeus e queimou cópias das Escrituras Sagradas. "No dia quinze do mês de Casleu, no ano cento e quarenta e cinco, Antíoco fez erigir a Abominação da desolação sobre o altar." (1 Macabeus 1:54, Bíblia Católica Online.) [145]
Logo em seguida, em 167 antes de Cristo, aconteceu a revolta das macabeus. De 110 a 63 antes de Cristo, por meio de guerras, os revoltosos conseguiram uma independência, formando o Reino Hasmoneu ou reino Macabeu. [146] [147]
Dessa forma, houve um período de cerca de liberdade, quando as atividades no templo foram restauradas. Mas o Império Romano queria conquistar todo o Oriente. Então, em 63 antes de Cristo, o general romano Pompeu invadiu Jerusalém, entrou no templo e foi até o Santo dos Santos, um lugar que somente o sumo sacerdote podia entrar. [148], [149], [150], [151], [152], [153] Pouco tempo depois, Herodes, o Grande, tornou-se rei da Judéia, abaixo do Imperador Romano. [154], [155]
Lembre-se: os templos edificados por mãos humanas não poderão permanecer para sempre. Mas nós somos o templo. (1 Coríntios 3:9, 16, 6:19; 2 Coríntios 6:16; Efésios 2.20-22; 3:16; Hebreus 3:6a; 1 Pedro 2:5a.) Se permanecermos firmes no soberano Deus, seremos templos eternos que ninguém poderá destruir.
Templo na visão de Ezequiel

01. Muralha exterior. 02. Portão leste. 03. Portão norte. 04. Portão sul. 05. Pátio exterior. 06. Calçada de pedras. 07. Pátio interior. 08. Portão sul do pátio interior. 09. Portão leste do pátio interior. 10. Portão norte do pátio interior. 11. Sala para lavar animais. 12. Salas para os sacerdotes. 13. O templo propriamente dito. 14. Edifício oeste. 15. Edifício norte. 16. Edifício sul. 17. Pátio das cozinhas. 18. Altar. 19. Colunas. 20. Salão de entrada. 21. Salão central. 22. Santo dos Santos. 23. Espaços livres. 24. Cômodos anexos.
Templo de Ezequiel. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.
Como já foi dito em estudos anteriores, a Babilônia dominou as terras dos judeus e levaram muitas pessoas cativas para a Mesopotâmia. Elas foram colocadas num assentamento, próximo ao rio Quebar. Entre os exilados, estava o sacerdote e profeta Ezequiel. (Ezequiel 1.1-3.) Quatorze anos depois que Jerusalém e o seu templo foram destruídos pelos babilônios, esse profeta, teve visões, onde descreveu um novo modelo de templo. (Ezequiel 40; 41; 42; 43;44.) [156], [157]
O que esse profeta escreveu parece ser instruções para a reconstrução do templo. Mas quando essa reforma aconteceu sob a direção de Zorobabel, a planta não foi seguida de acordo com as descrições desse profeta. Por isso, diversas pessoas acham que essa foi a visão do próximo templo, que será edificado novamente em Israel, no fim dos tempos, com sacrifícios de animais, sacerdotes, etc. Há rumores dizendo que os israelitas já estão se preparando para isso. [158], [159], [160], [161], [162]
Outros contestam, afirmando que a profecia deve ser interpretada no sentido alegórico ou espiritual. Um novo templo com práticas da lei de Moisés não combinaria com o evangelho de Jesus, quando as práticas da lei de Moisés foram abolidas. Sendo assim, não faz sentido um novo templo com antigos rituais. [163], [164], [165] Fica, assim, um enigma no ar.
Mais um templo com rituais da lei de Moisés poderá ser edificado. E a igreja poderá passar por uma judaização ainda maior em detrimento do verdadeiro evangelho, que já foi bastante deturpado. Do jeito que as coisas andam, estamos correndo o risco de ver pessoas praticando sacrifícios de animais nas igrejas.
É claro que o grande Deus do Universo não precisa ficar restrito a um templo, perdido entre as montanhas desse planeta. Com todo poder que tem, se ele precisasse mesmo de uma morada, nem Nabucodonosor, nem Antíoco ou Pompeu, ninguém conseguiria invadir aquele lugar sagrado. Mas ele não precisa de construções humanas, por isso, aquela e todas as outras construções não foram e nunca serão eternas. A eternidade é prometida para nós. (João 3.16; 3.36; 5:24; 6:40; 6:47; 17.2; 17.3; 1 João 2:24; 2:25; 5:11.) Nós temos que ser templos eternos.
Templo de Herodes, o terceiro templo

Descrição: . Um modelo do Templo de Herodes adjacente à exposição do Santuário do Livro no Museu de Israel, Jerusalém. Autoria: Berthold Werner. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: Domínio Público.
Já vimos, noutro estudo, que Jerusalém esteve nas mãos de inimigos, causando muitos problemas ao templo daquela cidade. Entre 332 a 312 antes de Cristo, Jerusalém foi dominada pelo império de Alexandre Magno. [166] De 312 a 110 antes de Cristo, foi a vez do domínio do grande império Selêucida. [167] [168] De 110 a 63 antes de Cristo, por meio de guerras, os revoltosos conseguiram uma independência, formando o Reino Hasmoneu ou reino Macabeu. [169] [170] Nessa época, o templo foi novamente reconstruído. [171] Em 63 antes de Cristo, o general romano Pompeu dominou Jerusalém, mas o templo foi mantido com os serviços religiosos. Nada foi saqueado. [172] Mas em 54 antes de Cristo, Crasso, cônsul romano, [173] saqueia o templo, confiscando todo o seu ouro. [174] Entre 37 a 34 antes de Cristo, Herodes, o Grande, derrotou o rei asmoneu Antígono II, e a terra dos judeus continuou sendo um estado cliente, subordinado ao Império Romano.[175] [176] [177] [178].
Para conquistar a popularidade dos judeus, Herodes iniciou a reconstrução do templo que se encontrava machucado por diversas batalhas. O templo propriamente dito, (o Santo dos Santos e o Lugar Santo), esse foi concluído em um ano e meio, sendo edificado pelos próprios sacerdotes. Mas os edifícios ao redor ainda demoraram décadas para serem reformados. Na época de Jesus, já eram 46 anos de construção. (João 2:20). Esse foi o templo da época de Jesus e dos apóstolos. [179] [180] [181] [182] Toda área construída, que antes era de 70.000 metros quadrados passou para 144.000 metros quadrados, um pouco mais do dobre da área anterior.[183] As partes principais eram:
O pátio dos sacerdotes com cento e oitenta e sete côvados (cerca de 93 metros) por cento e trinta e sete côvados (cerca de 68 metros), sendo, pois, uma área de mais de 6.300 metros quadrados. Esse pátio era rodeado por uma construção de três andares de 20 côvados (cerca de 10 metros) de altura. O santuário ficava dentro desse pátio. O santuário era acessado por uma escada de doze degraus., que terminava num majestoso pórtico de 100 por 100 côvados (mais ou menos 50 por 50 metros), com uma porta para o saguão (vestíbulo). Desse passava-se para o Lugar Santo. Nessa entrada Herodes mandou colocar uma colossal águia dourada, a águia romana, que desagradou muito aos judeus. Uma porta de 10 por 20 côvados (5 metros por 10 metros) dava acesso ao Lugar Santo, onde estava o altar de incenso, a mesa de pães da proposição e o castiçal de sete braços. Uma cortina (véu) separava o Lugar Santo do Santo dos Santos. Foi esse o véu que se rasgou por ocasião da morte de Jesus. Nesse pátio também ficava o grande altar de holocausto feito de peras. Também se encontravam oito mesas de mármore para cortar e lavar a carne dos animais sacrificados. Pessoas comuns somente entravam nesse lugar na hora de colocar as mãos sobre o animal a ser oferecido em sacrifício. [184]
O pátio dos israelitas. Ao redor do pátio dos sacerdotes, descendo alguns degraus, ficava o pátio dos israelitas comuns. Apenas homens podiam entrar nesse pátio. Tinha cerca de 40 côvados (cerca de 20 metros) de largura. [185]
Pátio das mulheres. Descendo cerca de 15 degraus, havia uma área rodeada por uma galeria. Ali ficavam treze caixas, sendo cada uma destinada a um tipo de oferta como: óleo, madeira, vestes sacerdotais, pombas, etc. Foi nesse lugar que Jesus viu a viúva dando a sua oferta. (Marcos 12.41-44; Lucas 21.1-4.) Na câmara do lado nordeste, os sacerdotes separaram a madeira. Na do lado do sudoeste, óleo e vinho eram depositados. Do lado do sudeste, aqueles que cumpriram o voto dos nazireus raparam suas cabeças. Também existiam locais para lavar, cozinhar e hospedagens. [186]
Pátios dos gentios. Todos aqueles que não fossem do povo judeu podiam ir apenas até nesse lugar, que era uma grande área ao redor. Aqui, vendedores comercializavam lembranças, animais de sacrifício, comida, e cambistas trocavam dinheiro romano pela moeda de Tiro (tetradracmas). Foi desse local que Jesus expulsou os vendedores e cambistas. (Mateus 21.12-17; Marcos 11.15-19; Lucas 19.45-48; João 2.13-22.) [187] [188]
Esse, como já foi mencionado, era o templo da época de Jesus. Esse era o local mais importante para os judeus. É nesse lugar que os judeus se encontravam para celebrar as suas festas. Muitos assuntos religiosos vão girar em torno desse lugar.
Jesus e o templo de Jerusalém

01. Pátio dos gentios. 02. Pátio das mulheres. 03. Pátio dos israelitas. 04. Pátio dos sacerdotes. 05. Repartições diversas. 06. Altar de sacrifícios. 07. Pórtico. 08. Santo Lugar. 09. Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar. [189], [190], [191], [192], [193], [194], [195], [196], [197] Observação: A seta indica o ponto máximo onde Jesus e os seus discípulos puderam entrar. Além desse ponto, apenas podiam entrar os sacerdotes do judaísmo.
O local da área do templo, onde Jesus e os seus discípulos estiveram. Data: abril/2013. Autor: Maralvestos. Licença CC BY-SA.
Muitas igrejas tem um lugar para os cristãos se reunirem. Alguns são construídos, outros, alugados. Uns defendem esses lugares como se eles fossem estritamente necessários para os cristãos. Outros, pelo contrário, são totalmente contra um local para reuniões. Quem está com a razão?
Ter um lugar definido para se reunir para cultuar e se confraternizar não é nenhum problema. Jesus e os apóstolos não mandaram arrumar um lugar assim, mas também não proibiram. Entretanto, o problema começa quando essas pessoas começam a chamar o local onde se reúnem de templo ou casa do Senhor. Também se tornam um problema quando começam a praticar nesses locais um monte de coisas que não estão de acordo com o verdadeiro evangelho.
Muitas pessoas que consideram a sua igreja como um templo se defendem dizendo que Jesus e os seus discípulos iam ao templo sempre. Bíblia diz que “diariamente, Jesus ensinava no templo.” (Lucas 19:47, ARA-Br.) Existem 28 Versículos dizendo que Jesus e seus discípulos se reunião no tempo. (Mateus 21:12; 21:14; 21:15; 24:1; 26:55; Marcos 11:15; 11:16; 11:27; 12:35; 12:41; 13:1; 14:49; Lucas 19:45; 19:47; 20:1; 21:1; 21:37; 22:53; 24:53; João 2:14; 5:14; 7:28; 8:2; 8:20; 8:59; 10:23; 11:56; 18:20.)
Depois da morte, ressurreição e ascensão de Jesus, os apóstolos “diariamente perseveravam unânimes no templo.” (Atos 2.46a, ARA-Br.) No templo, os apóstolos eles ensinavam. (Atos 5:21.) “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.” (Atos 5.42, ARA-Br.) “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração.” (Atos 2:46, AA-Br.)
Baseados nesses textos, acham que Jesus e os seus seguidores estiveram no templo e que, por isso, nós também devemos fazer o mesmo.
Na verdade, eles não iam ao templo, mas ao pátio do templo. Somente sacerdotes entravam no templo.[198], [199] Mas nem Jesus e nem os seus discípulos eram sacerdotes, segundo a religião dos judeus. Sendo assim, nenhum deles podia entrar no lugar sagrado, nem mesmo Jesus. Todavia, no pátio, podiam entrar pessoas de todos os tipos, até mesmo os gentios. A área ao redor do santuário, como já vimos em estudos anteriores, possuía um pátio para os gentios, um pátio para as mulheres, outro para os israelitas e outro para os sacerdotes.
O templo, na verdade, ficava dentro do pátio dos sacerdotes. Esse era dividido em duas partes principais: a primeira parte era o Lugar Santo, onde entravam apenas os sacerdotes. A segunda parte era o Santo dos Santos, onde apenas o sumo sacerdote podia entrar uma única vez no ano. (Números 18.5-7; Hebreus 9.2-7.) Dessa forma, podemos dizer que Jesus e os seus discípulos jamais foram ao templo. Eles, como muitas outras pessoas, até mesmo gentios, foram apenas ao pátio do templo.
Algumas Bíblias, como a NTLH, muitas vezes usam corretamente a expressão pátio do templo. “Todos os dias, unidos, se reuniam no pátio do Templo.” (Atos 2:46a, NTLH-Br.) “E, todos os dias, no pátio do Templo...” (Atos 5:42, NTLH-Br.) Então, está muito claro que eles não foram ao templo para realizarem nenhuma reunião litúrgica ritualística como acontece hoje em dia nas igrejas (templos). Eles sabiam que não existia um lugar específico para cultuar a Deus, conforme Jesus havia ensinado. (João 4.20-24.) Na verdade, eles iam ao pátio, num local chamado alpendre ou pórtico de Salomão, uma cobertura apoiada em grandes colunas. [200] Isso ficou claro em João 10:23; Atos 3:11; 5:12.
Na verdade, era chamado de templo de Jerusalém toda uma área sagrada, incluindo todas as construções, as galerias, os pórticos, os pátios (pátio dos homens de Israel, pátio das mulheres, e pátio dos sacerdotes), que pertenciam ao templo. Todavia, templo de fato era o edifício sagrado propriamente dito, consistindo de duas partes, o “santuário” ou “Santo Lugar”. [201]
Nesses textos citados, temos uma figura de linguagem, que é a sinédoque, uma espécie de metonímia, quando uma palavra que significa o todo e substituída por outra que significa uma parte e vice-versa. [202] Por exemplo: podemos ir até o portão da casa do senhor João e dizer: “fui à casa do senhor João.” E nesse sentido que Jesus e seus discípulos iam ao templo.
Hoje, não temos que ir a nenhum templo para realizar rituais. Nós somos o templo. Veremos isso com mais clareza em estudos posteriores.
Jesus e as sinagogas

Muitas pessoas consideram que as igrejas templo são semelhantes às sinagogas judaicas. Sim, são semelhantes, mas Jesus não mandou criar locais para reuniões cheias de rituais e liturgias.
Jesus pregou o seu evangelho nas sinagogas de Nazaré, Cafarnaum, Nazaré, dentre outras. (Mateus 12:9; 13:54; Marcos 1:21; 3:1; 6:2; Lucas 4:16; 6,6; João 6:59.) Paulo também pregou o evangelho nas sinagogas dos judeus em Damasco, Salamina, Antioquia da Pisídia, Icônio, Tessalônica, Bereia, Atenas, Corinto e Éfeso (Atos 9.20; 13.5; 13.14; 14:1; 17:1; 17.10; 17.16; 18:4; 18.19; 19:8.) Muitas pessoas poderão dizer que se Jesus e Paulo estiveram nas sinagogas, que eram locais dos cultos públicos judaicos, então, nós também devemos fazer o mesmo.
Mas preste atenção: eles não foram nesses locais para realizarem nenhum ritual. Foram para pregarem o evangelho. Parece estranho ver Jesus e Paulo pregando o evangelho nas sinagogas dos judeus. Mas não é não. A questão é que os dirigentes das sinagogas permitiam os outros judeus falarem nas reuniões, expondo as escrituras. [203] Jesus e Paulo aproveitaram essa oportunidade para pregarem o reino de Deus para eles.
Quando Jesus enviou seus discípulos para anunciarem o evangelho, disse: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mateus 10:6, ARC-Br.) Os israelitas ou judeus, aqui chamados de casa de Israel, tinham seu templo e suas sinagogas, praticavam seus rituais, eram bastante religiosos, mas praticavam muitas barbaridades que não combinavam com o evangelho. Por isso, Jesus precisava, antes de tudo, mostrar uma nova vida para o eu povo. Então, eles iam onde os judeus estavam.
Como já disse, arrumar um local para a igreja se reunir não é nenhum problema. O problema é que será feito nas reuniões. Os judeus se reunião aos sábados para ofertar, orar, e escutar leituras e exposições das escrituras. Mas muitas igrejas vão muito além disso e estão promovendo um monte de obras de religiosidades que não tem nada a ver com o verdadeiro evangelho. Isso precisa ser mudado. [204]
Jesus se reunia com seus discípulos em todo lugar

Hoje em dia, diversas pessoas não conseguem pregar o evangelho desvinculado de uma igreja templo. Não conseguem admitir, em hipótese alguma, que alguém possa ser cristão sem as liturgias praticadas em um lugar sagrado.
De acordo com os evangelhos, podemos ver que Jesus se reunia com os seus discípulos em qualquer lugar: nas casas, no monte, no barco, na praia, no pátio do templo, aquele reconstruído por Herodes, etc. (Mateus 8:14; 5:1; 8:23; 13:2; 26:55, etc.) Instruindo os seus discípulos, ele nunca disse que deveríamos sair pelo mundo construindo templos.
Num monte, ele ensinou sobre as bem-aventuranças, sobre o cumprimento da lei, sobre adultério, juramentos, pena de talião, amor aos inimigos, prática da justiça, oração, jejum, tesouros no céu, a luz e as trevas, os dois senhores, ansiedade, julgamento, o pedir a Deus as coisas, os dois caminhos, os falsos profetas e os dois fundamentos. (Mateus 5; 6; 7.)
Em Mateus 24 e 25 vemos Jesus ele falou com os seus discípulos sobre diversos acontecimentos a respeito de Jerusalém e do fim dos tempos. Onde eles estavam? No monte.
Jesus chamou os seus seguidores de igreja. Essa palavra vem do grego εκκλησια (ekklesia) e quer dizer um encontro de cidadãos chamados para fora de suas casas em algum lugar público. [205] A igreja é para ser testemunho vida de Cristo em toda parte. Seja, pois igreja ambulante. Não fique plantado num templo achando que existem rituais a serem praticados lá. Seja um templo vivo.
Jesus mostrou que o soberano Deus pode ser buscado em qualquer lugar

Onde devemos buscar o soberano Deus? Será que existe um lugar específico? Vamos em busca da resposta.
Certa vez, uma mulher samaritana perguntou a Jesus: “’Os nossos antepassados adoravam a Deus neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde devemos adorá-lo.’
Jesus disse: ‘Mulher, creia no que eu digo: chegará o tempo em que ninguém vai adorar a Deus nem neste monte nem em Jerusalém. Vocês, samaritanos, não sabem o que adoram, mas nós sabemos o que adoramos porque a salvação vem dos judeus. Mas virá o tempo, e, de fato, já chegou, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade. Pois são esses que o Pai quer que o adorem. Deus é Espírito, e por isso os que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade.’” (João 4.20-24, NTLH-Br.)
Ele nos mostrou que Deus é Espírito e que podemos buscá-lo em qualquer lugar. Quem nasce do Espírito adora a Deus em espírito, isso é, em qualquer lugar, sem depender de lugares e horas determinadas ou qualquer outra coisa tangível.
Jesus buscou a Deus nos montes. Por exemplo: “E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.” (Mateus 14:23, ARC-Br.) Confira também Marcos 6:46; Lucas 6:12; 9:28.
Em outra ocasião, ele ensinou a orar trancados em nosso quarto, dizendo: “Mas você, quando orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que não pode ser visto. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa. (Mateus 6:6, NTLH-Br.)
Ele disse também que o reino de Deus não está aqui ou acolá: ele está dentro de cada um. (Lucas 17.21.) Sendo assim, a igreja não tem endereço determinado. O reino de Deus, a igreja, está onde você está. A igreja de Cristo não é fixa, mas itinerante. Entenda isso.
Jesus não convidava ninguém para ir numa igreja templo

Quando as pessoas de hoje pregam o evangelho, é comum ouvir delas um convite para as pessoas irem nesse ou naquele lugar. Não está errado ir alí ou acolá para aprender mais de deus e para ter um ambiente de confraternização. Mas diversas pessoas estão se reunindo para fazerem muitas coisas que Jesus e os apóstolos nunca determinaram.
Quando Jesus convidou os seus primeiros discípulos para segui-lo, ele não os chamou para frequentar um lugar determinado com cultos em horários fixos, como diversas pessoas estão fazendo. Não, ele os chamou para uma nova vida em qualquer lugar que fossem. (Mateus 4.18-22.) Não queria ver pessoas como aquelas palmeiras da praia, balançando, mas imóveis, plantadas num único lugar. Queria que todos pudessem ser levados pelo vento do Espírito. Não era mais tempo de ser como as palmeiras e como os cedros dos montes Líbanos. Não era mais para ficarem plantados na casa do Senhor, florescendo nos átrios do templo, como dizia o salmista. (Salmo 92.12-13 ou 91.13-14 conforme a versão.) Não era para eles irem para uma igreja, mas para serem igreja.
Ele disse mais: “Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.” (Mateus 5.14-16, NTLH-Br.)
Isso quer dizer que devemos ser um exemplo de cristão em qualquer lugar. Precisamos ser como o sal, fazendo com que todos sintam o sabor da vida. Ele não nos mandou para dentro de quatro paredes para ficarmos dando espetáculos carregados de uma aparente santidade e, depois dos cultos “abençoados”, sair por aí dando péssimos exemplos, fazendo as pessoas acharem que o evangelho é mais uma religião insípida e sem graça. Não! Nossa missão é ser tempero e luz em todo lugar. Não adianta nada tantas “glórias a Deus”, “aleluias”, palmas e danças, se depois, no dia a dia, a pessoa não é uma igreja ambulante, levando vida a todos. Não adianta ser uma luz artificial escondida lá dentro da igreja-templo, algumas horas por semana. Temos que brilhar sempre, cá fora. Sejamos, pois, uma igreja viva em toda parte. Podemos sim, nos reunirmos periodicamente em algum lugar. Mas isso precisa ser apenas um detalhe, pois temos que ser igreja aqui e em toda a parte, agora e sempre.
Os milagres com endereço e hora marcados

Hoje em dia, muitas igrejas estão falando de curas. Entretanto, a cura que diversas pessoas propagam têm endereço e hora marcados. Será que isso é bíblico?
Jesus disse para os seus discípulos irem e curar os enfermos, ressuscitar os mortos, limpar os leprosos e expulsar os demônios. Eles estavam recebendo o dom de fazer tudo aquilo de graça, portanto, também devam fazer tudo isso de graça. (Mateus 10:7-8; Lucas 10:9.)
A Bíblia fala da existência de dons de curar. (1Coríntios 12:9; 12:28; 12:30.) No entanto, olhando para certas igrejas, parece que o dom foi dado para a instituição religiosa e não para certas pessoas. Em certas igrejas, qualquer líder de uma igreja locar daquela instituição é tido como alguém capacitado parar curar.
Sabe qual é uma das diferenças entre os milagres realizados por Jesus e seus discípulos e os milagres ministrados em muitas igrejas de hoje? Jesus e seus discípulos, de acordo com as necessidades das pessoas que encontravam pela frente, realizavam seus prodígios em qualquer lugar e hora. “Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os que eram dominados pelo Diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10.38b, NTLH-Br.) “Os discípulos então saíram de viagem e andaram por todos os povoados, anunciando o evangelho e curando doentes por toda parte.” (Lucas 9:6, NTLH-Br.) Entretanto, muitas igrejas institucionalizadas têm endereço e hora marcada para realizar seus milagres ou supostos milagres. Eles faziam tudo de graça. Muitas igrejas querem altas ofertas. Eles realizavam milagres instantâneos. Muitas igrejas criam correntes de vários dias. Eles faziam curas por amor. Muitas pessoas estão promovendo campanhas de curas para fazerem proselitismo.
Jesus ensinou a igreja a ir a toda parte. Não mandou ninguém ficar estacionado num endereço aguardando o povo vir em busca de campanhas, correntes e misticismos. É por isso que você encontra Jesus, e depois, os apóstolos realizando maravilhas em todo lugar, independente de campanhas agendadas e outras coisas. É assim que devemos ser. Se você tem o dom de curar, vá até onde o doente está. Não o espere dentro de quatro paredes.
A indiferença dos religiosos do templo

É comum ver pessoas bastante religiosas, que sempre estão no templo praticando todos os rituais, procurando seguir a liturgia à risca. No entanto, essas pessoas não se preocupam com o que é realmente mais importante: o amor ao próximo. Fazem obras de religiosidade que Jesus não mandou fazer, e não praticam as boas obras de amor. Isso ainda é uma realidade.
Na parábola do bom samaritano, Jesus mostrou que as pessoas que vivem atarefadas com suas obras religiosas dentro dos templos nem sempre se importam com os necessitados que estão caídos pelo caminho. O sacerdote e o levita, duas importantes figuras da religião templária dos israelitas, não se preocuparam com o homem caído e ferido. Desviaram-se dele. (Lucas 10.25-37.) Assim são diversas pessoas religiosos de hoje. Deixam de fazer a vontade de Deus nas ruas e acham que poderão agradá-lo dentro de recintos fechados.
Os escribas e fariseus, por exemplo, se preocupavam com os mínimos detalhes na prática do dízimo, mas desprezavam o que era mais importante: a justiça, a misericórdia, a fé, o amor. (Mateus 23:23; Lucas 11:42.)
Vemos muitas igrejas onde se praticam um monte de rituais religiosos que nunca foram instituídos por Jesus. Ele não estabeleceu nenhuma obra de religiosidade para ser praticada. Todos os rituais religiosos das igrejas foram inventados pelos homens ao longo dos séculos, como veremos em e-books sobre rituais religiosos. As obras ensinadas por Jesus e seus primeiros seguidores foram as boas obras de amor ao próximo, que muito têm deixado de lado. (Mateus 5:16; 16:27; 10:42; 19:21; 25:31-46; Lucas 6:27; 6:35; 6:38; 10:30-37; João 5:28-29; Atos 10:38; Romanos 2:5-10; 12:17; 12:20-21; 2Coríntios 5:10; 13:7; Gálatas 6:9-10; Efésios 2:10; 6:8; 1Tessalonicenses 5:15; 2Tessalonicenses 3:13; 1Timóteo 2:10; 5:10; 6:18-19; Tito 2:6-7; 2:14; 3:8; 3:14; Hebreus 10:24; 13:16; Tiago 1:27; 2:14-18; 2:19-20; 2:26; 4:17; 1Pedro 1:17; 2:12; 2:20; 3:11; 3:17; 4:19; 1João 3:17-18; 3João 1:11; Apocalipse 2:23; 22:12, etc.)
A maioria dos religiosos das igrejas modernas estão indo para as igrejas templos, passando de largo diante dos necessitados. Não podem perder tempo com pessoas carentes. Não podem perder tempo para não perderem a liturgia inventada. Precisam estar nos templos, limpos, bem arrumados, cheirosos nos palcos religiosos.
A religião pura e sem mácula para com o nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se incontaminado do mundo. (Tiago 1:27, NAA2017.) Pelo menos no Brasil, as nossas viúvas não são tão carentes como antigamente. Mas existem muitas outras pessoas carentes hoje em dia. O verbo grego επισκεπτομαι (episkeptomai) que traduziram simplesmente por visitar, esse tem um sentido mais profundo. Significa examinar, inspecionar como a pessoa se encontra para poder ajudar, cuidar, prover alguma necessidade. [206]Não se trata de uma mera visita pra jogar conversa fora. O que a Bíblia está falando, de fato, é que devemos cuidar das pessoas necessitadas.
Muitas pessoas, além de não ajudar, ainda exploram o pobre. Os escribas hipócritas do tempo de Jesus, por exemplo, exploravam as viúvas e depois, querendo aparecer como pessoas santas, faziam longas orações. (Marcos 12:40; Lucas 20:47.) Muitas vezes o mesmo hoje em dia. São apenas religiosos com muito afinco.
A maioria das obras das igrejas templos são invenções humanas. Precisamos realizar a verdadeira obra que está lá fora. Por isso fomos chamados para fora. Não sejamos indiferentes como aqueles religiosos da parábola de Jesus.
O soberano Deus não habita em templos construídos por mãos humanas

Muitas pessoas estão dizendo que a igreja é a casa do Senhor, a casa de Deus. Será que isso está correto? Será que uma igreja templo, feita de tijolos, pedras, cimento, madeira e outros materiais, será que pode ser chamada de casa de soberano Deus, mesmo sendo um edifício dos mais sofisticados? Será que ele pode morar numa casa feita por mãos humanas?
Para o povo de Israel, o tabernáculo e, mais tarde, o templo de Jerusalém eram tratados como casa de Deus. Por isso, a expressão casa do Senhor (no hebraico, casa de Jeová) aparece na Bíblia mais de duzentas vezes, e a expressão Casa de Deus, mais de oitenta vezes.
O salmista declamou: “Bendito seja, desde Sião, o SENHOR, que habita em Jerusalém. Louvai ao SENHOR!” (Salmos 135:21, RC ou 134.21, de acordo com algumas versões.) “SENHOR, eu tenho amado a habitação da tua casa e o lugar onde permanece a tua glória.” (Salmos 26:8, RC ou 25.8, de acordo com algumas versões.)
Mas será que esse Deus realmente precisa de uma casa para morar?
A construção do templo de Jerusalém foi permitida pelo eterno Deus. (2 Samuel 7;1 Crônicas 28.) Mas Salomão admitiu, dizendo: “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que o céu, e até o céu dos céus, não te podem conter; quanto menos esta casa que edifiquei!” (1 Reis 8:27, AA-Br.) “Mas quem é capaz de lhe edificar uma casa, visto que o céu e até o céu dos céus o não podem conter? E quem sou eu, para lhe edificar uma casa, a não ser para queimar incenso perante ele?” (2 Crônicas 2:6, AA-Br.)
A Bíblia diz: “Davi recebeu a aprovação de Deus e pediu licença para construir uma casa para o Deus de Jacó. Mas foi Salomão quem construiu a casa de Deus. Porém o Altíssimo não mora em casas construídas por seres humanos. Como disse o profeta: ‘O céu é o meu trono, diz o Senhor, e a terra é o estrado onde descanso os meus pés. Que tipo de casa vocês poderiam construir para mim? Como conseguiriam construir um lugar onde eu pudesse morar? Por acaso não fui eu quem fez todas as coisas?’” (Atos 7.46-50, NTLH-Br.)
Paulo, falando com os atenienses, que tinham seus deuses, seus templos e seus altares, disse: “Deus, que fez o mundo e tudo o que nele existe, é o Senhor do céu e da terra e não mora em templos feitos por seres humanos. E também não precisa que façam nada por ele, pois é ele mesmo quem dá a todos vida, respiração e tudo mais. (Atos 17.24-25, NTLH-Br.)
Arrumar um lugar para realizar encontros de louvor ao soberano Deus, para estudos e para obras de amor ao próximo e confraternização é importante. Mas nunca, jamais esse lugar poderá ser chamado de casa de Deus, pois ele não habita em templos feitos por mãos humanas. Nesse lugar, não pode ser realizado rituais, pois a igreja de Jesus não está neste mundo para realizar rituais, mas para ser testemunha dele. Ali não pode ter objetos sagrados, fetiches e coisas parecidas.
Alguns vão citar alguns textos bíblicos do Novo Testamento que falam de casa de Deus. (Tito 1:7; 1 Timóteo 3:15; Hebreus 10:21; 1 Pedro 4:17.) Mas esses textos não provam que os primeiros cristãos tinham templos chamados de “casa de Deus.” No primeiro versículo, no texto original grego não se encontra a palavra casa. Em várias traduções da Bíblia essa palavra foi colocada nesse versículo. Nos outros três, encontramos a palavra grega οικος oikos, que pode ser traduzida como casa, ocupantes de uma casa, linhagem, família, descendentes de alguém. [207] Então, claro, o texto não está falando de igreja templo, da igreja como família de Deus.
Um lugar para reuniões cristãs é apenas um acessório, não uma exigência ou imposição. Qualquer pessoa pode louvar, estudar e realizar obras de amor e confraternização sem ter uma espécie de igreja templo. Tudo isso pode ser feito em qualquer outro lugar, até mesmo nas casas de uns e outros. Um lugar especial para os encontros de cristãos é importante, mas não é necessário.
O soberano Deus não precisa de templos feitos por mãos humanas

Nas diversas culturas antigas, as pessoas construíam templo para prestarem cultos aos seus deuses. [208] Mas observando a história bíblica antes de Moisés, percebemos que aqueles que adoravam o único eterno Deus não tinham templos.
Na época de Moisés, cerca de 1500 anos antes de Cristo, [209] Moisés, sob orientações desse Deus, mandou construir um santuário, onde, de certa forma, o Deus todo-poderoso se manifestava no meio do povo de Israel. (Êxodo 25.8; 29.45; Atos 7:44-46.)
No século X antes de Cristo, por volta do ano 966, o rei Salomão construiu um templo imóvel para o eterno Deus, em Jerusalém, a fim de substituir o santuário portátil em forma de tenda. [210] (1 Reis 6; Atos 7:47) Mas no século VI antes de Cristo, na época do reinado de Zedequias, o exército do rei Nabucodonosor da Babilônia atacou Jerusalém. (2 Reis 25. 1-16.) O mesmo Deus permitiu que isso acontecesse para punir o povo de Israel por causa de seus pecados, como havia profetizado o profeta Jeremias. [211]
Ainda no século VI antes de Cristo, O Império Persa venceu o Império da Babilônia. Dessa forma, o território que antes era Reino de Israel e que estava sob o domínio da Babilônia passou para esse novo Império. E o povo, mesmo não tendo sua nação de volta, ganhou a liberdade para poder voltar para Jerusalém e reconstruir o antigo templo. A sua reconstrução foi feita por Zorobabel, que na época era o governador de Judá. (Esdras 3 e 6; Ageu 1 e 2.) Esse foi o segundo templo. Mas ele foi mais uma vez saqueado e profanado por Antíoco Epífanes da Síria e depois pelo general Pompeu do Império Romano. [212]
No século primeiro antes de Cristo, o rei Herodes iniciou a reconstrução do templo de Jerusalém com muito esplendor. [213] Esse era o templo da época de Jesus.
Várias pessoas estavam em Jerusalém, no pátio do templo reconstruído por Herodes. “Algumas pessoas estavam falando de como o Templo era enfeitado com bonitas pedras e com as coisas que tinham sido dadas como ofertas. Então Jesus disse: ‘Chegará o dia em que tudo isso que vocês estão vendo será destruído. E não ficará uma pedra em cima da outra.’” (Lucas 21.5-6, NTLH-Br.) “Jesus saiu do pátio do Templo, e, quando já estava indo embora, os seus discípulos chegaram perto dele e chamaram a sua atenção para os edifícios do Templo. Então ele disse: ‘Vocês estão vendo tudo isso? Pois eu afirmo a vocês que isto é verdade: aqui não ficará uma pedra em cima da outra; tudo será destruído!’” (Mateus 24.1-2, NTLH. Confira Marcos 13.1-2.)
É claro que o soberano Deus não morava no templo de Herodes. Por isso, ele também foi destruído. Não ficou pedra sobre pedra. No ano 70, a profecia de Jesus se cumpriu, e o templo foi destruído pelo imperador romano Tito Flávio Vespasiano. [214], [215], [216]
Você deve estar pensando: “Por que o todo-poderoso Deus não impediu que pessoas profanassem e destruíssem o seu templo?” A verdade é que ele não precisa de nenhum templo. A Bíblia declara que “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: ‘O céu é meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do meu repouso?’” (Atos 7:48-49, AA-Br.) “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.” (Atos 17:24, AA-Br.)
O tabernáculo e o templo de Jerusalém foram permitidos pelo soberano Deus, de acordo com leis temporárias ou transitórias sobre o culto religioso. Mas eram apenas sombras das coisas futuras. (Hebreus 10:1;) O santuário e o templo com todas as cerimônias religiosas lá praticadas eram apenas uma ilustração para os nossos dias. (Hebreus 9:9.) Há uma realidade muito mais sublime, muito mais encantadora que os mais suntuosos templos.
O soberano Deus não está restrito em nenhum lugar

Para quem estiver lendo em outro idioma, as palavras da imagem são as seguintes: “Soberano Deus.”
Quando digo que o eterno Deus é um Deus próximo, não quero dizer que ele está naquele templo mais próximo de sua casa. Não! Ele está exatamente onde você está.
Quando pessoas fazem esculturas para representarem os seus deuses, essas imagens são colocadas em templos. Ali elas ficam imóveis e presas, pois são meros objetos sagrados. E muitas pessoas vão até lá, onde elas estão. Ali realizam diversos rituais para elas, pois acreditam que elas precisavam de suas oferendas. Essa é uma prática religiosa muito antiga.[217] [218] [219]
O soberano Deus não está preso num templo: ele está nos céus. (Mateus 5.16, 45, 48; 6.1, 9, 14, 26, 32, etc.) Mas assim como o sol que está lá em cima, mas por meio da sua luz, está presente em muitos lugares ao mesmo tempo, assim o Eterno Deus, através do seu Espírito está em tudo e em todos os lugares. Por isso ele é, ao mesmo tempo, transcendente, imanente e onipresente. (Salmos 139:7-8, NVI ou 138.7-8; Amós 9:2; Jó 26:6; Provérbios 15:11.)
Você não precisa procurar esse Deus em um endereço específico. Ele não mora em nenhum lugar determinado deste mundo. Como já vimos noutros estudos, os hebreus tinham um lugar certo para o culto religioso. Era o lugar onde era armado o tabernáculo e, mais tarde, o templo de Jerusalém. (Deuteronômio 12:4-7, 11-14, 17-18, 26-27; 14:23-26; 15:19-20; 16:2-8, 13-17; 18:6-8; 26:2; 31:11.) Mas fomos libertas das leis ritualísticas, por isso, hoje, não precisamos ir a nenhum lugar específico para buscar o grande Deus.
Talvez não exista um templo religioso nas proximidades onde mora. Quem sabe existe, mas por algum motivo, você não pode ir até lá. Não importa: o Deus que anuncio não está limitado em nenhum lugar do Universo. Você é livre para adorar o todo-poderoso Deus onde quiser, mas saiba que ele não está restrito em nenhum lugar. Ele não está apenas naquela rua, naquela praça, naquela construção: ele está onde você está.
O soberano Deus habitou em Jesus Cristo

Muitas pessoas, desde os tempos antigos, vão aos templos realizar cerimônias religiosas. Mas precisamos mesmo é ser templos. Devemos ser santuário, onde ele, por meio do seu Espírito, possa habitar.
Diz a Bíblia que o profeta João Batista viu algo espantoso. Os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre Jesus. (Mateus 3:16; Marcos 1:10; Lucas 3:22; João 1:32.)
Jesus foi chamado de Cristo, do grego Χριστός (Christos), que quer dizer ungido. [220] Mas ele não foi ungido com óleo, mas com o Espírito do eterno Deus. Ele “ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder.” (Atos 10:38a, NVI-Br)
Certa vez, Jesus leu o profeta Isaias, onde diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu...” (Lucas 4:18a, NVI-Br) E declarou que tinha se cumprido aquilo que a Escritura estava dizendo por meio do profeta Isaías. ((Lucas 4:17-21.)
Várias vezes Jesus se apresentou como um enviado do eterno Deus, que sempre chamou de Pai. (João 5:37; 6:44, etc.) Então disse: “Aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só.” (João 8:29a, AA-Br.) “Eu e o Pai somos um." (João 10:30, AA-Br.) “O Pai está em mim e eu no Pai.” (João 10:38, AA-Br.) “Quem me viu a mim, viu o Pai.” (João 14:9c, AA-Br.) “O Pai, que permanece em mim, é quem faz as suas obras.” (João 14:10b, AA-Br.) “Crede-me que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim.” (João 14:11, AA-Br.) Orando ao Pai, disse: “Tu estás em mim e eu em ti.” (João 17:21b, AA-Br.) “Nós somos um.” (João 17:22b, AA-Br.) E a Bíblia declara que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Colossenses 2:9, AA-Br.)
Jesus um dia falou: “Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo.” (Mateus 12:6, AA-Br.) Ele considerou o seu corpo como templo. Outra vez disse: “’Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias.’ Os judeus responderam: Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo em três dias?’ Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo. Depois que ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que ele tinha dito. Então creram na Escritura e na palavra que Jesus dissera.” (João 2:19-22, NVI-Br)
Jesus foi, então, um templo vivo do soberano Deus. Isso mostra que o invisível Deus não precisa de templos construídos com pedras, madeira, pedras, cimento, tijolos, vidros e materiais
A promessa do Espírito não foi apenas para aqueles seguidores judeus da época de Jesus, mas para todos os povos. (Atos 8:14-17; 10:44-45; 11:15; Gálatas 3:14.) A profecia disse que esse Deus derramaria seu espírito sobre toda a humanidade. (Atos 2:17.) Seja cheio dessa unção do alto.
O soberano Deus quer habitar em nós

O tabernáculo construído pelos hebreus exclusivamente para a adoração ao Todo-poderoso foi chamado de santuário. (Êxodo 25:8; Hebreus 9:1.) Ali havia dois compartimentos: um lugar santo e um lugar santíssimo. (Hebreus 9:2-3.)
O monte Sião, antes chamado de monte Moriá, onde foi construído o templo com o santuário também foi, por causa disso, chamado de santo monte. (2 Crônicas 3:1; Salmos 30:4; 2 Pedro 1:18.)
O céu, não exatamente esse firmamento azul, mas a dimensão divina, está separado deste mundo, por isso, foi chamado de santuário não feito por mãos humanas. (Hebreus 8:.2; 9:11, 24.) O santuário construído por Moisés é uma é figura e sombra das coisas celestiais. (Hebreus 8:5.)
O trono do soberano Deus está nos céus. (Salmos 11.4, ou 10.4.) Por isso, Jesus o chamou de Pai, que está nos céus ou Pai celestial. (Mateus 5.16, 45, 48; 6.1, 9, 14, 26, 32; 7.11, 21; 10.32, 33; 12.50; 15.13; 16.17; 18.10, 14, 19, 35; 23.9; Lucas 11.13.) Aqui na terra, ele, na verdade, não precisa de nenhum santuário. (Atos 7:48; 17:24.) Todavia, ele quer outro tipo de santuário: o nosso corpo santificado. Somos edifícios dele. (1 Coríntios 3.9.)
Falando da santidade do nosso corpo que precisa ser templo para esse Deus, a Bíblia exorta: “Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: ‘Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo’. Portanto, ‘saiam do meio deles e separem-se’, diz o Senhor. ‘Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas’, diz o Senhor Todo-poderoso.” (2 Coríntios 6.16b-18, NVI-Br)
Depois de falar sobre diversos pecados (1 Coríntios 6:9-18.) diz: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?” (1 Coríntios 6:19, NVI-Br [221]) "E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês, estando vocês enraizados e alicerçados em amor." (Efésios 3:17, NAA2017.)
“Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; pois o santuário de Deus, que são vocês, é sagrado.” (1 Coríntios 3:16-17, NVI-Br)
Tiago, referindo-se ao soberano Deus, fala do Espírito que ele fez habitar em nós. (Tiago 4:5.)
“Quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual.” (1 Pedro 2:5a, AA-Br.) “Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: ‘Sede santos, porque eu sou santo.’” (1 Pedro 1:15-16, ARC-Br.) Seja, então, um santuário vivo.
Jesus não mandou construir templos

Quando vemos igrejas templos por todos os lados, construídas em vários tamanhos e formatos, com materiais simples ou com elementos dos mais caros, fica a pergunta: “Onde Jesus mandou fazer tudo isso?” Na verdade, ele nunca deu esse mandamento. Devemos respeitar todas as igrejas templos idealizadas pelos homens, desde as mais suntuosas como as mais simples. Mas precisamos entender que Jesus não deixou nenhum mandamento para construirmos templos.
Hoje em dia, é dado uma grande importância à igreja templo, como se ela fosse necessária para a salvação das pessoas. Quem não frequenta um templo eclesiástico é tratado, pejorativamente, como um desviado ou como um desigrejado. Entendem que para ser igreja de Cristo a pessoa precisa ir à igreja de tijolos e cimento.
No mundo, as pessoas se relacionam em todos os lugares. Mas para diversas pessoas, o relacionamento cristão só é possível acontecer dentro de uma igreja templo. Na verdade, o verdadeiro relacionamento fraterno proposto pela Bíblia para os cristãos não tem acontecido nem mesmo nesses lugares, que são basicamente ambientes litúrgicos e ritualísticos.
Jesus nunca mandou seus discípulos construírem templo. Ele ordenou: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” (Mateus 28:19-20, NAA2017.) “Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra. (Atos 1:8, NAA2017.) Observe que não existe nenhuma ordem para construção de templos.
É claro que para cumprir com a missão que Jesus nos deu, podemos fazer muitas coisas que ele não mandou fazer. Por exemplo, ele não mandou usar a Internet para pregar o evangelho, mas eu estou fazendo isso. No entanto, não podemos impor como necessidade aquilo que fazemos, mesmo sendo algo conveniente. Isso quer dizer que podemos, sim, construir ou alugar ambientes para que os cristãos possam se reunir, desde que esses lugares não sejam usados para fazer coisas que Jesus não mandou praticar como tantos rituais e liturgias que não passam de meras obras de religiosidade.
Os locais construídos ou alugados para encontros dos cristãos, mesmo sendo importantes, não podem ser tratados como locais necessários para que a pessoa possa ser cristã de verdade. Conheço diversas pessoas que são cristãos da melhor qualidade e não frequentam igrejas edifícios.
Vamos ser sinceros. Se você se sente bem frequentando aquele local de reuniões. Se acha que dá para ser um cristão de verdade com os outros irmãos dentro desse ou daquele lugar, então continue lá. Se acha que pode ser uma verdadeira testemunha de Cristo em qualquer outro lugar, então continue. O que não podemos é fingir ser um cristão ser de fato.
Os primeiros cristãos não tinham templos

Eu sei que diversas pessoas vão dizer que não dá para ser igreja sem estar filiado a uma igreja institucionalizada e sem frequentar uma igreja de cimento e tijolos. Para diversas pessoas, para ser cristão, é estritamente necessário se tornar membro de uma igreja do sistema religioso, passando a ser um assíduo frequentador das reuniões dentro de quatro paredes de uma local chamado de igreja.
Acontece que os primeiros cristãos eram cristãos de verdade, e eles não tinham igrejas templos. Isso mesmo. Nos primeiros séculos, os cristãos não se reuniam em nenhuma casa do Senhor, mas se encontravam nas casas dos irmãos como: casa de Maria, casa de Lídia, casa de Áquila, casa de Jasão e em muitas outras. O máximo que eles fizeram, como já vimos, foi se encontrarem no pátio do templo de Jerusalém, que foi destruído [222], [223], [224] e jamais edificado pelos cristãos.
Depois da pregação de Pedro e João, e quase cinco mil pessoas creram. (Atos 4:4.) Se fosse hoje, o pregador iria recolher ofertas para construir uma igreja com a capacidade para mais de 5 mil pessoas. Mas eles não fizeram isso. Mas alguém pode achar que não fizeram isso porque tinham o templo de Jerusalém. Mas aquele templo era dos judeus e não da igreja. Eles apenas iam até o pátio do templo. No templo propriamente dito, que era o lugar santo e o lugar santíssimo, somente entravam sacerdotes. (Hebreus 9:1-6.)
No dia de Pentecostes, em Jerusalém, estavam pessoas de várias partes. (Atos 2:5-13.) Pedro pregou o evangelho para eles. (Atos 2:14-40.) E quase três mil pessoas aceitaram a palavra de Pedro foram batizadas. (Atos 2:41.) Então você acha que mandaram construir uma igreja com a capacidade para milhares de pessoas? Não! Alugaram um ambiente espaçoso? Não! Já vimos que eles podiam entrar no pátio do templo de Jerusalém, mas que não podiam entrar no templo propriamente dito.
O templo de Jerusalém era um ambiente consagrado para a realização de uma série de rituais. Mas os cristãos não tinham mais rituais para praticarem. Estão livres das obras religiosas da lei que são ineficazes. (Romanos 3:20; 3:28; 6:14; 7:4; 7:6; 10:4; 11:6; Gálatas 2:16; 2:19; 2:21; 3:2; 3:5; 3:10-11; 3:13; 4:5; 5:4; 5:18; Efésios 2:8-9; 2:13-15; Colossenses 2:13-14; 2:16-17; 2 Timóteo 1:9; Tito 3:5.) Por isso, eles não tinham templos. Eles se encontravam em qualquer lugar apenas para compartilharem a nova vida cristã.
Eles viviam em pequenos grupos, geralmente nos lares, formando pequenos núcleos de confraternização. Os onze apóstolos com algumas mulheres e os irmãos de Jesus se reuniram numa sala de jantar (cenáculo). (Atos 1:13.) Eles se reuniam sempre no pátio do templo e nas casas. (Atos 2:46; 5:42; 5:21.) Quando Paulo ainda era perseguidor da igreja, ele procurava os cristãos que se reuniam nas casas. (Atos 8.3.) Cornélio, Pedro e outras pessoas se reuniram na casa de Cornélio. (Atos 10:24; 10:27.) Vemos Pedro indo para a casa Maria, mãe de João Marcos, onde diversas pessoas restavam reunidos em oração. (Atos 12.11-12.) Em Filipos, a igreja se reunião à beira de um rio. (Atos 16:13.) Paulo e Silas foram para a casa de Lídia e animaram os irmãos que ali estavam reunidos. (Atos16.40.) Paulo e Silas foram procurados por judeus invejosos na casa de Jasão, provável local de encontro dos cristãos. (Atos 17.5.) Em Trôade, Paulo se reuniu com a igreja à noite de sábado para domingo. (Atos 20:7-8.) Paulo, na carta enviada aos romanos e aos coríntios, mandou saudações a Priscila e ao seu marido Áquila e à igreja que se reunia na casa deles. (Romanos 16.3-5; 1Coríntios 16.19.) Quase no final da carta aos romanos, citou vários nomes que promoviam reuniões em suas casas. (Romanos 16:14-15.) Também lembrou de Ninfa e a igreja que se reunia na casa dela. (Colossenses 4.15.) Paulo escreveu uma carta para Filemon e a igreja que se reunia na casa dele. (Filemon 1:1-2.) Por causa dessas reuniões nos lares que João disse para não receber certas pessoas falsas em casa. (II João 1. 10.)
Podemos afirmar que a igreja pode se reunir nas casas e em outros locais possíveis (praças, montes, praias, Internet) em pequenos grupos, guiados por aqueles que têm o dom de ensinar. Não precisamos construir um templo em cada esquina, onde possamos viver o evangelho. Grupos menores estreitam a comunhão entre os cristãos, facilitam o conhecimento uns dos outros, desenvolvem a amizade e o amor e fazem com que o evangelho seja propagado por todos os lados de uma forma dinâmica, simples e praticamente sem nenhum custo financeiro.
Se hoje, você acha que a pessoa não é um cristão de verdade sem templo, então os primeiros cristãos não eram cristãos verdadeiros, pois não tinham igrejas templos. Mas eles foram cristãos de verdade, e nós também podemos ser verdadeiros seguidores de Cristo, em qualquer lugar. Quem não consegue ser verdadeiro discípulo sem templo, isso significa que ainda não nasceu de novo, mas ainda é um mero religioso.
Em nenhum lugar, Jesus e os primeiros cristãos aparecem celebrando um culto litúrgico carregado de rituais em um templo. Por isso, os cristãos de hoje, da mesma forma, podem se encontrar em qualquer lugar com qualquer número de fiéis. Não é preciso construir patrimônios caros e suntuosos.
Igreja nunca foi templo nos primeiros séculos

Igreja não é um templo cheio de pessoas dentro dum sistema eclesiástico. Igreja é um conjunto de pessoas que são templos cheios do Espírito Santo fora.
Hoje em dia, quando se inicia a pregação do evangelho em algum lugar, logo surge a preocupação em alugar ou construir um espaço amplo e colocar nele o nome de igreja com esse ou aquele nome. Será que isso é necessário?
Os primeiros cristãos não se preocuparam com construções religiosas chamadas de igrejas. Eles eram a igreja. Se eles eram igreja sem igrejas templos, nós também podemos ser igreja sem qualquer ambiente alugado ou construído com uma placa e uma logomarca eclesiásticas em sua fachada.
A palavra igreja foi usada no Novo Testamento para indicar os grupos de discípulos de Jesus que se reuniam aqui e acolá. Em Jerusalém, Antioquia, Corinto, Galácia, Éfeso, Filipos, Colossos, Tessalônica, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodiceia, Samaria, Damasco, Cesareia, Jope e em muitos outros lugares, a igreja de Cristo estava lá, mas não era um templo, não se via placas denominacionais em nenhuma fachada, nem torres com cruzes imponentes, tampouco sinos badalando. Não se via homens vestindo roupas especiais indicando serem líderes. A igreja era identificada pela luz do testemunho, pelos frutos do espírito.
Podemos dizer que o coletivo de discípulos de Cristo é igreja. Sendo assim, dois ou mais discípulos é uma igreja, não importa quantos, onde e quando. Em nenhum lugar, das mais de setenta vezes em que aparece no Novo Testamento, essa palavra tem o significado de igreja como uma instituição ou templo. O termo igreja vem da palavra grega enkklesía e do latim ecclesia e significa, simplesmente, do ponto de vista cristão, um grupo de seguidores dos ensinos de Jesus. Não tem nada a ver com templos, muito menos com denominações eclesiásticas. [225], [226]
Respeite as igrejas templos e as denominações eclesiásticas que existem por aí. Não podemos persegui-las e nem demonizá-las. Embora tais coisas não sejam necessárias, não quer dizer que os que lá se encontram não sejam cristãos salvos de verdade. No entanto, apenas precisamos deixar claro que tais coisas não são necessárias como estão ensinando. Aprendamos a ser igreja, acima de tudo.
As primeiras construções da igreja

Jesus não pediu pra ninguém construir nenhum altar e nenhum templo em lugar algum. Onde ele ou os seus primeiros discípulos deram instruções para a construção de qualquer tipo de lugar sagrado para realizar rituais e liturgias? Em lugar algum.
Entre os séculos 1 e 2, as pessoas se reuniam nas casas, onde realizavam cultos, estudos e a celebração da festa da ágape, onde havia uma farta alimentação, principalmente para matar a fome dos mais necessitados. (Atos 2:42-46; Romanos 16:5; 1 Coríntios 16:15; Colossenses 4:15; Filemon 1:2, etc.) [227] [228] [229]
No século 2, vários religiosos influentes, dentre eles, o filósofo e teólogo Justino e o bispo Irineu de Lyon, passaram a ensinar que o pão e o vinho, depois de consagrados, literalmente, se transformavam no corpo e no sangue de Jesus (transubstanciação) (Justino, I Apologia, Cap. 66; [230], [231] Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade. Livro 4,18; 4-5.) [232] Passaram então a considerar a presença real de Cristo na Eucaristia. [233] Por causa dessa crença, foi criada uma liturgia com pão e vinho. [234] E essa liturgia passou a ser tratada como um sacrifício. [235] E os bispos passaram a ser tratados como sacerdotes aptos para realizar esse sacrifício. [236] Diante dessas novas crenças e dessa liturgia que se iniciava, surgiu a necessidade de criar altares e templos.
No final do século II, e ainda mais tarde, as assembleias para o culto cristão ainda eram realizadas em casas particulares, nas cidades. Mas também a partir desse tempo, surgiram as domibus ecclesiae (casas da Igreja), que eram casas particulares, com uma sala ampla para a reunião da igreja. [237] [238]
Ainda no século 2, fora das cidades, anexas aos cemitérios cristãos, foram erguidas certas construções mortuárias, onde eram celebrados os ritos fúnebres, também as comemorações do aniversário dos falecidos, mas não os ofícios normais do culto divino. Santuários também foram erguidos sobre os sepulcros dos mártires, onde acontecia grande ajuntamento de pessoas. Edifícios grandes e adornados começaram a ser erguidos nesses locais. Ali eram guardadas as relíquias dos mártires, sendo, por isso, chamada de igreja das relíquias. [239]
A partir do século 3, algumas construções foram erguidas ou adaptadas para a realização desse ritual com pão e vinho. Esses locais foram chamados de Casa de Deus, Casa de Oração e, às vezes, Templo de Deus. Eles também eram conhecidos como Kyriaca, Dominica ou Oratoria. [240] Esses locais domésticos destinados ao culto geralmente eram cedidos por convertidos mais ricos, que geralmente possuíam casas mais amplas. [241]
A partir do século 4, além das igrejas das relíquias, também surgiram igrejas rurais, onde os sacerdotes iam lá periodicamente para administrar os sacramentos. [242]
Pouco se sabe sobre as construções destinadas ao culto cristão dessa época. Diferente do templo de Jerusalém e dos suntuosos templos pagãos, esses locais não se destacavam entre as construções das cidades. Por isso, esses locais não ganharam importância histórica. Mas no século IV, isso vai mudar, como veremos no estudo seguinte.
Os templos cristãos surgem com o apoio do imperador Constantino

Agora vamos ver quando surgiram as igrejas templos. Os primeiros cristãos não dependiam de locais refinados para o culto. Mas isso mudou com o templo. Vamos ver como isso aconteceu.
Como já vimos noutro estudo, no ano 70, a profecia de Jesus se cumpriu, e o templo foi destruído pelo imperador romano Tito Flávio Vespasiano. [243], [244], [245] Em todo o Império Romano, da Europa ao Oriente, todos os templos que existiam eram templos de deuses pagãos. Não existia nenhuma igreja templo. Templos do deus solar Mitra se encontravam por toda parte. [246] No século II, apologista cristão Justino Mártir (100-165) citou os mistérios celebrados para esse deus pagão. (Primeira Apologia, 66.) [247]
O mitraísmo surgiu no século I e se expandiu principalmente no século II e III. [248] No final do século III, essa religião era encontrada desde as ilhas britânicas até o oeste da China. [249], [250] Nessa religião, as pessoas frequentavam templos sombrios chamados de Mitraeum (Mithraeum ou mitreu). Esses templos ficavam sob o solo, em cavernas ou debaixo dos edifícios. [251], [252] Em Roma, havia centenas de templos dedicados ao deus Mitra. Em todo o Império e além das suas fronteiras, muitos outros foram construídos. [253] [254] [255]
No embalo do culto solar, Heliogábalo, também conhecido como Elagábalo, que reinou de 218 a 222, [256] colocou o deus Sol Invictus como divindade suprema do império. [257] Em Roma, no monte Paladino, ele construiu um templo para esse deus. [258] O imperador Aureliano (270-275) edificou outros templos, incluindo o Templo do Sol, dedicado ao Sol Invictus em 25 de dezembro de 274. [259] [260] O culto ao Sol Invicto acabou se tornando oficial. [261]
Diante dessa religiosidade solar pagã, o cristianismo era uma religião perseguida, sobrevivendo sem templos. [262] Mas no início do século IV, no ano 313, o imperador romano Constantino deu liberdade ao cristianismo, proclamando o Edito de Milão. [263] Nesse século, esse imperador deu muita atenção aos locais de culto cristão. Isso foi registrado por Eusébio de Cesaréia (265-340), que foi bispo, historiador e teólogo. (‘Vida de Constantino’ III, 25, 29-58.) [264]
Numa carta escrita para Eusébio, Constantino ordenou: “Com respeito, portanto, às igrejas que você mesmo preside, bem como aos bispos, presbíteros e diáconos de outras igrejas com as quais você está familiarizado, você admoesta a todos a serem zelosos em sua atenção para com os edifícios das igrejas, e consertar ou ampliar os que existem atualmente, ou, em caso de necessidade, construir novos.” (Vida de Constantino. Livro II, 46) [265] Isso quer dizer que aquelas casas onde existiam locais de culto conhecidos como Kyriaca, Dominica ou Oratoria, esses lugares deveriam ser reformados, ampliados e outros locais deveriam ser edificados.
Constantino, porém, não ficou apenas nisso. Ele decidiu construir templos imponentes. Ele mandou construir basílicas para servirem como templos. Em vários locais do império, igrejas templos foram construídas, e os cultos cristãos que eram feitos nas casas foram levados para lá. [266], [267] Imitando o antigo mitraísmo, ele ordenou construir no bairro nobre de Roma, conhecido como Vaticanus, um templo, onde mais tarde, sobre os mesmos alicerces, foi construída a Basílica de São Pedro. [268] Também, influenciado pela sua mãe, a imperatriz Helena, em Jerusalém, Constantino mandou edificar a Basílica do Santo Sepulcro (destruída em 1009) e a Basílica da Natividade em Belém. [269], [270], [271] Enfim, ele construiu nove igrejas em Roma e muitas outras em diversos outros lugares. [272]
Na segunda metade do século IV (em 370), segundo Optatus de Mileve, já poderia contar mais de quarenta basílicas que adornavam a cidade de Roma. ((De Cisma Donatismo. II, IV). [273]
Além desses, ele mandou construir inúmeras igrejas templos por todos os lados como em Nicomédia, Mambre, Heliópolis e outras cidades. (Vida de Constantino, III, 51-52, 58.) [274]
Com essas construções sagradas, ele acabou dando início ao costume de se reunirem em igrejas para a realização da liturgia do culto público. Constantino também deu o Palácio de Latrão de presente ao papa Melquíades, que foi transformado na Igreja de São João de Latrão. [275], [276], [277], [278]
Também no século IV, segundo algumas fontes, ainda antes de Constantino, na Armênia, segundo a tradição, após a conversão do rei Tiridates III ao cristianismo, ele teria substituído um templo pagão criando a Catedral de Echmiatsin. [279] No entanto, foi com Constantino que a ideia de templos cristãos se tornou uma realidade abrangente.
Nos períodos seguintes, muitas outras basílicas serão construídas em todo o Império Romano. [280] [281] [282]
A partir de então, a cristandade ficou dependente de desses locais. Hoje diversas pessoas acham impossível viver o evangelho sem uma igreja templo, uma ideia vinda de Constantino e não de Jesus e dos apóstolos.
Os locais escolhidos para construção de igrejas

Já falamos e repetimos que os templos do cristianismo não foram instituídos por Cristo e nem pelos apóstolos. Eles vieram de Constantino, influenciados pelas ideias do paganismo.
Um dos locais escolhidos para os templos ditos cristãos eram os espaços dos antigos templos do mitraísmo. Antes do cristianismo, como já vimos no estudo anterior, a religião predominante no Império Romano, ultrapassando as suas fronteiras, nos primeiros séculos, era o mitraísmo. Também vimos a implantação do culto ao Sol Invicto. [283], [284] [285] [286] Templos dedicados a mitra estavam por toda parte. [287] [288]
A partir do século IV, em vários locais, onde havia templos mitraicos subterrâneos, igrejas foram construídas acima, como a Catedral de São Paulo em Londres, a Catedral de Canterbury, a Basílica de São Clemente em Roma, Igreja de Santa Prisca, também em Roma, Basílica de Santo Estêvão Redondo no Monte Célio em Roma. Esses templos subterrâneos de Mitras abaixo foram transformados em criptas de igrejas cristãs. [289] [290] [291] [292] [293] Além desses, muitos outros templos de deuses pagãos foram transformados em igrejas templos. [294]
Outro local escolhido foram os locais das tumbas dos mártires. Entre os séculos II e III, os cristãos começaram a venerar os seus irmãos mortos. Ossos e objetos pessoais dos mortos começaram a ser guardados como relíquias, virando objetos sagrados. Os túmulos dos mártires eram considerados locais sagrados. [295], [296] Construir santuários em cima de tumbas era um costume pagão que afetou a cabeça dos cristãos daquela época. [297]. Por isso, muitas outras igrejas foram construídas em cima de antigas tumbas, que já eram consideradas como locais sagrados, onde jaziam corpos de santos venerados por diversas pessoas. As supostas tumbas de são Pedro, são Paulo e de Jesus foram alguns desses locais. [298]. De acordo com a tradição, onde foi construída a Basílica de São Pedro seria o local do seu sepultamento. [299], [300], [301] Em Constantinopla, construiu várias igrejas em honra aos mártires. (Vida de Constantino III, 48.) [302]
Em Jerusalém, no local do sepultamento de Jesus, ele mandou construir a Basílica do Santo Sepulcro. Nesse lugar, Nesse local, no século II, o imperador romano Adriano (117-138) havia mandado erigir um santuário de dedicado à deusa Vênus. No século IV, Constantino então mandou remover tudo relacionado ao templo de Vênus, até mesmo a terra, construindo a basílica no lugar. [303] O historiador Eusébio de Cesaréia (265-340) relata essa construção com muitos detalhes. (Vida de Constantino, III, 25-40.) [304]
Essas igrejas construídas em homenagem aos mártires acabaram abrindo um precedente para a idolatria. Essas igrejas templos eram adornadas com mosaicos, esculturas e estátuas caras. [305] Santo Agostinho (falecido em 430) refere-se várias vezes a imagens de Nosso Senhor e dos santos nas igrejas e que algumas pessoas até a adoravam. São Jerônimo (m. 420) também escreve sobre as imagens dos apóstolos como ornamentos bem conhecidos de igrejas. [306] Assim, além de construírem templos, também desenvolveram uma idolatria que está aí até hoje.
Constantino, do jeito que ele entendia a fé cristã, ajudou com todos esses projetos. Mas precisamos ir além, no evangelho original, buscar o verdadeiro evangelho, pois as obras de Constantino não foram tão boas para a igreja como parecem.
As igrejas da arquitetura basilicano

Planta de uma basílica romana. Data: abril 2021. Autoria: Maralvestos. Derivada da obra de Lusitana + Romaine. Fonte: Wikipedia. Licença: CC BY-SA.
Para quem estiver lendo em outro idioma, as palavras da imagem são as seguintes: “Abside com plataforma elevada, cadeira e altar. Portal. Nave lateral. Nave central. Nave lateral. Colunas. Transepto.”
O mitraísmo se acabou, mas a ideia de se reunir em templos com certas características mitraicas continuou. Templos com altar, imagens e decorações religiosas continuaram sendo construídos dentro da religião cristã. Magnificas igrejas estão por todos os lados. Mas onde eles estão nos evangelhos e nos ensinos dos apóstolos? Em lugar nenhum. Jesus não deu nenhum mandamento a respeito de construções dessa natureza. De onde então tiraram essa ideia? É o que veremos.
Os templos idealizados por Constantino foram construídos seguindo os padrões das basílicas romanas. [307] [308] Basílicas eram prédios públicos, usados para diversos fins. Era edifício onde funcionavam os tribunais, além de servir a outras funções oficiais e públicas. As basílicas eram os centros administrativos e comerciais dos principais assentamentos romanos. [309], [310] [311]
Trata-se de um estilo arquitetônico herdado dos gregos, que também tinham um espaço semelhante, chamado de stoa. [312] Muitas igrejas foram planejadas no mesmo estilo. [313] Não é por acaso que algumas igrejas ainda são chamadas de basílicas. Como eram os prédios dos magistrados e oficiais romanos, assim eram (e ainda são) as igrejas.
A primeira basílica romana teria sido construída em 184 antes de Cristo. [314] Isso quer dizer que esse tipo de construção já existia quase 500 anos no Império Romano, antes de Constantino. Na época do reinado do imperador César Augusto, entre o século primeiro antes de Cristo e o século primeiro depois de Cristo, esse tipo de construção já se encontravam por toda parte, até mesmo nos povoados. [315] Imperadores e pessoas da classe social superiores também construíam espaços semelhantes junto às suas residências, com o intuito de servir de salão para a recepção de pessoas. Essas, porém eram mais simples e menores.[316] [317]
Embora elas não fossem exatamente iguais em todos os detalhes, todas, porém, tinham muitos pontos em comum. Vamos resumir como era uma basílica pública, focando em alguns pontos principais.
Nave central e naves laterais. O espaço geralmente consista de uma nave central maior, com o teto mais elevado e duas naves menores, cada uma de um lado, com tetos mais baixos. [318]
Clerestório. Sendo o texto da nave central acima do teto das naves laterais, isso possibilitou a colocação de janelas na parte alta da nave central, acima do telhado das naves laterais. Essa área da parede era chamada de clerestório. [319]
Colunas. As três naves eram separadas apenas por duas colunatas, que eram duas filas de colunas, um do lado esquerdo, e a outro do lado direito.[320]
A abside. Numa extremidade, a porta principal. Na outra extremidade, a abside, que era um recinto semicircular ou poligonal, com o teto em forma de uma abóboda. [321]
A plataforma elevada. No local da abside, havia uma plataforma elevada, acessada por vários degraus. [322].
A cátedra. O juiz romano tinha a sua cadeira nesse lugar.
O Altar. Na abside, logo adiante do juiz, ficava um altar sobre o qual era oferecido o sacrifício antes de iniciar qualquer negócio público importante.[323]
Essas são as principais características de uma basílica romana, copiada para ser uma igreja templo. Muitas igrejas, durante séculos foram construídas seguindo essa estrutura das basílicas romanas. Precisamos voltar para o evangelho original, onde nada disso foi determinado por Jesus, mas por Constantino.
A nave central e as naves laterais com suas colunas abafaram o evangelho puro e simples

As igrejas templos idealizadas por Constantino fizeram o povo gostar de quatro paredes, se esquecendo de vez da simplicidade das reuniões nos lares. O conceito de igreja dentro da cultura romana ofuscou o verdadeiro sentido de igreja dentro da Bíblia.
Como já vimos no estudo anterior, o espaço da basílica geralmente consistia de uma nave central maior, com o teto mais elevado e duas naves menores, cada uma de um lado, com tetos mais baixos e o transepto. [324] Esse gigantesco espaço com teto elevado deu ao cristianismo um conforto nunca visto antes.
A luz entrando pelo clerestório fez a cristandade se esquecer do sofrimento entre a penumbra das catacumbas úmidas. As paredes agora revestidas de mármore apagavam a imagem de uma igreja rústica. As colunas com fustes requintados, coroadas com os mais belos capiteis, formando colunatas, que sustentavam arcadas elegantes e teto reluzente, tudo isso fazia do espaço um ambiente de glória. Inserido nesse espaço romanizado, a igreja teve sensações de vitória, se esquecendo que o reino de Jesus não é deste mundo. (João 18:36.) Mas a igreja acabou se casando com o Império Romano, tonando igreja romana.
Esse grande espaço destinado aos fiéis era (e ainda é) um espaço maravilhoso. Todavia, embriagados pelo conforto atraente, os cristãos deixaram de ser soldados num campo de batalha que é esse mundo, tornando-se cidadãos passivos, com a cabeça cheia de liturgia nunca ensinadas por Jesus.
Precisamos respeitar e preservar toda essa arquitetura histórica que ainda tem seus resquícios entre nós. Mas acima de tudo, precisamos ir mais longe, além das basílicas, resgatar o evangelho puro e simples, das estradas, das praias, dos montes e das casas. Precisamos ser uma igreja ativa, itinerante, frutífera, tendo como coluna a verdade pura.
A abside com sua plataforma elevada coroada pela abóboda elevou a figura do clero

A igreja humilde dos lares e das estradas perdeu o brilho da humildade, sendo iluminada pela glória da corte romana das basílicas, onde uns ficaram num ambiente luxuoso, porém, na parte mais baixa, enquanto o clero se elevou, ocupando um palco de glórias.
Numa basílica romana, havia uma plataforma elevada acima do nível do chão, onde os o juiz e seus assessores sentavam-se. Esse local era chamado de abside. Era um recinto semicircular ou poligonal, com o teto em forma de uma abóboda. [325] Esse projeto foi levado para as basílicas da igreja. Nas basílicas feitas para as liturgias da igreja, a mesma plataforma elevada, acessada por uma escadaria de vários degraus, colocou os padres acima do povo, no lugar do juiz e seus assessores. [326]
Olhando assim, superficialmente, parece que foi algo bom. Mas, na verdade, isso acabou transformando o clero em autoridades acima do povo, acabando com aquela figura do pastor entre o povo, como era Jesus e os apóstolos. Essa estrutura colocava o clero numa condição de magnificente, e o povo numa condição inferior no corpo de Cristo. E isso virou tradição. Em muitas igrejas, os que estão lá em cima são vistos como superiores. [327], [328]
Certa vez, a esposa de Zebedeu e os seus filhos Tiago e João quiseram ter um lugar de honra ao lado de Jesus. Eles queriam destaque, estar acima dos outros. (Marcos 10.35-45.) “Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:25-28, AA-Br.)
A partir do século IV, esse ensino de Jesus foi abandonado. A partir de então, o clero se elevou, ocupando a posição de autoridade maior. Ainda hoje, essa é a cultura das igrejas templos. Até mesmo as igrejas que dizer defender a Sola scriptura, [329] mesmo tendo igrejas que não são exatamente como as basílicas, têm suas igrejas com uma arquitetura que eleva uns sobre os outros.
Precisamos voltar à igreja onde todos somos corpo, debaixo de única cabeça, que é Cristo, servindo uns aos outros. (Romanos 12:5; 1Coríntios 12:27; Efésios 1:22-23; 4:15; 5:23; Colossenses 1:18 Chega de plataformas elevadas.
A grade de separação fez surgir duas classes separadas

Nas basílicas romanas havia uma grade de separação entre as autoridades e o povo. Da mesma forma, nas basílicas bizantinas da igreja, uma grade separava o povo do clero, em sua abside elevada, criando duas classes separadas e bem definidas: o clero e os leigos. [330], [331] [332]
Segundo a lei dada a Moisés, antes, no Antigo testamento, havia separação. As pessoas comuns iam até o pátio. Os sacerdotes podiam entrar no lugar santo, separado do pátio. Mas apenas o sumo sacerdote podia entrar uma vez no ano no Lugar Santíssimo, separado por um véu. (Hebreus 9:1-6; Mateus 21:12, etc.) Mas isso acabou quando Jesus morreu. Ele entrou no santuário celestial. (Hebreus 7.23-25; 5:5-6; 9:11; 9:24-26.) E tornou-se o nosso sumo sacerdote eterno. (Hebreus 4:14-15; 5:5-6; 6:20; 7:17.) O véu que separava se rasgou de alto a baixo. (Mateus 27:51; Marcos 15:38; Lucas 23:45.) Mas a igreja do século IV resolver criar outra separação.
Nas requintadas basílicas, o povo em baixo, e o clero acima, na abside abobadada, separada, dividida, elevada, glorificada. Esse clero como uma classe distinta virou tradição. Hoje, mesmo entre os mais humildes, ainda existem resquícios dessa divisão de classe eclesiásticas.
Muitas igrejas de hoje não têm mais uma grade de separação. Mas antes elas estavam lá, separando o clero do povo leigo. Apesar de não existirem em muitas igrejas templos de hoje, o seu legado está na cabeça do povo: a separação do clero, como se fosse outra classe. Precisamos voltar no tempo da igreja, onde todos juntos e misturados, viviam uns pelos outros, cada um com o seu dom, sem ser membro de outra classe.
A cátedra elevou a pessoa do bispo

No tempo de Jesus, escribas e fariseus gostavam dos assentos de honra nas sinagogas e nos banquetes. (Mateus 23:6; Marcos 12:39; Lucas 11:43; 20:46.) Jesus, porém, ensinou que devemos ser servos uns dos outros e que ninguém está acima de ninguém na igreja. (Mateus20:25-28.)
Já vimos, em estudo anterior, que numa basílica romana secular, numa extremidade, ficava a porta principal. Na outra extremidade, a abside, que era um recinto semicircular ou poligonal, com o teto em forma de uma abóboda. [333] Essa abside, era uma plataforma elevada, acessada por vários degraus. [334] Ali ficava a cadeira do juiz. Essa cadeira ficou conhecida como cátedra. Esse assento era um trono e era a maior e mais elegante dentro do edifício. Era uma cópia da cadeira do juiz da basílica romana. [335]
Imitando as basílicas seculares, nas basílicas feitas para a igreja, da mesma forma, na abside elevada, ficava a cadeira episcopal, forrada com placas de mármore. Por isso, o bispo, ao falar daquele lugar, era considerada uma autoridade eclesiástica digna de respeito. Anciões e diáconos se assentavam dos lados. [336], [337] A cátedra do bipo o transformou numa figura ainda mais elevada, assim como um juiz romano.
Ainda hoje, em muitas igrejas, a cadeira do padre, do pastor ou bispo costuma ser maior. As catedrais de hoje é o templo, onde se encontra o trono (ou cátedra) do bispo da diocese. [338]
Um escrito do século IV, falando da preparação para a celebração da liturgia, diz para um presbítero ficar à direita do bispo, e o outro, à esquerda, como discípulos diante de seu Mestre. [339]. Disse também: “No meio, deixe o trono do bispo ser colocado, e de cada lado dele deixar o presbitério se sentar.” (Constituições Apostólicas, Livro II, LVII.) [340]
O Altar das igrejas templos acabaram com o conceito bíblico de sacrifício único de Jesus

Outra coisa que se encontra na abside de uma igreja é o altar. Jesus, claro, nunca mandou construir nenhum altar. Mas mesmo assim, em muitas igrejas temos esse um. Mas de onde surgiu essa ideia?
No século II, popularizou a crença que a celebração com pão e vinho era um sacrifício oferecido a Deus. Justino Mártir (100-165) escreveu: "Deus tem, portanto, anunciado que todos os sacrifícios oferecidos em Seu Nome, por Jesus Cristo, que está, na Eucaristia do Pão e do Cálice, que são oferecidos por nós cristãos em toda parte do mundo, são agradáveis a Ele." (Diálogo com Trifão, Cap. 117), [341], [342]. “Assim são os sacrifícios oferecidos a Ele, em todo lugar, por nós os gentios, que são o pão da Eucaristia e igualmente a taça da Eucaristia, que Ele falou naquele tempo; e Ele diz que nós glorificamos Seu nome, enquanto vocês o profanam." (Diálogo com Trifão, 41.) [343].
Ainda no século III, Cipriano (210-258), o bispo de Cartago, norte da África, para denominar a reunião da igreja para celebrar a Eucaristia com pão e vinho, ele deu preferência ao termo Sacrifício (sacrificium), geralmente com um atributo junto como: sacrifício divino (divina sacrificia), novo sacrifício (novum sacrificium), sacrifício de Deus (sacrificia Dei). Ele agiu assim porque acreditava piamente que a Eucaristia era um sacrifício com a presença de Jesus naqueles elementos da ceia. [344]
Nessa mesma época, o bispo romano Sixto II (257-259) foi o primeiro a determinar que a missa (Eucaristia) fosse celebrada sobre um altar, assim como eram os sacrifícios da lei de Moisés. [345]
Altar sobre o túmulo. Por causa dessa crença, em cada basílica foi construído um altar para a celebração da Eucaristia. Algumas igrejas foram construídas sob o túmulo dos mártires. [346] E assim, o altar foi erguido exatamente acima do túmulo. [347]
Relíquias sob o altar. Também se tornou comum a presença das relíquias do mártir embaixo do altar. [348]
Objetos sagrados e os elementos da Eucaristia no altar. E sobre o alar, os elementos da Eucaristia com seus respectivos objetos sagrados. [349] [350], [351]
Cibório sobre o altar. Acima do altar era construído um cibório, que era uma estrutura ornamentada de quatro colunas. Os altares das basílicas erguidos por Constantino em Roma eram encimados por cibórios. O material usado nessa cobertura era fino. Em basílicas de Roma, o telhado do cibório era de prata e pesava 2.025 libras; as colunas eram provavelmente de mármore ou pórfiro. O interior do Cibório da basílica de Latrão era coberto de ouro, com um lustre de puro ouro no centro, além de cinquenta golfinhos também de ouro com correntes. Também se encontravam quatro coroas de ouro puro e mais golfinhos. [352]
Esses e outros elementos mais, fizeram do altar das igrejas um lugar místico, transformando as basílicas em verdadeiros santuários. Dessa forma, as basílicas se tornaram sagrados indispensáveis para a cristandade. Respeite esses locais. Todavia, como sabemos pela Bíblia, que o sacrifício de Jesus no madeiro foi único. (Hebreus 10:12.) Isso quer dizer que hoje não temos que realizar outros sacrifícios, e consequentemente, não precisamos mais de altares.
Os materiais usados na construção das basílicas deixaram a cristandade fascinada por templos

Existem muitas igrejas simples por aí. Algumas, inclusive, são apenas salões alugados. Entretanto, o costume a partir do século IV, foi construir igrejas templos com os melhores e mais caros materiais.
As basílicas erguidas pelo imperador romano Constantino eram feitas com materiais requintados e aparência majestosa. O historiador Eusébio de Cesaréia (265-340) descreveu, por exemplo, como foi feita a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Ele diz que era uma obra nobre de grande altura e grande extensão, tanto no comprimento, como na largura. O interior foi pavimentado com lajes de mármore de várias cores. A superfície externa das paredes brilhava com pedras polidas bem encaixadas. O telhado foi coberto externamente com chumbo. O lado interno da cobertura foi acabado com painéis esculpidos, estendendo-se em uma série de compartimentos interligados, como um vasto mar, por toda a igreja, tudo revestido com o mais puro ouro, deixando todo o edifício brilhante. (Vida de Constantino, III, 36.) [353]
A Basílica dos Santos Apóstolos em Constantinopla também foi descrita por Eusébio. Constantino ergueu essa basílica em memória dos apóstolos, com vasta altura, brilhantemente decorado com mármore de várias cores, da fundação ao telhado. O interior também foi revestido de ouro. O telhado foi revestido de bronze por fora. A cúpula foi feita com um rendilhado de bronze e ouro. O edifício foi cercado por uma área de grande extensão Em cada lado havia um pórtico (portal ornamentado e luxuoso), além de outros detalhes. (Vida de Constantino, IV: 58-59.) [354]
Essa ideia de construir templos com essas características, com finos materiais, imponente, enfeitados, com áreas ao redor e portais magníficos acabou se tornando uma tradição. A partir de então, muitas outras igrejas templos vão ser construídas dentro dessa linha.
Todos esses encantos dos prédios eclesiásticos no meio da paisagem das cidades fizeram com que a cristandade se tornasse fascinada e dependente deles. Essas características viraram tradições, contradizendo o verdadeiro evangelho da humildade.
Precisamos nos libertar desse evangelho encarecido de um materialismo que Cristo nunca mandou praticar. Devemos preservar esses locais históricos com respeito à fé e à riqueza cultural e artística. Mas precisamos buscar a riqueza verdadeira do evangelho puro.
As basílicas ajudaram a elevar a figura do clero

Não vemos, nas páginas do Novo testamento, nenhuma indicação que os apóstolos, os presbíteros e diáconos eram pessoas exaltadas entre os demais cristãos. Mas com o tempo, essas pessoas se tornaram membros de uma classe hierárquica acima do povo, tornando-se reverenciada de uma forma totalmente contrária aos ensinos de Cristo.
As basílicas romanas eram os locais dos magistrados romanos. [355] As basílicas eclesiásticas construídas por Constantino serviram para exaltar a figura do clero sobre o povo. Como eram os prédios dos magistrados e oficiais romanos, assim eram as igrejas. Isso fez o clero se sentir como um corpo de magistrado.
Como já vimos noutro estudo, as igrejas templos construídas no estilo de uma basílica romana, ornada de materiais finos e reluzentes, com um amplo portal ornamentado, ocupando um jardim exuberante, tudo isso criou uma sensação de majestade, mosaicos nas paredes e a preciosidade dos objetos litúrgicos, tudo isso criando uma sensação de majestade. [356]
. [357] É clero que esses bispos e presbíteros jamais iriam continuar com a mesma humildade do primeiro século.
Jesus havia ensinado aos seus discípulos o seguinte: “Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:25b-28, AA-Br.) Mas essas basílicas ajudaram a elevar a figura do clero.
Constantino teve boas intenções. Mas a igreja já estava afastada do evangelho original. Assim, o conceito bíblico de servos uns dos outros foi sendo estratificado numa hierarquia que podia ser sentida naquele ambiente que lembrava os magistrados romanos. Precisamos nos libertar desse conceito não evangélico. Se Cristo criticou os fariseus que queriam estar acima, cheio de ostentação entre o povo, o que ele não diria hoje? (Mateus 23:5-7; Marcos 12:38-39; Lucas 20:46.)
Igrejas dedicadas aos santos

As igrejas templos de várias denominações eclesiásticas são dedicadas a uma pessoa. Vemos igrejas desse ou daquele santo ou santa, dessa ou daquela Nossa Senhora. Essa ideia também surgiu na época do imperador romano Constantino.
Nos primeiros séculos, os locais onde os mártires haviam sofrido ou sepultados, capelas e altares foram construídos para homenageá-los. [358], [359] A igreja começou a venerar os mártires entre os séculos II e III. A partir do século quatro, basílicas (igrejas templos) foram construídas nos mesmos lugares. No altar das igrejas, ficavam as relíquias referentes aos mortos. No século seguinte, ter uma relíquia no altar já era algo essencial. [360]
Diante da veneração dos mártires, surgiu a ideia de eleger um santo padroeiro para cada lugar. Essa tendência perpetuou e, mais tarde, igrejas foram dedicadas a anjos, à Maria sob diversos títulos, etc. Em muitos lugares, é comum a realização de uma festa para homenagear a santa ou o santo ou padroeiro. [361], [362]
Na antiga religião romana, havia a crença em vários deuses. [363] Como no Egito, na Grécia e em muitos outros lugares, entre os romanos, cada deus tinha seus templos. [364], [365], [366] De forma semelhante, a igreja passou a cultuar os seus mortos, que acabaram virando, para diversas pessoas, uma espécie de semideuses. E para cada um foi construído um templo. Por causa dessa herança herdada das tradições pagãs antigas, cada igreja era feita em homenagem a algum santo ou santa. Veja alguns exemplos de igrejas ainda do século IV:
Igreja de San Martino ai Monti (século IV); Igreja de San Marcello al Corso (309); Basílica de Santi Quattro Coronati (314); Basílica de San Giovanni in Laterano (324); Basílica de Santa Croce in Gerusalemme (325); Igreja de Santa Susana nas Termas de Diocleciano (330); Basílica de San Marco Evangelista al Campidoglio (336); Basílica de Santa Anastasia (início do século IV); Basílica de Santa Maria em Trastevere (início do século IV); Igreja de Santi Nereo e Achilleo (prévia a 377); Basílica de San Lorenzo in Damaso (380); Basílica de São Paulo fora dos Muros (386); Antiga Basílica de São Pedro (século IV; destruída); Basílica de Santi Giovanni e Paolo (398); Igreja de San Sisto Vecchio (finais do século IV); Basílica de São Clemente (século IV); Igreja de Santi Marcellino e Pietro (século IV); Basílica de Santa Pudenziana (século IV); Basílica de San Sebastiano fuori le mura (século IV); Basílica de São Vital (400); Basílica de Santi Bonifacio e Alessio (séc. IV). [367] No final do século IV, uma grande basílica dedicada a Maria, mãe de Jesus, foi construída em Éfeso, na antiga stoa sul (uma basílica comercial) do Templo de Adriano Olímpico. [368] Ali ficava o templo da deusa paga Ártemis. [369]
Desde o século IV, costume de edificar igrejas templos dedicadas a esse ou a aquele santo ou santa se espalhou pelo mundo. Em cada lugar, existe uma igreja grande, média ou pequena, onde alguma pessoa falecida é padroeira. Em cada uma dessas igrejas, uma suposta imagem do padroeiro ou padroeira se encontra no altar.
O Panteão romano, construído inicialmente pelo imperador Augusto (27 Antes de Cristo–14 depois de Cristo) e reconstruído pelo imperador Adriano (117–138) por volta de 126, era um templo dedicado a vários deuses. [370] A Igreja, na pessoa do papa Bonifácio IV (608-615), ao invés de pregar contra a idolatria, resolveu imitar o paganismo com uma roupagem “cristianizada”, dedicando o panteão à Virgem Santíssima e todos os mártires. Ali foram depositados ossos de vários mártires. [371], [372]
Essas basílicas refinadas que lembravam as grandes autoridades romanas dedicadas aos mártires acabaram exaltando e endeusando os santos da igreja, levando o povo a prestar culto a eles nesses recintos.
Tudo isso, sem dúvida, não tem nada a ver com os ensinos de Jesus e dos apóstolos, mas foram ideias oriundas do paganismo. Nas antigas religiões, sumérias, egípcias, gregas, romanas, dentre muitas outras, em cada lugar havia um templo dedicado a uma deusa ou deus pagão. [373], [374], [375], [376]
Devemos respeitar esses locais de culto, apesar de não serem conforme o evangelho, todos têm o direito de crer como quiserem. No entanto, se quisermos voltar ao evangelho puro, devemos nos afastar de tais ambientes para não cairmos no pecado do culto indevido.
As esculturas e os ícones das igrejas templos

Muitas igrejas estão cheias de imagens de diversas pessoas consideradas como santos ou santas. Imagens temáticas sobre Jesus e Maria também são muito comuns. Dentro das igrejas, elas acabaram se tornando objeto de culto. De onde surgiu esse costume, uma vez que inúmeros textos bíblicos falam contra a idolatria. ((Êxodo 20:4-5; 20:23; Levítico 19:4; 20:1-5; 25:1-5; Deuteronômio 5:8-10; 17:2-5; 18:21-22; 23:17-18; 27:15; Romanos 1:23; 2:22; Gálatas5:20; 1João 5:21; Apocalipse 21:8; 22:15, etc.)
Antes do século IV, era comum os cristãos fazerem pinturas sobre temas bíblicos. Pinturas assim eram feitas nas catacumbas, onde cristãos perseguidos se reuniam. Pinturas como: Daniel na cova dos leões, Noé e sua arca, Sansão carregando os portões, Moisés batendo na rocha, a chegada dos Reis Magos, o batismo de nosso Senhor, o milagre dos pães e peixes, a festa de casamento em Caná, Cristo ensinando os Apóstolos. etc. são alguns temas pintados [377]
As basílicas publicas romanas eram comumente usadas como locais para a exibição de estátuas honoríficas e outras esculturas. [378] Esse costume fo levado para as basílicas da Igreja. Depois do século IV, quando o imperador romano Constantino promoveu a construção de basílicas para servirem de templo para a igreja, essas passaram a serem adornadas com mosaicos, esculturas e estátuas caras de Cristo e dos santos. [379] Constantino dedicou grande esforço à decoração de Constantinopla, adornando seus espaços públicos com estátuas antigas. [380] As basílicas da igreja, claro, não iriam ficar de fora. Então, esculturas foram colocadas nas igrejas. A Enciclopédia Católica diz:
“Santo Agostinho (falecido em 430) refere-se várias vezes a imagens de Nosso Senhor e dos santos nas igrejas (por exemplo, "De cons. Evang.", X em PL, XXXIV, 1049; Resposta a Fausto XXII.73); ele diz que algumas pessoas até os adoram ("De mor. eccl. cath.", xxxiv, PL, XXXII, 1342). São Jerônimo (m. 420) também escreve sobre as imagens dos apóstolos como ornamentos bem conhecidos de igrejas (In Ionam, iv). São Paulino de Nola (falecido em 431) pagou pelos mosaicos que representavam cenas bíblicas e santos nas igrejas de sua cidade e, em seguida, escreveu um poema descrevendo-os (PL, LXI, 884). Gregório de Tours (falecido em 594) diz que uma senhora franca, que construiu uma igreja de Santo Estêvão, mostrou aos artistas que pintaram suas paredes como deveriam representar os santos a partir de um livro (Hist. Franc., II, 17, PL, LXXI, 215). No Oriente, São Basílio (falecido em 379), pregando sobre São Barlaão, chama pintores para homenagear o santo mais fazendo fotos dele do que ele mesmo pode fazer com palavras ("Or. in S. Barlaam", in PG, XXXI). Santo Nilo, no século V, culpa um amigo por desejar decorar uma igreja com ornamentos profanos e o exorta a substituí-los por cenas da Escritura (Epístola IV, 56). São Cirilo de Alexandria (falecido em 444) foi um defensor tão grande dos ícones que seus oponentes o acusaram de idolatria (para tudo isso, ver Schwarzlose, "Der Bilderstreit" i, 3-15). São Gregório Magno (falecido em 604) sempre foi um grande defensor das imagens sagradas.”
E foi assim que esse costume entrou nas igrejas. Hoje temos templos com esculturas, ícones, imagens em vitrais, nas paredes e no teto dos diversos locais de culto. Se fosse possível manter tudo isso como meras decorações ou representações da fé de diversas pessoas, talvez tudo isso não seria um problema. Mas acontece que o ser humano ama cultuar imagens, entrando pelo caminho do culto indevido, colocando o soberano Deus em segundo plano. E isso tem acontecido ao longo dos séculos.
Precisamos respeitar as igrejas com suas imagens. Não podemos sair por aí causando destruições e nem fazer qualquer gesto de sacrilégio. No entanto, com respeito e bom senso, precisamos alertar as pessoas sobre o perigo de cometer o pecado da idolatria. Precisamos aprender a cultuar o soberano Deus sem qualquer tipo e imagem diante de nós, pois o eterno “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:24, ARC-Br.)
As liturgias pomposas nos templos luxuosos

As pompas e as cerimônias, muitos comuns no corte imperial de Constantino, foram trazidas para o templo. Os clérigos deixaram de lado as suas roupas simples e passaram a usar roupas especiais como os oficiais romanos. [381]
Gestos de respeito prestados aos oficiais romanos foram também copiados para serem usados diante do clero. [382] A entrada do clero no templo tornou-se um momento de muitas formalidades como era na corte imperial. Quando os magistrados romanos, com seus trajes especiais, entravam na sala da Corte, os presentes se colocavam de pé e cantavam. Da mesma forma, adotou-se esse costume na igreja. Quando o clérigo entrava vestido como um magistrado romano no templo, acompanhado por uma procissão iluminada por velas, as pessoas ficavam de pé, cantavam e aguardavam ele se assentar primeiro em seu trono para então se assentarem também. [383] Esse costume ainda está enraizado em muitas igrejas.
Daquele trono (cátedra) e mais tarde do púlpito, os líderes da igreja falavam e falam ao povo. Isso acabou deixando o pregador numa posição de superioridade e grandeza. [384]
Muitas coisas retiradas da corte de Roma serviram para abrilhantar a liturgia, mas contribuíram bastante para desfigurar o verdadeiro evangelho. Foi o fim de um cristianismo simples, feito de pessoas comuns, e o início de uma igreja formal e requintada.
Apesar, quem sabe, das boas intenções de Constantino, a principal ala da igreja encontrou o caminho do “sucesso” e do fracasso. Essas mazelas contaminaram os homens de Deus, e eles viraram homens de Roma. E essas coisas ainda estão encravadas em nossas comunidades cristãs e estão escravizando muita gente dentro de um cristianismo de meras formalidades.
E foi assim que surgiram os templos do cristianismo. Eles viraram uma tradição extremamente enraizada na cabeça das pessoas. E continuaram sendo construídos por todos os lados com toda sofisticação possível
As igrejas da arquitetura bizantina

O imperador romano Constantino, como já vimos em estudos antieriores, edificou os primeiros edifícios eclesiásticos, e os patriarcas, bispos e presbíteros apoiaram. Depois do tempo de Constantino, os cristãos continuaram a edificar os seus templos em todo o mundo. Diversos estilos arquitetônicos deram a sua grande constribuição, e novas igrejas-templos esplendorosas, magníficas, altaneiras, capazes de deixar Salomão boquiaberto, de queixo caído, foram surgindo por todos os lados. Elas se tornaram verdadeiras obras de arte da melhor qualidade, criando um ambiente místico nunca visto antes. Tudo isso, aliado ao conforto dos fiéis e á exaltação do clero, se transformou numa tradição fortemente impregnada na cabeça dos adeptos do cristianismo.
Nessa época, o Império Romano não era laico. O catolicismo se tornara a religião estatal do Império Romano desde o final do século IV. Então, os imperadores podiam financiar a edificação de esplendorosas construções sagradas. E foi o que aconteceu.
A arte bizantina que havia começado com a transformação de Constantinopla na nova capital do Império Romano, com o tempo, foi sofrendo mudanças significativas, principalmente na época do imperador Justiniano I (527–565). Esse imperador criou um programa de construção massivo, renovando, reconstruindo e fundando inúmeras igrejas templos nessa nova capital. [385] [386] As novas igrejas templos foram feitas de acordo com a arquitetura bizantina. [387] Hagia Sophia, Igreja dos Santos Apóstolos, e a Igreja dos Santos Sérgio e Baco foram erguidas nessa época. Fora de Constantinopla também foram edificadas novas basílicas como: Basílica de Santa Sofia em Sofia Basílica de São João em Éfeso, Basílica de San Vitale em Ravenna, Basílica Eufrásia em Porec. [388]
Uma nova arquitetura ganhou espaço nas novas basílicas, que ganharam cobertura com cúpulas circulares, altas, cada vez mais exóticas, revestidas de chumbo ou azulejos, e mosaicos cada vez mais ricos, formando linhas sinuosas por todos os lados, com mosaicos coloridos e brilhantes e colunas variadas, deixando o ambiente com uma nova elegância. Além do mármore que já era usado, pedras e tijolo também fizeram parte das construções. Pinturas feitas com mosaicos se tornaram decorações. A separação entre o clero e a assembleia se tornou marcante nesse estilo. [389] [390]
Novos estilos arquitetônicos virão em seguida. Mas esse estilo bizantino prevaleceu por séculos, indo até o século XVIII, chegando ainda mais longe, dando lugar à arquitetura neo-bizantina. [391] [392]
Como podemos ver, os artistas levaram a religiosidade bastante a sério, criando artes extremamente ricas. Dessa forma, nesse ambiente tão encantador, os cristãos se tornaram ainda mais fascinados dentro das basílicas, cada vez mais dependentes da liturgia também cada vez mais enriquecida de novos elementos. [393]
Precisamos respeitar tudo isso. Não podemos agir como os iconoclastas., que saíram destruindo os ícones entre os séculos VIII e IX. [394] Entretanto, precisamos entender que o evangelho de Jesus não tem nada a ver com esse tipo de arte arquitetônica, por mais sofisticada que seja. Precisamos remontar os mosaicos da nossa verdadeira fé cristã. O verdadeiro evangelho foi desmontado por diversas pessoas. Precisamos reconstruir o que Cristo realmente nos ensinou, longe da fascinação artística das igrejas templos.
As igrejas da arquitetura pré-românica

A arte de construir igrejas templos elegantes continuou também no Ocidente. Enquanto a arquitetura bizantina enfeitava com os seus mosaicos da Itália ao Oriente, o estilo pré-românico surgiu nas igrejas da Europa ocidental, misturando o conceito de basílicas com as culturas bárbaras diversas. [395]
O estilo arquitetônico pré-românico surgiu no século V indo até o século XI, na Europa, depois da queda do Império Romano do Ocidente, após a invasão dos povos bárbaros. [396] [397] [398]Nessa época, cada região da Europa passou a ter a sua própria arte, devido a presença de diferentes povos bárbaros em cada lugar como: Francos na região da França, Ostrogodos e Lombardos na área correspondente à Itália, Vândalos ao norte da África, Visigodos na atual Espanha, Saxões e Celtas na região da Inglaterra e Irlanda. A primeira parte, do século V ao século VIII, não foi muito significativo, não tendo um estilo bem definido. No entanto, a partir do século VIII, a arte tende a ser unificada, tendo como principal representante o Império de Carlos Magno dos francos. [399]
Os francos era um povo bárbaro que ocupou a região da atual França nesse século, ocupando terras que antes eram do Império Romano do Ocidente. [400] Esse povo seguia uma religião pagã. [401] Mas Clóvis I, o primeiro rei dos francos se convertera ao catolicismo. A partir de então, diversas pessoas outros francos também se converteram, deixando o paganismo de lado. [402]
Nessa época, vilas foram sendo criadas e também unidades agrícolas do feudalismo. Muitas edificações extraordinárias surgiram, como uma infinidade de monastérios. As construções tinham certas semelhanças com a arquitetura da Roma antiga. Entretanto, tinham algumas diferenças. Edifícios volumosos e pesados, com paredes largas com o objetivo de sustentar o peso das abóbodas, que eram de berço [403] e de aresta (cruzamento de duas abóbadas de berço). [404] As paredes grossas serviam de estrutura, por isso, os vãos não eram muito extensos para sustentar o peso. Essas construções eram de pedras. As aberturas também não eram muito amplas. Surgiram também as torres com campanário. [405] [406]
Exemplos de igrejas desse período: Catedral Fréjus (ano 450); Catedral de Aix (ano 500); Igreja de São Justino, Frankfurt-Höchst (830); Igreja Colegiada de São Ursmar, em Lobbes, Bélgica (819-823); Basílica de Einhard, Steinbach (827); Catedral de Hildesheim (872); Abadia de Corvey (885); Igreja de São Filibert, Tournus (950), etc. [407]
Os diversos povos bárbaros foram evangelizados, mas com um evangelho um tanto diferenciado. Eles receberam o evangelho templário e litúrgico, bem diferente do daquelas boas novas ensinadas por Jesus. Dessa forma, a Europa bárbara acabou colocando os diversos povos nesse caminho litúrgico. E isso vai continuar nas próximas gerações.
As igrejas da arquitetura românica

Século X: a Igreja não voltou para a simplicidade do evangelho, mas aprendeu a criar edifícios templos ainda mais sofisticados. E a cristandade ficou ainda mais presa nessa ideia.
Nesse século, a arquitetura pré-românica, agora mais unificada, pode ser denominada de arquitetura românica. Esse modelo de construção se espalhou por todo o continente europeu. [408] [409] Trata-se de uma combinação de edificações romanas e bizantinas com outras tradições locais, por isso, o nome românico. [410]
Comparando com o estilo gótico que viriam logo sem seguida, esse estilo é mais simples. [411] [412] Algumas características desse estilo são comuns em todos os lugares. Outras, porém, são detalhes regionais. [413] Podemos destacar algumas caraterísticas das igrejas desse estilo, como: paredes grossas na maioria das vezes de pedra, arcos redondos, pilares robustos, abóbadas de berço, de aresta ou nervurada (costelas), [414] [415] [416] telhado de madeira, grandes torres e arcadas decorativas, formas bem definidas, planta simétrica, linhas retas e arcos arredondados, com poucas aberturas, e consequentemente, pouca entrada de luz. [417] Igrejas mais simples sem corredores laterais e igrejas maiores com corredores separados da nave por arcadas sustentadas por colunas, como nas antigas basílicas romanas. [418]
A extremidade oriental (o leste), o lado do nascer do sol, é quase sempre semicircular, embora existam algumas com extremidade quadrada. [419] Do lado oposto, o oeste, o lado do pôr-do-sol, possuem aparência simétrica, com um grande portal no centro, decorado por molduras, e um arranjo de janelas, muitas vezes em a e, às vezes, rosáceas. [420]
As torres também ganharam um destaque maior, tendo formas quadradas, circulares e octogonais. Uma são menores, outras médias e outras bem maiores. Geralmente foram construídas do lado oeste, na fachada. Mas também existem igrejas com torres em outras extremidades. Algumas possuem apenas uma torre, outras, duas torres, e ainda outras com várias torres juntamente com uma ou duas torres. Na Itália, torres também foram feitas torres independentes, como a torre de pisa. [421]
As arcadas de várias formas são as mais significativas decorações da arquitetura românica. Também forma feitas esculturas ornamentais em muitas igrejas. Também foram pintados murais com temas religiosos, além de vitrais. [422]
Construções diversas seguiram esse estilo como: casas, palácios, instalações comerciais, edifícios cívicos, castelos, muralhas e pontes. Igrejas certamente não ficariam de fora. Por isso, igrejas de aldeia, igrejas de abadia ou mosteiros, complexos de abadia e grandes catedrais foram edificados por todos os lados, seguindo a arquitetura românica.[423] Eram construções (e ainda são) construções sólidas, pois foram feitas com grossas paredes de pedras. [424] [425] Por isso, muitas igrejas ainda se encontram de pé, sobrevivendo há séculos. [426] [427] Dentre as inúmeras que ainda existem, podemos destacar: a Catedral de Pisa, Catedral de Santiago de Compostela, Catedral de Canterbury, Abadia Maria Laach, etc. [428] [429] [430] [431]
No século XII, novas características mais acentuadas foram aparecendo, dando lugar a um novo estilo arquitetônico: o gótico, como veremos no próximo estudo.
Não é possível descrever toda a riqueza do estilo românico neste pequeno estudo. Todavia, deu para perceber como a igreja templo foi amplamente valorizada com toda essa riqueza arquitetônica. Nessa época, a Igreja ganhou inúmeros edifícios por toda a Europa seguindo esse estilo. [432] Por isso, a cristandade se tornou ainda mais apegada às igrejas templos. Todo conforto, toda beleza, toda ostentação do estilo românico cegaram a visão do verdadeiro evangelho original. As pessoas se tornaram mais religiosas e extremamente templárias. Devemos, sim, respeitar e preservar esse passado histórico. Mas precisamos nos despir dessa roupagem românica, a fim de vestir o verdadeiro evangelho do Cristo da Galileia.
As igrejas da arquitetura gótica

O século XII chegou, e com ele, um estilo ainda mais requintado, que dominou as igrejas até o século XVI. Estamos falando da arquitetura gótica. Vamos falar sobre ela. E a Europa que já tinha muitos templos pré-românicos e românicos, agora se enche com uma grande quantidade de igrejas templos góticos. [433]
O estilo gótico é uma evolução do estilo românico. Todavia, diante do românico, o gótico era extremamente mais requintado. As catedrais onde ficavam os bispos, abadias onde ficavam os abades e também igrejas paroquiais menores passaram a ser edificadas nesse estilo.
As catedrais se tornaram muito altas, sendo as construções mais altas da época. [434] As janelas ganharam grandes vitrais, que foram se tornando cada vez maiores. [435] As rosáceas que já existiam nas igrejas de estilo românico, agora se tornaram maiores e mais complexas. [436] Esculturas foram colocadas como decoração da fachada. [437] Pinturas com cores vivas por dentro e por fora ajudaram no encanto. [438] Sinos que já eram usados antes, continuaram sendo usados no alto das grandes torres góticas. Essas torres, que no estilo românico eram mais simples, agora, se tornaram mais altas e elegantes. [439]Algumas igrejas tinham uma torre, outras, duas, e ainda outras, três ou mais. [440] [441] [442]
As antigas igrejas tinham paredes grossas e janelas pequenas para sustentar o peso das abóbadas. Mas as igrejas góticas, foram feitas com abóbadas de costelas, com arcos pontiagudos, mais altas e mais fortes, permitindo a construção de espaços mais amplos, com paredes mais estreitas, com um grande número de vitrais enchendo o ambiente de luz. [443]
Esse estilo surgiu na França, quando a antiga Catedral Basílica de São Diniz, que era feita de acordo com arquitetura românica, foi reformada, adquirindo um novo estilo, dando origem ao estilo gótico. [444] Logo em seguida, outras catedrais francesas foram edificadas no mesmo estilo como: a Catedral de Noyon, a Catedral de Sens, a catedral de Senlis, a Catedral de Laon, a Catedral de Notre Dame de Paris. [445] Fora da França, outras igrejas foram surgindo, como a reconstrução da antiga Catedral de Canterbury na Inglaterra, que passou do estilo românico para o estilo gótico depois de sua reconstrução por causa de um incêndio que havia sofrido e também a Catedral da Santíssima Trindade na cidade de Ely. [446] Também podemos citar: a Catedral de Wells, a Abadia de Westminster na Inglaterra, a Catedral de Colônia na Alemanha, a Catedral de Praga na República Checa, a Catedral de Siena, a Catedral de Florença, a Catedral de Milão na Itália, além de muitas outras construções católicas. [447]
Se as pessoas já estavam encantadas com as igrejas românicas, agora ficaram muito mais atônitas diante dessas sagradas construções ostentando suas altas torres com vitrais coloridos e molduras indescritíveis. Dessa forma, a Idade Média se aproximava do fim, enquanto essas novidades arquitetônicas ocupavam o lugar do verdadeiro evangelho, que ia se tornando cada vez mais apagado diante de um evangelho artístico e arquitetônico.
Tudo isso se tornou extremamente belo e digno de nosso respeito. Mas além do eco dos sinos das catedrais, precisamos que o evangelho original é algo muito mais sublime, pois ele nos leva para lugares muito mais altos, muito mais glorioso, nos conduz para o santuário celestial, na nova terra que vira. (Apocalipse 21.) Por isso, não podemos nos embriagar com todos esses encantos meramente fixados nesse mundo material.
As igrejas da arquitetura renascentista

Enquanto a arquitetura gótica ainda erguia as suas grandes obras de arte, a arquitetura renascentista, surgiu no início do século XIV, indo até o século XVII, marcando a Idade Moderna. [448] Esse estilo surgiu em Florença, na Itália e se espalhou pela Europa, chegando até as colônias europeias pelo mundo. [449]
Essa arquitetura é chamada de renascentista, porque fez parte do movimento da renascença, que fez renascer a cultura e a arte da Grécia e da Roma antigas. [450] Os europeus procuraram resgatar etilos arquitetônicos dos antigos gregos e romanos. Esse período pode ser dividido em três fases: Quatrocento, Alta Renascença e maneirismo. [451]
Nessa época, novas igrejas surgiram por todos os lados, especialmente em Roma. [452]A Capela Sistina do Palácio Apostólico, [453] e a reconstrução da Basílica de São Pedro no Vaticano, [454] a Basílica di San Lorenzo em Florença, [455] a Catedral de Santa Maria da Flor também em Florença, onde o gótico e o neogótico também se misturaram, [456] a Igreja de Santa Maria Novella, também em Florença, [457] todas esses e muitas outras são exemplos de igrejas do estilo renascentista. No Brasil, a Catedral Basílica Primacial São Salvador, em Salvador, Bahia, inaugurada em 1672, também foi erguida no estilo renascentista maneirista. [458]
As igrejas, como outros edifícios renascentistas, ganharam uma aparência quadrada. [459] As fachadas receberam detalhes simétricos, tendo no topo, um frontão, que geralmente era de uma forma triangular. [460] [461] Esses triângulos nas fachadas ainda estão presentes em muitas igrejas de hoje. Também na fachada, a presença de cornijas, uma espécie de moldura decorativa horizontal coroando o edifício. [462] Colunas nos estilos romanos e gregos também foram usadas, além dos arcos formado arcadas sobre elas. [463]. [464] Abóbadas semicirculares no interior e domos exteriores formavam tetos arredondados, pintados e decorados. [465] [466] [467] Portas e janelas com vergas quadradas, com arco acima ou com frontão triangular além de molduras em torno delas. [468] [469] [470]Paredes externas de tijolos rebocadas ou revestidas de pedras. Paredes internas rebocadas e revestidas de cal ou com afrescos pintados. [471]
A igreja resgatou a arte greco-romana, mas o evangelho original não foi resgatado. As igrejas continuaram reféns de templos magníficos nunca idealizados por Jesus. Toda arte renascentista tem o seu valor, e nós devemos preservá-las. Mas é preciso dizer que o evangelho puro não tem nenhuma ligação com nada dessa antiga cultura pagã, resgatada pelos europeus da Idade Moderna.
As igrejas da arquitetura barroca

O evangelho da arquitetura não parou. Porém, em cada época com um estilo novo. E o século XVII começou com uma novidade: o barroco. Igrejas, então, passaram a ser construídas nesse estilo. [472]
O barroco, através dos jesuítas, surgiu na Itália e se espalhou por toda Europa, chagando às colônias europeias pelo mundo afora. [473]
Esse estilo é rico em efeitos visuais e teatrais. O lado interno das cúpulas geralmente era pintado como o céu, cheio de anjos e raios de luz, representando a glória do céu. Por meio da técnica trompe-l'oeil, [474] pinturas foram criadas criando a ilusão ótica de três dimensões. Fortes contrastes de escuridão e luz para davam um efeito dramático. Cartelas (cartuchos) se tornaram elementos decorativos sobre fachadas, sobre portas e outras locais. [475] Esculturas aéreas feitas de madeira, gesso ou mármore também foram usadas na decoração. Puttus, uma escultura de um menino gordo e nu, às vezes, com asas, como se fossem cupidos, se tornaram comuns. [476] Colunas salomônicas (também chamadas de colunas torsas), em forma de saca-rolhas nos portais, nas colunatas e outros locais, davam a sensação de movimento. [477] Os espaços ganharam linhas arredondadas, no lugar de linhas retas. [478] Muitas curvas, ao invés de linhas retas ocuparam até os mínimos detalhes. No barroco, a arquitetura, a pintura e a escultura se entrelaçaram formando um conjunto artístico nunca visto antes. [479]
Todas essas e outras características fizeram do barroco um estilo requintado, uma arte magnífica, ilusionista. Muitas igrejas foram feitas esse estilo como, por exemplo, a Basílica dos Quatorze Santos Auxiliares, no sul da Alemanha; [480] a Catedral de Santiago de Compostela, onde os estilos românico, renascentista e barroco se encontraram; [481] a Catedral Metropolitana da Cidade do México, sendo uma mistura de gótico, barroco e neoclássico, [482] o Baldaquim de São Pedro, na Basílica de São Pedro no Vaticano, [483] além de muitas outras obras dentro e fora da Europa, inclusive no Brasil. [484]
Toda essa arte barroca extravagante, espantosa, visual é de cair o queixo. Esse conjunto de artes ricas, detalhista, ilusionista, carregando consigo um clero bem vestido, com cores litúrgicas, celebrando uma liturgia rebuscada de formalidades, tudo isso transformou o evangelho numa mera obra de arte, que apesar de toda essa riqueza, não foi capaz de saciar a fome espiritual das pessoas. Os encantos do barroco também contribuíram muito para que as pessoas continuassem presas nos templos, fazendo muitas coisas que Jesus nunca mandou fazer.
O evangelho original não é uma obra de arte, nem uma ilusão dentro de paredes requintadas, mas uma realidade para ser vivida cá fora, no dia a dia. Respeitemos a rica arquitetura histórica das igrejas, mas o bom mesmo é resgatar o evangelho original, que se ofuscou nos rebuscados das igrejas templos.
As igrejas da arquitetura rococó

A arquitetura barroca foi se tornando cada vez mais apurada, virando o que ficou conhecido como estilo rococó ou barroco tardio. Dessa forma, o evangelho arquitetônico vai se tornar ainda mais requintado e teatral. [485]
O estilo rococó começou na França na década de 1730, de onde s espalhou por toda Europa e outras partes do mundo cristão, indo até meados do século XIX. [486] Surgiram muitos elementos decorativos, incluindo conchas, laços, flores, folhagens, frutas, instrumentos musicais, anjo, elementos orientais, procurando fugir simetria em vários pontos. [487] [488]
Apesar de ser parecido com o barroco, sendo uma evolução deste, o rococó possuiu algumas características exclusivas marcantes como: linhas e curvas graciosas sem se preocupar com a simetria; muitas curvas assimétricas em forma de “C”; ouso de flores na ornamentação; cores mais suaves. [489]
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares em Recife, Pernambuco, Brasil; [490] a Basílica dos Quatorze Santos Auxiliares na Baviera, sul da Alemanha; [491] a Basílica de Santo Domingo, Lima; [492]a Igreja de Santa Cruz dos Militares da cidade do Rio de Janeiro; [493]Muitas outras ainda se encontram pelo mundo, inclusive no Brasil. [494]
O rococó, assim como o barroco, encantou com o seu rebuscado, deixando as pessoas dependentes ainda mais, das igrejas templos.
Precisamos melhorar, não exatamente uma igreja templo com um estilo arquitetônico cada vez mais apurado. Mas é necessário sermos uma igreja de verdade, fazendo com que a nossa vida, o nosso espirito seja cada vez mais digno de ser o verdadeiro templo vivo do Espírito do soberano Deus. Toda arte rebuscada tem o seu valor. Mas o valor maior está muito além, na esfera espiritual, muito mais belo do que qualquer efeito visual artístico.
As igrejas da arquitetura revivalista

Enquanto diversas pessoas defendiam o estilo rococó, outros preferiram resgatar a arquitetura do passado. Isso aconteceu a partir de meados do século XVIII e no século XIX, afetando as novas construções, incluindo, claro, as igrejas. Estamos falando do revivalismo arquitetônico, quando vários estilos do passado foram revividos.[495]
Estilo neoclássico. A partir do século VII antes de Cristo, desenvolveu-se a arquitetura grega. [496] Entre os séculos V antes de Cristo e IV depois de Cristo, desenvolveu-se a arquitetura romana, influenciada pela grega. [497] Muitos séculos depois, em meado do século XVIII até o século XIX, diversas pessoas, tentando apagar os traços do barroco e do rococó, resolveram resgatar o antigo estilo clássico greco-romano mais uma vez, fazendo surgir a arquitetura neoclássica na Europa e em outras partes do mundo ocidental. [498] [499] Muitas construções, incluindo igrejas, ganharam uma aparência clássica, como os antigo s edifícios greco-romanos. [500] A Catedral ortodoxa de Santo Isaac na cidade russa de São Petersburgo, [501] a Catedral de São Paulo em Londres, [502] a Igreja de Nossa Senhora da Candelária na cidade do Rio de Janeiro, [503] a Basílica de São João de Latrão em Roma, [504] Igreja de Santa Maria Madalena em Paris, [505] a igreja da paróquia da cidade de San José Iturbide no México, [506] dentro outras, são alguns exemplos de igrejas templos nesse estilo.
Estilo neogótico. Também em meados do século XVIII e século XIX, foi a vez do estilo neogótico, [507] que procurou resgatar o estilo gótico que havia florescido entre os séculos XII e XVI, como já vimos noutro estudo. [508] Diante do evangelicalismo dos protestantes [509] e das Revolução Industrial, [510] surgiram aqueles que defenderam que a época do gótico era a época de ouro que precisa ser reconquistada. [511] E assim, mais um movimento artístico invade o todo o mundo, mudando o estilo das construções, incluindo muitas igrejas como: a Catedral Basílica de São João Batista, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, [512] a Basílica de Nossa Senhora da Imaculada Conceição em Guelph, Ontário, Canadá, [513] a Basílica de Santa Clotilde em Paris, na França, [514] a Catedral de La Plata em La Plata, Argentina, [515] a Catedral do Sagrado Coração em Bendigo, Victoria, Austrália, [516] a Catedral do Sagrado Coração de Jesus em Cantão China [517] além de muitas outras. No Brasil, dentre outras, a famosa Catedral Metropolitana de São Paulo ou Catedral da Sé. [518]
Estilo neorromânico. Como já vimos noutro estudo, no final do século X ao século XII, houve o predomínio da arquitetura românica. No século XIX e XX, outros procuraram resgatar esse estilo românico. Como o neoclássico e o neogótico, o neorromânico também se espalhou pela Europa e outras partes do mundo. [519] A Catedral de Manila nas Filipinas, [520] a Basílica-Catedral de São João Batista em São João, Terra Nova e Labrador, no Canadá, [521] a Igreja Católica da Santíssima Trindade em Shreveport, Louisiana, Estados Unidos, [522] a Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington, DC, Estados Unidos, [523] a Catedral de são Pedro e são Paulo, em Lubumbashi, na República Democrática do Congo. [524] No Brasil, dentre outras, podemos destacar a Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, no Estado de São Paulo, cuja construção foi iniciada em 1946. [525]. Mais uma vez, a valorização da arquitetura romana.
Estilo neorenascimento. Como já vimos também em outro estuo, no início do século XIV, indo até o século XVII, predominou a arquitetura renascentista, fazendo renascerem a cultura e a arte da Grécia e da Roma antigas, incluindo a arquitetura. [526] [527] No século XIX, as pessoas procuraram trazer de volta o estilo greco-romano vivido na época do renascimento. [528] A Basílica de Santo Estêvão em Budapeste, Hungria, [529] a Igreja de São João de Chicago, [530] a Basílica da Penha em Recife, Pernambuco, Brasil são exemplos de igrejas neorrenascentistas. [531]
Estilo neobarroco. Não muito distante, como já vimos, século XVII teve início a arquitetura barroca, evoluindo para o estilo rococó (barroco tardio) século XVIII, indo até meados do século XIX. [532] [533] No final do século XIX, surge então um movimento para manter o estilo barroco de pé, conhecido como arquitetura neobarroca. [534] A Catedral de Salta, Argentina, [535] a Basílica de São Nicolau em Amsterdã, Países Baixos, [536] a Catedral de Berlim. [537]
Resgataram toda arquitetura histórica, preservando o evangelho arquitetônico das igrejas templos. Tudo ficou maravilhoso na esfera das construções. Mas o que realmente precisamos é resgatar a verdadeira igreja espiritual do século primeiro. O respeito a todas as construções sagradas de cada estilo é importante. Mas acima de tudo, muito além de toda sofisticação arquitetônica, precisamos do verdadeiro evangelho que tem que ser vivido em qualquer lugar, fazendo de cada um de nós um templo da melhor qualidade.
As igrejas da arquitetura russa

Os estilos arquitetônicos vistos anteriormente não atingiram todos os lugares do mundo na mesma proporção. Em alguns lugares, surgiram algumas particularidades marcantes. Foi o caso da Rússia com suas cúpulas exóticas.
Antes do século X, tribos eslavas do leste Europeu formaram uma confederação conhecida como Rus' de Kiev ou Rússia de Queve. [538] No século XIII, o Império Mongol conquistou a região, formando o Grão-Ducado de Moscou (Moscóvia). [539] [540] Em 1480, sob o comando do czar Ivan III, a região ganhou sua independência, formando o Grão-Ducado de Moscou ou Moscovita Rússia. [541] [542]Nessa região igrejas diferentes de outras regiões da Europa vão surgir.
Influência bizantina com inovações. O cristianismo entrou nas terras russas por volta do ano 988. A partir de então, igrejas basicamente de madeiras foram erguidas. Suas igrejas, com algumas influências da arquitetura bizantina, porém com inovações locais. [543] Nos séculos seguintes, ainda na Idade Média, igrejas pequenas, médias e grandes catedrais foram construídas. [544] Como nas igrejas bizantinas, essas igrejas russas também foram decoradas com decoradas com afrescos e mosaicos. [545]
Cúpulas exóticas. As cúpulas das igrejas russas têm um diferencial importante. Na maioria das vezes, foram fitas em forma de cebola, sendo de dourada, com uma ou diversas cores. [546] Igrejas com uma, três, cinco ou mais cúpulas foram erguidas. [547] A Catedral de Santa Sofia em Kiev foi erguida com treze cúpulas no século XI. [548] A Catedral de Santa Sofia em Novgorod, construída também no século XI recebeu cinco cúpulas. [549] Construída no século XVI, na Praça Vermelha de Moscou, a Catedral de São Basílio recebeu nove cúpulas, cada uma com cores variadas, e forma de cebola, além dos detalhes decorativos. [550] No século XVII, a Igreja de São João Batista em Yaroslavl recebeu 15 cúpulas. [551] A Igreja da Transfiguração em Kizhi do início do século XVIII, 22 cúpulas. [552] A Igreja da Intercessão da Santíssima Mãe de Deus em Vytegvin com vinte e quatro cúpulas foi mais um exagero do século XVIII. [553] Isso virou tradição por lá.
Telhados em forma de tenda. Em 1530, surge igrejas com telhados em forma de tenda, formando torres com declives acentuados. [554] [555] No século XVI, a Igreja da Ascensão em Kolomenskoye foi erguida com telhado desse tipo. [556]
O barroco influenciou a Rússia entre os séculos XVI e XVIII. [557] A Catedral de São Pedro e São Paulo, São Petersburgo, com sua enorme torre dourada de 123 metros [558] e Grande Igreja do Palácio Peterhof [559]são alguns exemplos da arquitetura barroca naquelas terras.
Entre os séculos XVIII e XVIX, o neoclássico também influenciou a arquitetura russa. [560] [561] A Catedral de Cristo Salvador em Moscou, [562] a Catedral de Santo Isaac em São Petersburgo, [563] além de outras, são exemplos de arquitetura. Apesar disso, a marca registrada das igrejas russas são aquelas vistas anteriormente.
A Rússia conheceu o evangelho arquitetônico e o moldou ao seu gosto local. Suas igrejas merecem o nosso respeito e admiração. Mas apesar de todas obras altaneiras no meio da neve russa, precisamos dizer que o evangelho puro está muito acima das mais altas cúpulas. Precisamos da grandiosidade e da simplicidade da verdadeira igreja do século primeiro.
As igrejas das arquiteturas moderna e pós-moderna

O século XIX, com seus estilos revivalistas, se aproximam do fim. E um novo estilo entra no cenário arquitetônico. Estamos falando do estilo moderno, também chamado de estilo racionalista, que começou no final desse século, na Europa. A partir de então, enquanto muitos arranha-céus brotavam da terra, [564] muitas igrejas foram construídas dentro dessa tendência. [565]
O estilo moderno trouxe novas técnicas de construção, principalmente em relação ao uso de aço e concreto armado e uma nova forma de usar o vidro, possibilitando a construção de prédios mais altos, com muitos andares. [566] Esse estilo defendia alguns pontos básicos. Funcionalismo. Os edifícios devem ser projetados com base exclusivamente no propósito e na função do edifício. [567] Isso quer dizer que não tem sentido construir coisas sem nenhuma função necessária. Minimalismo. Em vez daquele arsenal de elementos desnecessários como nos estilos anteriores, o estilo moderno apelava para a simplicidade, com o mínimo de objetos, mais espaço e mais luz. [568] Ornamento. Em vez de uma construção decorada de forma rebuscada como o estilo gótico e a arquitetura Art Nouveau, a ideia era menos decorações. [569]
Em 1909, em Malines, na Bélgica, houve uma conferência, dando ao cristianismo uma nova concepção de igreja templo. A construção de uma igreja deveria apenas ter um objetivo prático, que era de dar abrigo aos fiéis. Dessa forma, todo misticismo criado nos estilos anteriores foi abandonado. [570]
Dentro da arquitetura moderna, podemos destacar dois movimentos. Primeiro, o estilo internacional, que se espalhou pelo mundo todo, com edifícios por todas as cidades, tornando-se o modelo dominante´. Esse e o estilo que pode ser visto por todos os lados hoje em dia. [571] Muitas igrejas evangélicas novas que surgiram depois do século XVIII construíram suas igrejas templos nesse estilo mais simples. Segundo, a arquitetura expressionista, que procurou a construção de edifícios incomuns, exóticos, com certas distorções, fazendo do edifício uma obra de arte. Muitas novas igrejas vão ser edificadas dentro dessa linha da arquitetura moderna. [572] A Igreja de Grundtvig em Copenhague, na Dinamarca, [573] a Capela de Notre-Dame-du-Haut em Haute-Saône, na França, [574] a Catedral de Brasília, [575] a Igreja de São Francisco de Assis na região da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, [576] Igreja de St. Martin em Idstein, Rheingau-Taunus-Kreis, na Alemanha, [577] a Abadia de São João em Minnesota, Estados Unidos, [578] a Catedral Metropolitana de Liverpool, no norte da Inglaterra, [579] são alguns exemplos de igrejas modernas.
Em 1960, surgiu a arquitetura pós-moderna reagindo contra a austeridade, formalidade e falta de variedade da arquitetura moderna, sem ornamentos, principalmente no estilo internacional. Esse movimento foi até 1990, e edifícios mais elegantes passaram a ser construídos. [580] Essa nova tendência, na virada do século, depois de 1990, abriu espaço para muitas outras novas tendências, dentre elas: arquitetura de alta tecnologia, se utilizando de tecnologias modernas; [581] neofuturismo, criando edifícios com uma estética futurista elegante; [582]e desconstrutivismo, apresentando construções exóticas como se fossem edifícios fragmentados, sem harmonia, continuidade ou simetria.. [583] [584]
Cada novo estilo dentro da arquitetura moderna é um novo caminho para uma nova igreja templo. Mas precisamos acordar de vez, para entender que não podemos continuar gastando rios de dinheiro, correndo atrás de tendências que fazem do evangelho algo meramente artístico e arquitetônico e muito caro. Precisamos voltar à igreja simples do primeiro século.
As igrejas da arquitetura eclética

Enquanto diversas pessoas desejaram resgatar os modelos arquitetônicos do passado ou criar novos modelos, outros, porém, decidiram misturar, aproveitando um pouco de cada estilo. Assim surgiu a arquitetura eclética, chegando até o meio eclesiástico. [585]
Esse estilo aconteceu entre os séculos XIX e XX, mas também podemos dizer que, mesmo em menor grau, tenha ocorrido antes.
Estilo brâncovenesc. Esse estilo arquitetônico surgiu na Valáquia, no atual sul da Romênia, no final do século XVII, indo até o e início do século XVIII. Esse estilo foi uma síntese entre a arquitetura bizantina, otomana, renascentista tardia e barroca. [586] A grande igreja do Mosteiro do Sinai [587] e a Igreja Kretzulescu em Bucareste, Romênia, [588] são exemplos desse estilo.
Arquitetura Beaux-Arts (Belas Artes). Esse estilo surgiu na França, no século XIX, a partir de 1830 até o fim desse século. Foi uma mistura de neoclassicismo, com elementos góticos e renascentistas, usando materiais modernos como ferro e vidro. Em menos de um século, se espalhou por toda Europa, Américas, África, Ásia e Oceania. [589] A Catedral Metropolitana de São Paulo, os estilos neogótico e renascentista se fazem presentes no estilo Beaux-Arts. Fo projetada pelo arquiteto francês Emmanuel Louis Masqueray, formado na Ecole des Beaux Arts de Paris, [590] [591]
Arte Nova (Art Nouveau. Como uma reação contra a arte do século XIX, surgiu, na virada do século XIX para o século XXI, a Arte Nova (Art Nouveau), que também influenciou a arquitetura. Iniciou-se na França e na Bélgica em 1890, se espalhando por toda Europa e pelo resto do mundo. [592] [593] Esse novo estilo de arte, aliado às novidades da época, deu ao seu curto período de tempo de A Belle Époque (expressão francesa que significa bela época), que deixou de ser bela com a Primeira Guerra Mundial. [594]
Foi uma arquitetura bastante decorativa. Usava ornamentos em forma de flores, ramos, linhas curvas e esculturas, dando ao edifício uma visão artística bela. [595] Ferro, vidro, cerâmica e posteriormente concreto foram usados. Janelas, portas, grades de ferro, telhado, tudo ganhou curvas elegantes, acabando com as linhas retas.[596]Apesar do pouco tempo, algumas igrejas [597]foram construídas sob influência desse estilo. A Basílica de da Sagrada Família em Barcelona na Espanha, dentro da sua arquitetura eclética, o renascimento, o gótico, o modernismo e a Art Nouveau se encontraram. [598]
Art déco. Esse estilo começou na França antes da Primeira Guerra Mundial, na primeira década do século XX. Logo em seguida, depois da guerra, se espalhou pela Europa e pelo mundo. Dentro da modernidade, usou concreto armado, vidro, aço, cromo, rejeitando os modelos históricos tradicionais. Decoração e cor foram usados com abundância. Lojas, cinemas, arranha-céu, prédios públicos foram erguidos dentro dessa linha. [599] [600] Igrejas também entraram nessa onda. A Igreja de São Geraldo Porto Alegre, Rio Grande do Sul; [601] a Catedral de São Pedro em Rabat, Marrocos; [602] a Basílica do Sagrado Coração, Bruxelas, Bélgica [603] além de muitas outras [604] são exemplos dessa arquitetura.
Muitas igrejas carregando diversos estilos são vistas por aí. Mas o que realmente precisamos é de seguir um estilo de vida, onde cada um de nós seja um templo vivo, seguindo o que Jesus realmente nos ensinou. Portanto, apesar do respeito que devemos ter com essas igrejas ecléticas, precisamos nos purificar, buscando a pureza do evangelho original, longe de todo ecletismo sem necessidade.
A prostituição cultual nas praças e nos lugares altos

Grande parte das igrejas templo do cristianismo foram construídas em lugares altos ou em praças, destacando-se nas cidades ou mesmo nos lugares ermos, cada uma dedicada a um santo ou santa.
Através do profeta Ezequiel, o soberano Deus disse que o povo de Israel estava construindo locais de culto a outros deuses em cada praça, cometendo prostituição cultual, adulterando com esses outros deuses. (Ezequiel 16-23-34.)
No cristianismo, esse pecado tem se repetido. Igrejas templos têm sido construídas em muitas praças, dedicadas a outras pessoas, além do eterno Deus.
O que ele diria hoje? Será que a igreja não está adulterando culturalmente contra ele em cada praça?
Outras igrejas também trilharam o evangelho da arquitetura

Mostramos, anteriormente, que as igrejas tradicionais do Ocidente e do Oriente edificaram muitos templos em diversos estilos requintados. E as novas igrejas que surgiram depois do século V, após o Concílio de Éfeso e o Concílio de Calcedônia, os milhares que surgiram ao longo dos séculos, após a Reforma protestante no século XVI? Elas se libertaram disso?
Não! Elas trilharam um caminho com diversas mudanças nas doutrinas e na liturgia, mas preservaram muitas outras coisas. E o uso de igrejas-templos foi um dos costumes tradicionais que a Igreja do Oriente (nestoriana);as Igrejas não calcedonianas (ortodoxas orientais), as igrejas protestantes, igrejas católicas sui juris, igrejas evangélicas não pentecostais, pentecostais e neopentecostais, igrejas veterocatólicas, todas tiveram e ainda têm as suas igrejas templos, e diversas pessoas de acordo com este ou aquele estilo,
Veja alguns exemplos: Catedral de Cristo Salvador em Moscou na Rússia, no estilo renascimento Russo, pertence à Igreja Ortodoxa. [605] Igreja da Virgem Maria da Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria, conhecida como Igreja Suspensa, erguida no estilo brasiliano. [606]. Catedral Copta Ortodoxa de São Marcos no Cairo, Egito, no estilo cóptico. [607] Catedral de Helsínquia na Finlândia da Igreja Luterana, no estilo neoclássico. [608] A Igreja de Nossa Senhora em Dresden, na Alemanha, também da Igreja Luterana, no estilo barroco. [609] Igreja de São Miguel em Hamburgo, Alemanha, também da Igreja Luterana, no estilo barroco. [610] Quarta Igreja Presbiteriana em Chigago, Estados Unidos, edificado de acordo com o renascimento gótico. [611] Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, no Brasil, dentro dos padrões do neogótico. [612] Igreja Metodista Central Hall em Westminster, Inglaterra, tem arquitetura barroca e eduardiana. [613] Catedral de Berlim na Alemanha nos estilos renascentista e barroca, pertencente à União Prussiana de Igrejas. [614] Primeira Igreja Batista na América em Providence, Rhode Island, Estados Unidos, etilo georgiano. [615] Catedral Nacional de Washington, DC, Estados Unidos, da Igreja Episcopal, no estilo neogótico. [616] A Primeira Igreja Unitária em Rochester, Nova York, Estados Unidos da Associação Universalista Unitária tem seu estilo moderno. [617] Igreja Memorial Kaiser Wilhelm em Berlim, na Alemanha, nos estilos neorromânico (original) e modernista (atual), pertencente à Igreja Evangélica em Berlim, Brandemburgo e na Alta Lusácia da Silésia. [618]
Entre as maiores igrejas do mundo, se encontram algumas que são protestantes. No Brasil, em 2011, uma denominação famosa resolveu investir centenas de milhões na construção de um templo que diz ser uma réplica do templo de Salomão. [619] Outra igreja concorrente decidiu edificar um local sagrado com capacidade para abrigar cerca de 150 mil fiéis. [620] Na Coréia, uma igreja comporta mais de 200 mil pessoas. [621]
As inúmeras igrejas que surgiram como filhas da Igreja Romana, todas têm a tradição de construírem templos. Até mesmo aqueles que defendem a Sola scriptura, dizendo que têm apenas as Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática, na verdade, também seguem a tradição, pelo menos em parte. A tradição das igrejas templos nos diversos estilos são um exemplo disso.
Apesar da simplicidade de muitas igrejas, muitas outras foram erguidas dentro de certos estilos requintados. Como podemos ver, essa tradição foi passada de igreja para igreja, como uma espécie de DNA. Por isso, precisamos nascer de novo, dentro dos princípios do evangelho original. Devemos respeitar todas as igrejas templos de todas as igrejas denominacionais, de todos os estilos, de todos os lugares. Porém precisamos ser igreja no modelo original.
O uso de sinos

Vemos sinos badalando nas torres em muitas igrejas. Por que eles estão lá? Vamos ver isso nesse estudo.
Sinos são instrumentos metálicos, na maioria feitos de bronze, em forma de uma taça invertida, que é batido com um badalo interno ou com um martelo externo, fazendo soar um som grave, agudo ou intermediário, de acordo com o seu tamanho e espessura. Os menores, com sons mais agudos, são chamados especificamente de campainhas ou sinetas. [622]
Os sinos são usados desde a Antiguidade. Nas antigas civilizações chinesas e indianas, o sino já era usado como elemento religioso. Babilônios, egípcios, gregos e romanos também usavam sinos. [623]
Na Bíblia, no Antigo Testamento, encontramos apenas os sininhos pendurados na roupa do sumo sacerdote. Segundo o livro do Êxodo, foi ordenado que o sumo sacerdote vestisse uma túnica, com uma espécie de manto por cima dela, chamado de manto do éfode ou sobrepeliz. Na barra desse manto, deveriam ser pendurados vários sininhos de ouro, juntamente com aplicações em forma de romãs, feitas de lã azul, púrpura e vermelha. Ele devia usar esse paramento com sininhos sempre que estivesse atuando no tabernáculo. (Êxodo 28:31-35; 39.25-26.)
No Novo Testamento, nem Jesus e nem os apóstolos disseram nada sobre o uso de sinos. Vemos apenas uma citação do apóstolo Paulo que, falando sobre os dons espirituais, disse, segundo algumas traduções, que ainda que ele pudesse ter o dom de falar todas as línguas que são faladas na terra pelos diversos povos e até no céu pelos anjos e não tivesse amor ou caridade, as suas palavras seriam como o som de um metal ou de um sino. Em outras palavras, seriam línguas sem valor algum. (Coríntios 13:1.) Aliás, só pra não deixar passar em branco, encontramos diversas pessoas pentecostais falando línguas estranhas, todavia, vivendo sem amor. São pessoas vazias como sinos, emitindo sons que não servem pra nada. Afinal sem amor, o principal mandamento, tudo perde o sentido.
Apesar dos ensinos de Jesus não falarem nada sobre o uso de sinos, eles acabaram surgindo nas igrejas. Segundo o enciclopedista e Doutor da Igreja Isidoro de Sevilha (560-636), o sino como é conhecido hoje nas igrejas teria surgido em Nola, na região de Campânia, no sul da Itália. Por isso, os locais onde os sinos são colocados são chamados de campanários, e os sinos são chamados de campainhas. [624] No início do século V, o bispo Paulino de Nola (354-431) teria usado um sino em sua catedral. [625]
São Gregório de Tours (538-594), que viveu no século VI, falou muito sobre o uso de sinos nas igrejas, demonstrando que eles já estavam lá. Nessa época, nos mosteiros beneditinos, eles eram usados para convocarem os monges para as orações.[626] [627] Depois do século VIII, com o surgimento das igrejas em estilos românico, torres cada vez maiores passaram a ser construídas, contendo campanário com sinos. [628] Nessa época, o Papa Estevão II (715-757) mandou construir uma torre na Basílica de são Pedro em Roma, onde foram colocados três sinos. A partir daí, principalmente depois do século IX, as diversas catedrais e igrejas acabaram adotando o uso de torres com sinos. [629]
É bom lembrar que os sinos, no princípio, eram usados para alertarem as pessoas sobre algum evento da igreja. Era apenas uma invenção útil. Mas com o tempo, o seu uso se encheu de misticismo e acabou virando uma espécie objeto sagrado. Surgiu a crença que o seu toque podia afastar tempestades e maus espíritos. Ainda dentro do misticismo, surgiu então o ritual para a bênção do sino. O bispo benzia água com sal e aspergia o sino com ela. Em seguida, os diáconos o lavavam com água benta e o enxugavam. Na sequência, o bispo o ungia com óleos sagrados, fazendo, com eles, o sinal da cruz sobre o metal. Sete do lado de fora com o óleo dos enfermos e quatro do lado de dentro com o óleo da crisma. Depois era colocado incenso e outros perfumes no turíbulo, que era colocado sob ele, enchendo-o de fumaça cheirosa. Orações e salmos também eram recitados nesse ritual. Esse ritual se tornou uma norma. [630]
Podemos dizer que o uso do sino abrilhantou as cerimônias da igreja. Mas o misticismo e os rituais em cima dele não têm nada a ver com o evangelho original de Jesus. Não deixa de ser mais um daqueles elementos que preenchem a vida dos fiéis com coisas que na verdade os distanciam do verdadeiro evangelho. Precisamos deixar de lado muitas coisas que jamais mudarão o mundo. Devemos abandonar tudo que possa distrair e engabelar os cristãos, encarecendo a obra de Deus., ofuscando a verdadeira verdade.
As classes de igrejas templos

As igrejas templos, além dos diversos estilos arquitetônicos, elas também são de diversos tamanhos, de acordo com os locais onde se encontram. Também possuem títulos diferentes. Vamos falar um pouco sobre isso.
Capelas ou ermidas. São pequenas igrejas, que não são sede da paróquia ou locais sagrados de hospitais, presídios, escolas, palácios, etc. [631], [632]
Paróquias ou matrizes. São os templos principais de uma localidade servida por um padre, chamado de pároco. [633]
Igreja abadial. Uma abadia é um tipo de mosteiro usado por membros de uma ordem religiosa sob a direção de um abade ou abadessa. Junto a essas abadias sempre existe uma igreja, chamada de igreja abadial. [634]
Catedrais. São as igrejas, onde está o trono (cátedra em latim) do bispo da diocese. É uma espécie de matriz diocesana. [635]
Cocatedrais. Uma cocatedral é uma igreja catedral que compartilha a função de ser a sede do bispo, ou cátedra, com outra catedral. [636]
Pró-catedrais. Uma pró-catedral é uma igreja paroquial que serve temporariamente como catedral. [637]
Segundo o site gcatholic. Org, no mundo todo, no catolicismo, existiam até a data do relatório: 3062 catedrais, 328 cocatedrais, 502 antigas catedrais, 52 pró-catedrais [638]
Basílicas. Os edifícios em que os antigos cidadãos romanos tratavam de assuntos públicos, jurídicos ou de negócios eram chamados de basílicas. As primeiras igrejas foram construídas de acordo com o estilo das basílicas romanas. Hoje algumas igrejas históricas e importantes ganharam o título honorífico de basílicas. [639], [640]
Basílicas maiores ou basílicas papais. A Basílica de São Pedro no Vaticano, que é a igreja sede do catolicismo romano; [641] a Basílica de São João de Latrão em Roma, que é a sede da diocese de Roma; [642]a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, também em Roma; [643] Basílica de Santa Maria Maior, também em Roma. [644] [645]
Basílicas menores. Muitas outras basílicas espalhadas pelo mundo são consideradas como basílicas menores. [646] Essas também são divididas em algumas classes: basílicas papais menores; basílicas pontifícias menores, basílicas patriarcais menores e basílicas de peregrinação. [647]
Basílicas papais menores. Basílica de São Lourenço Fora dos Muros em
Roma; [648] Basílica de São Francisco de Assis em Assis, Itália; [649] Santa Maria dos Anjos também em Assis. [650] [651]
Basílicas pontifícias menores. São cinco: Basílica Pontifícia de Nossa Senhora do Rosário, Pompéia, sudoeste da Itália; [652] Basílica Pontifícia de São Nicolau, Bari, sul da Itália; [653] Basílica Pontifícia de Santo Antônio, Pádua, norte da Itália; [654] Basílica Pontifícia da Santa Casa, Loreto, no centro-leste da Itália; [655] Basílica Pontifícia de São Miguel, Madrid, na região central da Espanha. [656] [657]
Basílicas patriarcais menores. São duas: Basílica da Catedral Patriarcal de São Marcos em Veneza, nordeste da Itália; [658] e a Basílica di Santa Maria Assunta, Aquileia, também no nordeste da Itália. [659].[660]
Basílicas de peregrinação. Segundo um relatório do site gcatholic.org de 31/12/2019, eram mais de 1800 basílicas em todo o mundo, sendo a maioria na Europa, mais de 1300, sendo a maioria estão na Itália (578), França (173), Polônia (155) e Espanha (127.) No Brasil, 74, incluindo a Basílica de Aparecida. [661] [662]
As megaigrejas. Na cidade de Ulm, na Alemanha, com 161,5 m de altura, se encontra um dos maiores templos do mundo, uma igreja gótica protestante, construída no século XIX. [663] Na Inglaterra, a Catedral de Lincoln, com 159,7 m de altura, edificada no início do século XIV, foi o edifício mais alto do mundo entre 1311 e 1549. [664] Outros templos gigantescos são a Basílica de Nossa Senhora da Paz na Costa do Marfim com 158 m, [665] a Catedral de Colônia na Alemanha com 157,4 m, [666] dentre outros.
Outras denominações eclesiásticas, além da Igreja Católica, também costumam ter certas classificações. Mas não entrar em mais detalhes.
Tudo isso, como organização religiosa é uma maravilha. Uma estrutura templária muito bem distribuída, formando uma hierarquia eclesiástica de cari o queixo. Mas com todo respeito, somos obrigados a dizer a verdade. E a verdade é que Jesus Cristo não tem nada a ver com tudo isso, pois a sua igreja, conforme vemos no primeiro século, não é uma organização religiosa, mas um grupo de pessoas livres de tudo isso.
A mistificação das igrejas templos

O que significa a igreja de cimento, pedra, tijolos e telhas para você? Um local de encontros ou um ambiente místico?
Ter um lugar modesto para reuniões não é nenhum problema em si. O problema começa quando as pessoas resolvem transformar o lugar no local místico. Por isso, diversas pessoas tratam essas construções como se fossem os antigos templos sagrados, onde as pessoas procuravam seus sacerdotes para poderem ter acesso a alguma divindade. Hoje diversas pessoas procuram esses locais como se o pastor fosse um sacerdote para ser mediador entre elas e Deus.
Peregrinação. A supervalorização de certos locais costuma ir aos extremos, a ponto de pessoas viajarem centenas de quilômetros, em busca de certas igrejas templos, onde acham que ali terão mais bênção, mais poder, mais aceso ao divino. Não conseguem entender que o onipresente Deus está em todo lugar. Creem que em certos lugares terão bênçãos especiais. Muitos são os locais de peregrinação. [667] [668] Jesus ensinou que não existe um local específico para buscar o soberano Deus. (João 4:19-24.) Pode ser até mesmo o nosso quarto. (Mateus 6:6.)
Sacrifícios. Muitas pessoas consideram que os cultos no templo são uma espécie de sacrifícios que podem aplacar a ira de Deus ou que podem produzir bênçãos. Por isso, diversas pessoas fazem suas penitências nesses locais. Não sabem ou se esquecem que o sacrifício de Jesus é único e eterno. (Hebreus 10:12.)
Promessas. Muitas pessoas querem alcançar certas bênçãos especiais e, por isso, fazem promessas relacionadas a certas igrejas. Prometem ir nesse ou naquele santuário para fazer um ato penitencial e levar uma oferta. Mas o todo poderoso Deus não precisa de nada, pois tudo é dele. (Deuteronômio 10:14; Atos 17:25, etc.) Por outro lado, oferecem coisas para outras pessoas, como santos e Maria, violando o mandamento divino que Jesus deixou dizendo que somente podemos adorar e servir o Senhor Deus. (Mateus 4:10.)
Penitências. As pessoas costumam realizar penitências de vários tipos em agradecimento pelo que recebeu ou para tentar receber algo mais. Andam muitos metros de joelhos, carregam cruz.
Ex-votos. Muitas pessoas procuram criar ex-votos, que são uma espécie de presentes oferecidos pelo fiel ao seu santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa. pinturas ou desenhos, figuras esculpidas em madeira, modeladas em argila ou moldadas em cera, muitas vezes representando partes do corpo que estavam adoecidas e foram curadas. Dessa forma, em certas igrejas, acabam prestando cultos a outras pessoas no lugar do soberano Deus.
As campanhas de milagres. Outras igrejas também não ficam de fora desse misticismo. Muitas pessoas acreditam que vão conseguir essa ou aquela bênção especial se forem nessa ou naquela igreja, em busca de um elemento místico oferecido pelo pastor, geralmente em troca de uma boa oferta. Muitas igrejas neopentecostais se tornaram santuários especiais para diversas pessoas.
A reverência extremada. As pessoas não entendem que elas precisam ser templo em todo lugar. Porém, diversas pessoas reverenciam bastante a igreja templo, mas fora dali, elas “pintam e bordam”, como se estivesse longe do soberano Deus. Algumas denominações até exigem a retirada dos calçados antes das pessoas entrarem em seus templos. Somente podem colocar pés descalços no piso sagrado. As pessoas procuram vestir roupas especiais para irem nesses locais, achando que o cristão pode vestir qualquer roupa em outros locais, mas ali, tem que ser especial. Os calvinistas e puritanos implantaram uma rígida disciplina nos templos protestantes. Esse costume fez com que a maioria das igrejas protestantes e evangélicas posteriores adotassem essa ideia de templo sagrado digno de toda reverência, como se o cristão, no seu dia a dia, em todo lugar, não estivesse diante do Deus onipresente. [669] A reverência precisa acontecer em todo o lugar, pois somos (ou deveríamos ser) templos em toda parte.
Casa do Senhor. Para esses, buscar a Deus em outros locais não é algo tão importante quanto nesse lugar chamado de “Casa do Senhor”, “Casa de Deus”, “Santuário do Senhor”. Entretanto, a Bíblia deixa claro que “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;” (Atos 17:24; 7:48.) Ele quer habitar em nós, por meio do seu Espírito. (João 14:23; 1 Coríntios 3:16-17; 6:19; 2 Coríntios 6.16-18; 1 Pedro 1:15-16; 2:5.)
Com toda essa mistificação, as pessoas não conseguem imaginar na possibilidade de ser cristãos sem templos. Para essas, uma pessoa pode produzir os melhores frutos em abundância, mas se não for num templo, é visto como um desprezível desigrejado, um ser abjeto. Supervalorizam edifícios que Jesus nunca mandou construir e desprezam os verdadeiros templos, que são os verdadeiros cristãos. Precisamos aprender a sermos templos da melhor qualidade, no melhor estilo, segundo as Escrituras. Chega desse misticismo em cima de construções moldadas nos diversos estilos arquitetônicos.
O alto custo do evangelho templário

O cristianismo ficou abarrotado de santuários simples e luxuosos, encarecendo e dificultando a obra de evangelização. Transformaram a obra de Deus em obras de construções e de arte. Tudo seria maravilhoso se, com tudo isso, não fossem gastos rios de dinheiro, enquanto diversas pessoas morrem de fome, sem teto, sem roupa...
Jesus deu a igreja a missão de evangelizar todo o mundo. (Mateus 28:19; Atos 1:8, etc.) Isso não seria tão difícil como tem sido. No entanto, quando se fala em evangelismo e missão, as pessoas logo pensam em alugar ou construir um local para liturgias. Dessa forma, a necessidade financeira surge de imediato.
Paulo sem carro, sem avião, trem, telefone, televisão, rádio, Internet e tantas outras tecnologias que temos hoje, conseguiu evangelizar uma vasta região do mundo antigo, numa distância reta de mais de 2300 quilômetros, entre Europa e Oriente Médio. [670] Hoje, as igrejas estão movimentando rios de dinheiro, têm meios de transporte e de comunicação sofisticados, e ainda não conseguiram, de fato, evangelizar o mundo todo. Isso acontece porque pregam um evangelho caro, financeiramente falando.
Os custos das igrejas templos são muito altos. A construção, a manutenção, as despesas com água, luz, telefone, conservação, limpeza, funcionários, etc. geram uma despesa enorme. Imagine quando custa uma construção com o lote de mil metros quadrados. Imagine se essa igreja receber um acabamento em um estilo arquitetônicos requintado.
Considerando a quantidade de igrejas templos que as denominações têm que manter, o custo vai se tornando cada vez mais altos para viverem um evangelho modificado. Certa igreja famosa, até 2017, possuía 7.157 igrejas construídas e alugadas. [671] Outra, em 2013, contava com mais de 5 mil templos. Outra, até certa data, mais de 6 mil. [672]. Pelo menos não seria tão terrível, se tudo que fazem nesses locais fosse mesmo o evangelho puro. Mas, além de caro, praticam um monte de coisas que não têm nada a ver com o verdadeiro evangelho, sendo, pois, uma enorme despesa vã.
Se o ensino da Palavra de Deus, a oração, o louvor, a adoração, a comunhão dos irmãos não depende exclusivamente desses locais, e se Jesus e os apóstolos não mandaram realizar sacrifícios, penitências e rituais. Em templos, então eles não têm tantos benefícios como parecem ter. Então, por que diversas pessoas ainda insistem em criar novos templos a cada dia, em cada lugar que pregam o evangelho?
Precisamos nos libertar dessa despesa para podermos pregar e viver o evangelho genuíno, sem esse peso financeiro, sem esses obstáculos e escândalos em torno do dinheiro usado para bancar esse evangelho encarecido.
A corrupção financeira nos templos

Muitas pessoas líderes tornaram-se demasiadamente ocupados com a construção, gerenciamento e manutenção desses edifícios sagrados. E para bancarem todo o custo dessas obras caras, vários dirigentes de igrejas acabaram arrumando um monte de artifícios para conseguirem dinheiro do povo.
É claro que o cristão pode e deve comercializar. Mas transformar as reuniões eclesiásticas que devem ser reuniões de confraternização, oração, louvor, adoração, ensino, edificação, transformar esse ambiente em um espaço comercial, isso é inadmissível. Mas isso tem acontecido em larga escala, há muito tempo.
O templo de Jerusalém, como já vimos noutro estudo, tinha vários pátios, dentre eles, o grande pátio dos gentios, uma grande área ao redor do templo propriamente dito. Todos aqueles que não fossem do povo judeu podiam ir apenas até nesse lugar. Aqui, vendedores comercializavam lembranças, animais de sacrifício, comida, e cambistas trocavam dinheiro romano pela moeda de Tiro (tetradracmas). Foi desse local que Jesus expulsou os vendedores e cambistas. Jesus, indignado com aquela situação, expulsou a todos de lá. (Mateus 21.12-17; Marcos 11.15-19; Lucas 19.45-48; João 2.13-22.) É claro que Jesus não estava contra o comércio em si, mas contra o local e a forma do comércio praticado por eles.
Há século, de forma vergonhosa, diversas pessoas líderes estão usando o ambiente eclesiástico como se fosse um mercado. Já inventaram muitas formas de ganhar dinheiro usando a igreja. Como esse é um assunto polémico e extenso, vamos falar dele em um e-book separado sobre questões financeiras. Mas podemos, de forma resumida, mostrar alguns pontos dessa corrupção financeira nas igrejas.
Dízimo medieval em forma de dinheiro. Mesmo Jesus não tendo instituído dízimo para a igreja, no século VI, inventaram o dízimo em forma de dinheiro, diferente do dízimo bíblico, que era em forma de alimentos (Levítico 27.30; 27:32.), como veremos em outro e-book. [673], [674] A partir de então e, principalmente nas igrejas protestantes e evangélicas que foram surgindo a partir do século XVI, esse dízimo medieval tornaram uma espécie de lei eclesiástica. Como esse dízimo não tem apoio bíblico, os pregadores usam textos bíblicos sobre o dízimo da lei de Moisés, evitando esclarecer a verdade do dízimo levítico lá determinado para os judeus e não para a igreja.
Espórtulas. Espórtulas são os valores cobrados pela Igreja quando esta ministra alguns sacramentos como batismo, crisma e matrimônio, especialmente a Santa Missa por alguma intenção especial. [675] [676] Para fugir da aparência de simonia, usa-se o termo técnico evasivo espórtula.
Venda de relíquias. Na Idade Média, relíquias e até mesmo supostas relíquias de santos eram vendidas. [677], [678]
Exploração da religiosidade popular. As crenças, crendices, devoções, uso de elementos místicos, tudo isso tem sido usado com o intuito de arrecadação financeira.
Artimanhas. Promessas absurdas em troca de grandes ofertas têm sido feita em muitas igrejas. Uso da numerologia também é comum. Muitas pessoas apelam para os desejos dos fieis como uma forma de conseguir grandes ofertas. Apesar de usarem o termo evasivo ofertas, na verdade, configura uma venda de bênçãos ou até mesmo de falsas bênçãos, pois diversas pessoas dão como condição, a entrega de uma oferta.
Essas e outras formas de arrecadação têm sido usadas. Muitas pessoas são cães gulosos, lobos devoradores, mercenários, fazendo da igreja um negócio, conforme diz a Bíblia. (Isaías 56:11; Mateus 7:15; João 10:12-13; Atos 10:29; 2Pedro 2:3.) Esses querem o dinheiro para se enriquecerem. Entretanto, diversas pessoas outros procuram meio para arrecadar dinheiro com a intenção de pagarem as despesas desse evangelho templário que tem um alto custo. Aparentemente, esse segundo grupo age legalmente. O problema é que Jesus não determinou a construção de templos com todas essas despesas que têm para pagar. Além disso, as formas que usam para arrecadar: dízimo medieval, simonia camuflada, tudo isso acaba indo na contramão do verdadeiro evangelho.
Para a verdadeira obra de Deus, essas construções eclesiásticas geram poucos benefícios e muitos custos. Todavia, diversas pessoas não vão desistir dos templos porque o evangelho que vivem e pregam depende deles. Sem uma volta ao evangelho original, é impossível ficar sem as igrejas templos. Uns vão continuar com essa tradição pois não terão coragem de passar por cima dos costumes tradicionais para conseguir voltar ao evangelho do primeiro século.
Todos são livres para continuarem com o evangelho litúrgico e templário, bancado com o dinheiro arrecadado por meio nada bíblicos. Mas a pergunta que devemos fazer é: “Como Jesus se sente ao ver sua igreja nessa situação em que se encontra?”
Igrejas teatros

Quando vamos em muitas igrejas, façamos com uma dúvida: “É uma casa de show ou um ambiente de culto?” É casa do Senhor ou casa de shows?
Hoje diversas pessoas não sabem, e alguns fingem não saber, que o evangelho de Jesus não é nenhum estilo arquitetônico, nenhuma obra de arte ou espetáculo, mas um novo estilo de vida, onde cada um que deseja ser cristão deixa de lado tudo que não presta e adorna a sua vida com as belas virtudes ensinadas por Cristo, onde o verdadeiro cristão se torna um templo vivo e ambulante, ostentando não meras artes ou atitudes hipócritas, mas uma vida exemplar que brilha diante dos outros.
É claro que o cristão pode ser um artista e pode apresentar o seu show, dede que seja um show decente, edificante, honesto. Todavia, diversas pessoas estão misturando o trabalho do artista com os dons espirituais de servir uns aos outros. Por outro lado, estão chamando os eventos que são basicamente shows e chamam de igreja. Mas a igreja de Cristo se reúne não para fazer shows, mas para a confraternização, ensino, edificação, evangelismo, oração, adoração. Temos que separar as coisas.
A parir da Idade Média, como vimos em diversos estudos anteriores, as igrejas templos se tornaram uma espécie de galeria de artes caras das mais requintadas. Arquiteturas, pinturas, esculturas, vitrais, afrescos, ícones, todas essas e outras artes das mais simples às mais rebuscada fizeram dos locais de culto uma casa artística, umas com artes bizantinas, outras românicas, góticas, renascentistas, barrocas, rococós, revivalistas, modernas, ecléticas e muito mais. É claro que nada disso seria um problema se estivesse determinado pelo evangelho original. Se Jesus tivesse mandado construir templos da melhor maneira possível, tudo isso seria proveitoso. Mas Jesus não mandou fazer edifícios requintados para ele.
Muitas igrejas templo da modernidade se tornaram verdadeiras casas de show. O cristão pode construir e frequentar casas de shows que apresentem artes puras. Mas estão misturando tudo. Muitas igrejas, com paredes negras, como se fossem teatros ou cinemas, canhões de luzes coloridas, focando o apresentador, tudo isso transforma a reunião da igreja em um mero espetáculo.
Ali, as músicas de louvores e adorações viram shows; a pregação se transforma num espetáculo homilético; a libertação dos demônios se transforma em exibicionismo do pregador e da humilhação do endemoninhado; as curas se transformam em meros shows proselitistas. Falsas revelações, falsas profecias, show do paletó ungido, do cajado ungido, do salto na piscina, do reteté... Não tem limites. Tudo isso transforma o evangelho num palco burlesco e trágico, onde o evangelho deixa de ser um alimento espiritual, para ser um entretenimento para a carne.
Muitos milagres são falsos milagres são verdadeiros, mas muitos outros são falsos milagres, usando pessoas para atuarem, simulando bênçãos mentirosas. São shows que enganam. São artes da mentira, do engano. É incrível, mas essas coisas acontecem por aí, usando o nome de Jesus, nos palcos de muitas igrejas, onde os hipócritas são os dirigentes.
Como já disse, o cristão pode e deve participar de shows artísticos decentes. Mas precisamos separar shows de reuniões cristãs. Muitas igrejas não passam de casas de shows. Por isso, aconselho que tirem a placa com o nome de igreja e coloquem “Casa de Show” para que as pessoas saibam que ali é apenas um lugar de espetáculos.
Igreja shopping

https://youtu.be/3yg1xxEcL6I?t=86
Igreja com área vip

VIP é uma sigla em inglês que significa Very Important Person, ou seja, Pessoa Muito Importante. É um termo utilizado para designar indivíduos que possuem um status especial, seja por sua posição social, profissional, riqueza ou por qualquer outro motivo que os diferencie dos demais.
Não deve haver acepção de pessoas na igreja. (Tiago 2:1-8) Todos somos corpo
https://www.youtube.com/watch?v=UdwJSc6zwHo
Igreja e pipoca? Isso não é coisa de cinema?

Comer juntos com os irmãos não é problema caso seja um culto de confraternização, como era a festa do ágape. Mas num culto ficar comendo pipoca o outras coisas é um problema. Além do mais, esse comércio de coisas não estaria fazendo da igreja um mercado?
Um evangelho hipócrita nas igrejas artísticas

Quando as igrejas templos se tornam casas de shows, torna-se grande o risco de se tornar um hipócrita, um mero representador do evangelho, simulando ser o que não é, como um artista de teatro, que brilha ao abrir das cortinas, mas que desaparece ao apagar das luzes. Não se iluda, a nossa cristandade é mais fingida do que parece. Sobre diversas pessoas de nós existe uma grande fachada religiosa que se destaca muito dentro das igrejas templos. As pessoas tornam-se ainda mais hipócritas quando sobem na plataforma elevada do púlpito e deixa a humildade de lado, procurando ser homem de Deus de alto nível, fazendo lindas orações com línguas estranhas para todos verem. Querem brilhar, passar uma imagem de super crente. Querem mostrar ser o que não é de fato.
No tempo de Jesus, existiam os fariseus, um ramo religioso do judaísmo, que procurava seguir tudo nos mínimos detalhes. Esses se preocupavam com observância externa dos ritos e formas de piedade, tal como lavagens cerimoniais, jejuns, orações e esmolas. [679] E os escribas eram pessoas versadas na lei de Moisés. [680] Aparentemente eram religiosos da melhor qualidade, firmes no soberano Deus. Só que n. Ou seja: eram pessoas fingidas, simulando ser o que não eram. Por isso, Jesus os chamou de hipócritas várias vezes. (Mateus 23:13; 23:14; 23:15; 23:23; 23:25; 23:27; 23:29.)
Hipocrisia, na Bíblia, no Novo Testamento, vem do substantivo feminino grego υποκρισις (hupokrisis), nesse contexto, significa dissimulação, fingimento. Essa é a palavra usada para se referir à atuação de um artista de teatro, que representa ser o que não é de fato. [681] Esse substantivo vem do verbo grego υποκρινομαι (hupokrinomai), que tem o sentido de simular, fingir. [682]Desse verbo vem o substantivo masculino υποκριτης (hupokrites), que pode ser traduzido como hipócrita, com o sentido de ser um artista de teatro, um ator, um intérprete, um dissimulador, uma pessoa que finge ser o que não é, etc. [683]
Lamentavelmente, assim como aqueles escribas e fariseus, diversas pessoas estão nas igrejas apenas atuando como artistas. Estão fingindo ser o que não são. Mostram uma vida espiritual apenas de aparência. Vestem uma roupa bonita e especial, colocam debaixo do braço aquela Bíblia que está na onda, entram no templo e diz: “paz do Senhor, meu irmão!” se assentam, se levantam, sapateiam, batem palmas, rodopiam, cantam, falam línguas estranhas, entoam vozes retumbantes, palavras chorosas e dizem velhos e novos jargões como: “senhor, senhor!” “glória Deus!” “Jesus maravilhoso!” “aleluia!” “amém!” “tira o pé do chão!”, mas quando saem daquele ambiente, vivem uma vida de pecado, totalmente contrário aos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos.
Na onda do neopentecostalismo isso parece ainda mais sério. Pessoas participam de correntes, entram no túnel da bênção, são ungidos com sal do mar Vermelho, enxofre do mar Morto, água do rio Jordão e coisas similares, colocam pulseiras e medalhas ungidas, perfume do amor... Mas no dia a dia, produzem péssimos frutos, causam escândalos, dão mal testemunho. São meros religiosos.
Muitas pessoas os são piores ainda. Dizem ser cristãos, mas até mesmo nos templos fazem o que jamais deviam fazer como: corrupção financeira, enganação, mentiras, idolatria, arrogância e tantos outros males, enquanto dizem ser líderes de igrejas.
Muitas pessoas outros são duas vezes artistas. Apresentam alguma coisa no púlpito, tocam instrumentos, cantam no conjunto, no coral, fazem teatros, fazem coreografias, apresentam verdadeiros shows de homilética, mas fora do palco eclesiástico são como qualquer pessoa deste mundo. Apenas acham que são diferentes porque “aceitaram Jesus” um dia.
Se a pessoa não se tornar um verdadeiro templo vivo do Espírito Santo de Deus, toda a sua religiosidade nos templos não passa de mera hipocrisia, uma vez que, após sair das igrejas de concreto, cimento, pedras e tijolos, as pessoas tornam-se como qualquer um, frias, falando mal dos outros, roubando, falando mentiras, caluniando, adulterando, sem respeito ao próximo, sem amor, sem perdão, carregados de orgulho, avareza, ganância, preconceitos, ódios e tantos outros males.
Muitas pessoas cristãs parecem viver o evangelho apenas dentro de quatro paredes das igrejas templos. No dia a dia, noutros lugares, mesmo estando juntos, diversas pessoas são como qualquer pessoa, sem nenhum comportamento digno do verdadeiro evangelho. Isso é lamentável. Precisamos ser cristãos em toda parte. Precisamos aprender a ser um exemplo de vida para todos, em todos os lugares. Chega de ficar fingindo ser cristãos, sendo meros apresentadores ou simples espectadores, cumprindo meros rituais. Está na hora de colocar a mão no arado de verdade e não olhar para trás.
A salvação não depende de igrejas templos, mas depende de Cristo

Para quem estiver lendo em outro idioma, as palavras da imagem são as seguintes: “Jesus Cristo.”
Muitas pessoas insistem em dizer que uma igreja templo é imprescindível. Do jeito que defendem o edifício eclesiástico, percebe-se que não creem que os que não estão lá dentro não sejam salvos de verdade. Não conseguem assimilar a ideia de uma igreja sem igreja de tijolo, cimento, telhas, madeiras, decorações e artes eclesiásticas. Defendem tanto a igreja templo sugerindo que ela seja uma espécie de arca de Noé. Passam a ideia de que os que estão fora dos templos estão perdidos num mundo de trevas, como se a igreja de alvenaria fosse um deus salvador. Mas será que isso está de acordo coma Bíblia?
Em todo o Novo Testamento bíblico, vemos que a salvação está ligada a um monte de coisas, menos a uma igreja templo. Por exemplo:
1. A salvação, a vida eterna e as recompensas divinas dependem das nossas boas obras (Mateus 16:27; 19.16-22; 25:31-46; Marcos 10:17-21; Lucas 6:35; 12:33; 16:19-26; 18.18-23; João 3:19; 5:28-29; Romanos 2:5-10; 1Coríntios 15:58; 2Coríntios 5:10; Gálatas 6:9-10; 1Timóteo 6:18-19; Tiago 2:14-16; 1Pedro 1:17);
2. A salvação e a vida eterna dependem da produção de frutos (Salmos 1:1-6; Mateus 3:10; 7:19; 21:18-19; 21:43; Marcos 11:12-14; Lucas 3:9; 13:6-9; João 15:1-8; Romanos 6:20-22; 7:5; Gálatas 5:19-21; Hebreus 6:7-8; Judas 1:12-13;
3. A salvação e a vida eterna dependem da nossa vida piedosa, no sentido ter uma vida dedicada ao soberano Deus, amando acima de tudo, respeitando-o acima de todos, vivendo sempre conectado nele, com reverência e temor (Romanos 1:18; 1Timóteo 4:8; Tito 2:12-13; 2 Pedro 2:5-6; 2:9; Judas 1:14-15);
4. A salvação e a vida eterna dependem de invocar o nome do Senhor (Salmos 40:1-2 ou 39:2-3; 118:5; 18:6 ou 17:7; Lamentações 3:57; Joel 2:32; Atos 2:21; Romanos 10:13);
5. A salvação e a vida eterna dependem da fé, que deve ser uma confiança constante (Marcos 16:16; João 3:15-16; 3:18; 6:40; 11:26; 12:46; 20:31; Atos 16:31; Romanos 1:16; 9:33; 10:11; Efésios 2:8-9; Colossenses 1:22-23; Hebreus 3:12-14; 1Pedro 1:5);
6. A salvação e a vida eterna dependem da constante fidelidade diante das dificuldades e perseguições (Atos 14:22; Romanos 6:5; 8:17; 2 Timóteo 2:11; Apocalipse 2:10; 7:9-17; 13:10);
7. A salvação e a vida eterna dependem da constante obediência ao soberano Deus (João 3:36; 6:68; 8:51; Romanos 2:8; 1 Coríntios 15:2; 2Tessalonicenses 1:8; Hebreus 2:1-3; 3:7-19; 4:11; 5:8-9; Tiago 1:21; 2 João 1:9);
8. A salvação e a vida eterna dependem de praticar sempre os mandamentos do bom Deus (Mateus 19:17-19; Marcos 10.17-19; Marcos 12:28-34; Lucas 10:25-28; 18:18-20; João 12:50; Romanos 7:10; 1Coríntios 6:9-10; Gálatas 5:19-21; 1 Timóteo 4:16; 1João 3:15; Apocalipse 21:8; 22:15);
9. A salvação e a vida eterna dependem do andar na verdade (Romanos 2:8; 2Tessalonicenses 2:12; 1 Timóteo 2:4; Tiago 5:19-20; Apocalipse 14:5.)
10. A salvação e a vida eterna dependem de confessar sempre Jesus como Senhor ou seja: dizer a mesma coisa que Jesus, concordar com ele, aceitar seus ensinos, professar a fé nele, ser um discípulo declarado dele (Mateus 10:32; Lucas 12:8; Romanos 10:9-10; 1Timóteo 6:12; 1 João 2:23; 4:15);
11. A salvação e a vida eterna dependem da porta e do caminho escolhidos (Mateus 7:13-14; Colossenses 2:6);
12. A salvação e a vida eterna dependem do não se desviar (Mateus 16:24; Marcos 8:34; Lucas 8:13-14; 9:23; 1 Timóteo 1:6; 5:15; 6:10; 6:20-21; 2 Timóteo 2:18; Tito 1:14; Hebreus 2:1; 3:10-11; 4:3; 4:5; 12:25);
13. A salvação e a vida eterna dependem do não retroceder (Marcos 4:17; Lucas 9:62; Atos 14:22; Hebreus 3:12; 10:38-39; 12:2; 2 Pedro 2:20-22);
14. A salvação e a vida eterna dependem do não estar caído (1 Coríntios 10:12; Hebreus 6:4-6);
15. A salvação e a vida eterna dependem do não parar, mas seguir em frente até o fim (1Coríntios 9:25-27; Filipenses 3:7-11-14; 1Timóteo 6:12; Hebreus 6:1; 12:1-3; Apocalipse 21:7);
16. A salvação e a vida eterna dependem do não viver no pecado (1Coríntios 6.9-10; Gálatas 5.19-21; Efésios 5.5; (Hebreus 10:26-27; Apocalipse 20.14; 21.8; 22.15);
17. A salvação e a vida eterna dependem do arrependimento e conversão dos pecados (Marcos 1:15; Lucas 13:3; 13:5; Atos 11:18; Romanos 8:13; 2Coríntios 7:10; 2Pedro 3:9);
18. A salvação e a vida eterna dependem de renúncias (Mateus 6:33; 19:29; Marcos 8:34-35; 10:29-30; Lucas 9:23-24; 17:33; 12:31; 18:29-30; João 12:25; Filipenses 3:13-14; Hebreus 12:1);
19. A salvação e a vida eterna dependem dos nossos esforços (Hebreus 4:1-11; 2 Pedro 1:10-11; 3:13-14);
20. A salvação e a vida eterna dependem da vigilância (Mateus 24:42; 25:13; Marcos 13:33; 13:34-37; Lucas 12:35-40; Romanos 13:11-12; 1 Coríntios 16:13; 1 Tessalonicenses 5:6; Apocalipse 3:2; 3:3; 16:15; 1 Pedro 5:8);
21. A salvação e a vida eterna dependem da perseverança até o fim (Mateus 10:22; 24:13; Marcos 13:13; Lucas 21:19; João 15:6; Atos 11:23; 13:43; 1Timóteo 2:15; 2 Timóteo 2:12; Hebreus 3:14; 10:36; 12:1; Tiago 1:12; 1 João 2:28; 2 João 1:9; Judas 1:21; Apocalipse 2:7; 3:5).
Em nenhuma das condições citadas encontramos a necessidade de estar numa igreja templo.
Muito vivem pregando uma salvação incondicional, dizendo que não depende de nenhuma atitude de nossa parte, pois somos salvos pela graça. No entanto, os diversos textos bíblicos acima condicionam a nossa salvação a pelo menos 21 condições. A salvação é incondicional apenas no sentido de não depender das obras de religiosidades. As obras citadas em Romanos 11:5-6; Efésios 2:8-9; 2 Timóteo 1:9; Tito 3:5, de acordo com o contexto bíblico, são as obras cerimoniais religiosas da lei dada a Moisés. E se por meio daquelas obras ninguém é salvo, quanto mais por meio das novas obras de religiosidade criadas pelo homem ao longo dos séculos, praticadas nas igrejas templo de hoje.
É claro que o justo Deus jamais iria condicionar a salvação a coisas que nem todos podem praticar. Por exemplo, se uma pessoa está numa cama e não pode ir frequentar liturgias em um templo, então ela estaria perdida, caso a salvação estivesse condicionada às obras de religiosidade num templo. Outras circunstâncias podem impedir uma pessoa de frequentar um templo religioso chamado de igreja. Por exemplo: quem mora num local deserto, onde não existe uma igreja templo; quem vive num país, onde não existe liberdade religiosa para edificar ou frequentar templos; quem vive num local onde existem apenas igrejas heréticas. O ladrão arrependido, pregado numa cruz, foi salvo sem templo. (Lucas 23:39-43.) Aliás, até o século IV, todos os salvos foram salvos sem igrejas templos.
Você mesmo, onde está, pode ser templo de Deus. Isso não depende das circunstâncias: depende de você mesmo. Os inimigos poderão tirar você de dentro de qualquer templo. Mas não conseguirão jamais tirar Deus de dentro de você. Como aconteceu no passado, poderão saquear e destruir qualquer lugar sagrado. Poderão destruir até o seu corpo, como fizeram com Jesus. Mas o verdadeiro templo de Deus dentro de você é indestrutível, intocável, impenetrável... Lá no fundo, no íntimo, na alma, há um novo Santo dos Santos, onde apenas o Senhor pode entrar. O reino de Deus não vem com aparência exterior. Ele não está aqui ou al. Ele está dentro de nós, como ensinou Jesus. (Lucas 17:20-21.)
A igreja de Cristo não depende de igrejas templos

Depois de tudo que vimos até aqui, uma pergunta fica no ar: Será que as igrejas templos são ou não são necessárias?
Muitas pessoas poderão pensar que essas construções são lugares importantes para aprenderem a Palavra de Deus, para a oração, para o louvor e para a comunhão dos irmãos. Vamos então analisar cada questão.
Não precisamos de templos para ensinar a Palavra de Deus. Na igreja primitiva, quando nem sequer havia a imprensa, os cristãos aprendiam sobre o evangelho sem terem templos. Hoje temos a imprensa, livros eletrônicos, rádio, televisão, Internet e um monte de recursos de multimídia, mas mesmo assim ainda insistem em construir igrejas para ensinarem a Palavra de Deus através de longos sermões, na maioria das vezes, improdutivos. Pergunte para os fiéis o que aprenderam com o sermão do culto ou missa. A maioria não saberá dizer nada.
Não precisamos de templos para a oração. Jesus disse que podemos orar dentro do nosso quarto. (Mateus 6.5-8.) Paulo, escrevendo aos tessalonicenses, diz para orar sem cessar. (I Tessalonicenses 5.17.) Isso quer dizer que podemos e devemos ficar sempre com nosso pensamento voltado para Deus. É claro que Paulo não estava falando dessas orações repetitivas, cheias de formalidades, em forma de discursos. Estava falando de uma comunhão constante com Deus, naturalmente, independentemente de qualquer lugar especial.
Não precisamos de templos para o louvor e para a adoração. Os primeiros cristãos adoravam e louvaram a Deus, livres de qualquer edificação sagrada. Hoje os grandes eventos de louvor, na verdade, estão sendo realizados em estádios, praças públicas, casas de eventos e locais similares. Por outro lado, nossa missão principal neste mundo é pregar o evangelho com palavras, e acima de tudo, com as nossas vidas transformadas. Na outra dimensão, teremos uma eternidade para louvar e adorar a Deus. Além disso, devemos viver o tempo todo com uma atitude de louvor e adoração, independentemente de qualquer local sagrado.
Não precisamos de templos para a comunhão dos irmãos. Os primeiros cristãos tiveram uma comunhão extremamente profunda a ponto de terem tudo em comum. (Atos 2.44.) União e comunhão não têm nada a ver com reunião em templos. Nem todos que se encontram reunidos dentro de quatro paredes estão em união ou em comunhão. É ilusão achar que as igrejas abarrotadas de pessoas estão congregando cristãos que realmente vivem em comunhão.
Não precisamos de templos para sacrifícios, penitências, rituais. Conforme podemos ver em todo o Novo Testamento, nem Jesus e nem os apóstolos deram qualquer ordem para a realização de rituais, sacrifícios e penitências em templos. Sendo assim, essas coisas que praticam nas igrejas por aí são apenas invenções de homens.
Tudo que o verdadeiro cristão precisa praticar, ele pode fazer em qualquer lugar independente de igrejas templos. Os primeiros cristãos foram cristãos sem igrejas arquitetônicas. Eles ensinaram a Palavra de Deus, oraram, adoraram, se confraternizaram, tudo isso sem igreja templo. Se quisermos, podemos ser como eles foram. Se eles não precisaram desse tipo de construção, por que temos que ser diferentes?
O título pejorativo de desigrejado

Para diversas pessoas, cristãos sem igreja de cimento, tijolos ou madeira não são verdadeiros discípulos de Jesus. Para esses, a vida cristã é estar num templo, praticando rituais que Cristo nunca mandou praticar. Se estiver fora, pode nascer de novo, ser uma viva testemunha, ser um templo vivo do Espírito Santo, porém, sem igreja de alvenaria, não passa de um desigrejado. Será que estão certos em dizer que cristão sem igreja templo é um desigrejado?
Os primeiros cristãos eram verdadeiros discípulos, vivendo em pequenos grupos nas casas, sem templos. (Atos 1:13; 8.3; 10:24; 10:27; 12.11-12; 16:13; 16.40; 17.5; 20:7-8; Romanos 16.3-5; 16:14-15; 1Coríntios 16.19; Colossenses 4.15; Filemon 1:1-2; 2 João 1.10.) Apenas os cristãos de Jerusalém foram algumas vezes no pátio do templo, no lugar chamado de pórtico de Salomão (Atos 2:46; 3:11; 5:12; 5:42; 5:21.) Mas esse templo, como Jesus havia predito, foi derrubado no ano 70. [684], [685], [686] E nos séculos seguintes, todos os cristãos de todas as partes viveram sem qualquer templo.
O cristianismo puro e simples acabou sendo levado para dentro de quatro paredes, As suntuosas igrejas templos em forma de basílicas romanas idealizadas pelo imperador romano Constantino roubaram a cena a partir do século IV. [687] [688] [689] [690] [691] E hoje, praticamente se tornou proibido ser cristão sem templos.
Considerando o pensamento de diversas pessoas hoje, então os primeiros cristãos eram desigrejados. Se para ser igreja tem que estar dentro de uma igreja templo, então nos três primeiros séculos, aqueles cristãos que morreram por causa de Cristo eram simplesmente desigrejados. Que absurdo!
Pare com essa bobagem. A pessoa se torna cristã quando ela se arrepende e se converte dos seus pecados e passa a seguir aquilo que Cristo nos ensinou de fato. E ele nunca ensinou ou ordenou construir templos. O cristão de verdade vive unido a outros cristãos em amor, e se reúnem em qualquer lugar: como vemos nas páginas do Novo Testamento. Se você consegue ser um verdadeiro cristão dentro da sua igreja de alvenaria, continue lá. Mas respeite os que também conseguem ser verdadeiros cristãos foram desses edifícios tradicionais. Não trate os seus irmãos com palavras pejorativas. Desigrejados não, destemplados e desistematizados sim. Assim podem ser chamados os que entenderam que fomos comprados por preço; e que não devemos nos tornar escravos de homens (1 Coríntios 7:23) que querem dominar com seus sistemas religiosos.
Igreja e sinagoga: a grande diferença

Muitas pessoas cristãs tornaram-se acomodados e encurralados no conforto e na comodidade dos edifícios religiosos, praticando rituais, formalidades, liturgias e os rituais que Cristo nunca instituiu. Mas será que ser igreja é estar dentro de uma igreja? Você realmente sabe o que significa ser igreja de Cristo? Sabe o que é uma sinagoga?
Como já vimos noutro estudo, e vale a pena recapitular, sinagoga, do substantivo grego συναγωγη (sunagoge), significa ajuntamento, assembleia. Essa palavra se encontra 57 vezes no Novo Testamento. Ela vem do verbo grego συναγω (sunago), e quer dizer: reunir, juntar, trazer consigo para dentro de casa, etc. Por isso, as reuniões dos judeus, na língua grega, eram chamadas de sinagogas. E é por isso também, que as construções onde eles se reuniam também eram denominadas de sinagogas. [692] [693]
A palavra igreja vem do substantivo feminino grego εκκλησια (ekklesia). Ela aparece no Novo Testamento mais de 100 vezes. Era usada no mundo grego para indicar um encontro de cidadãos chamados para fora, na praça pública. [694] Isso quer dizer que temos que ser igreja em qualquer lugar e não dentro de quatro paredes. Somos chamados para fora, assim como vemos Jesus e seus discípulos nas estradas, nas casas, nas praias, nos montes e no pátio do templo, que como já vimos noutro estudo, era um lugar público.
Falando sobre as obras de religiosidade da lei de Moisés que eram praticadas no templo, a Bíblia diz claramente ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei (Romanos 3:20); que o ser humano é justificado pela fé sem as obras da lei (Romanos 3:28); que não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça. (Romanos 6:14); que, por meio da morte de Jesus, morremos para a lei. (Romanos 7:4); que estamos livres da lei (Romanos 7:6); que, com Cristo, a lei chegou ao fim (Romanos 10:4); que o ser humano não é justificado pelas obras da lei (Gálatas 2:16); que os que querem ser justificados pela lei estão separados de Cristo e caídos da graça. (Gálatas 5:4); que estamos mortos para a lei (Gálatas 2:19); que se a justiça viesse da prática da lei, Cristo teria morrido em vão (Gálatas 2:21); que aqueles que são das obras da lei estão debaixo da maldição (Gálatas 3:10); que Cristo nos resgatou da maldição da lei (Gálatas 3:13); que Cristo veio para resgatar os que estavam sob a lei (Gálatas 4:5); que o Espírito Santo nos é dado, não pelas obras da lei (Gálatas 3:2; 3:5);que os que são guiados pelo Espírito não estão debaixo da lei (Gálatas 5:18); a salvação não vem dessas obras (Efésios 2:8-9); Cristo uniu a todos em um só povo, acabando com a lei dos mandamentos em forma de ordenanças, criando dos dois povos (gentios e judeus) um só povo. (Efésios 2:13-15); cancelou o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz.” (Colossenses 2:13-14); o bom Deus nos salvou e nos chamou, não segundo as nossas obras (2 Timóteo 1:9); não somos por essas obras (Tito 3:5); todas aquelas obras de religiosidade do Antigo Pacto foram encerradas com Jesus na Nova Aliança (Hebreus 2:17-18; 4:14-16; 5:1-7; 6:19-20; 7:4-28; 8; 9; 10:1-31); o véu do templo se rasgou, (Mateus 27:51). É por tudo isso que não precisamos mais de templo. E se diversas pessoas estão praticando obras de religiosidade nas igrejas templos, não são obras instituídas por Cristo, mas rituais inventados pelos homens ao longo dos séculos.
Não estamos neste mundo para viver de obras de religiosidade, mas para ser testemunha de Cristo em toda parte. Por isso fomos chamados para fora. “Saiamos pois a ele fora do arraial, levando o seu opróbrio.” (Hebreus 13:13, AA-Br.) O “IDE” determinado por Jesus deixa claro qual é a função da igreja. (Mateus 28:19; Marcos 16:15; Atos 1:8). Podemos, assim, entender porque Jesus não chamou o conjunto de seus seguidores de sinagoga, mas de igreja.
Independente de templos, Jesus está conosco todos os dias (Mateus 28:20) e em todo lugar, mesmo que seja apenas duas ou três pessoas reunidas em nome dele (Mateus 18:20). Entretanto, as pessoas foram dominadas por um novo evangelho, onde o destaque fica por conta das construções sofisticadas em detrimento do verdadeiro evangelho. Quatro paredes com tetos maravilhosos e confortáveis ajudam a engaiolar a cristandade entretida com shows litúrgicos, não permitindo que elas sejam soldados em campo de guerra que é esse mundo corrompido.
Chega de ficar encurralados pelas quatro paredes bonitas, iluminados pelas imagens coloridas dos vitrais, encantados pelas obras da arquitetura, acomodados nos bancos, sendo mero espectadores, aplaudindo os artistas da música e da homilética, sendo tratados como marionetes, engabelados por um arsenal de cosas criadas pelo homem. Lá fora o mundo continua se perdendo no pecado. Almas clamam pelo verdadeiro evangelho.
O respeito aos locais de culto

Depois de dizer tudo que foi dito até aqui, diversas pessoas, empolgados, podem querer tratar os cristãos templários como pessoas desprezíveis. Não podemos fazer isso. Apesar dos templos não serem mais necessários, eles precisam ser respeitados. Você não é obrigado a frequentar um templo, mas de acordo com a lei e aética, precisa respeitá-los. Até as pequeninas igrejas não podem ser profanadas.
Jesus nos libertou dos templos, mas ele respeitou as sinagogas da religião do seu povo. Ele pregou o seu evangelho nas sinagogas de Nazaré, Cafarnaum, Nazaré, dentre outras. (Mateus 12:9; 13:54; Marcos 1:21; 3:1; 6:2; Lucas 4:16; 6,6; João 6:59.) Por outro lado, ele também respeitou o templo de Jerusalém, e até expulsou os vendedores, os compradores e cambistas que estavam usando indevidamente aquele lugar. (Mateus 21.12-13.)
Paulo escreveu muito falando da inutilidade da lei de Moisés hoje. Mas ele também respeitou as sinagogas, pregando o evangelho nelas em Damasco, Salamina, Antioquia da Pisídia, Icônio, Tessalônica, Bereia, Atenas, Corinto e Éfeso (Atos 9.20; 13.5; 13.14; 14:1; 17:1; 17.10; 17.16; 18:4; 18.19; 19:8.) Pregou o evangelho sem causar danos.
Da mesma forma, não podemos desrespeitar, nem profanar, nem destruir ou depredar nenhum templo de igreja ou religião alguma. Todos merecem o nosso respeito. Portanto, respeitemos a todos. Apesar de não serem mais necessários, as pessoas têm a libe crença e de religião, e os seus locais de cultos merecem onosso respeito. Não é por força ou violência que vamos anunciar o evangelho puro.
Precisamos entender uma coisa muito importante. A humanidade vive de fases que são permitidas pelo soberano Deus. Ele permitiu que os judeus vivessem de obras de religiosidade, incluindo sacrifícios de animais. Ele não precisa de nada disso (Salmos 50:7-13 ou 49:7-13; Atos 17:24-25.) No entanto, esse Deus permitiu que o povo vivesse nessa religiosidade. Da mesma forma, permitiu que a cristandade vivesse o evangelho dos templos. Ele é poderoso para impedir, mas deixou que as pessoas vivessem nas igrejas templos.
Se as pessoas estiveram e ainda estão vivendo esse evangelho templário, é porque elas não tiveram a visão do evangelho pleno. Por isso, se o soberano Deus permitiu até hoje que essas pessoas vivessem sua fé nos templos, quem somos nós para impedir? Apenas devemos dizer a verdade, nada além disso. Os que desejam viver o evangelho de entre quatro paredes precisam ser respeitados, pois muitos dos que estão lá, apesar de tudo, podem estar numa situação muito melhor do que a nossa diante do eterno Deus. Ninguém é obrigado a estar dentro de um templo religioso ou eclesiástico. Mas todos devemos respeitar esses locais.
Posso ou não posso criar ou frequentar edifícios chamados de igrejas?

Diante de tudo que vimos até aqui, uma pergunta pode estar ecoando na cabeça de diversas pessoas: “Afinal, posso ou não posso frequentar edifícios chamados de igrejas?
Não é errado ter locais para a realização de eventos religiosos. Também não é pecado entrar nesses locais. Já vimos que Jesus e os apóstolos estiveram no pátio do templo e nas sinagogas. Mas é bom lembrar que eles foram nesses locais sagrados para pregarem a boa nova de libertação. Não foram lá para ficarem acomodados, praticando as tradições ritualísticas do seu povo. Como eles, não podemos fazer desses locais o centro da nossa vida cristã. Temos que andar com Deus em todo lugar, independentemente de qualquer construção. A pessoa pode muito bem ser de Deus com templos ou sem templos.
Construir, alugar ou frequentar um edifício eclesiástico não é nenhum problema em si. Jesus não mandou, mas também não proibiu ter um imóvel para reuniões. O que importa é o que vai acontecer lá dentro desse recinto. É isso que precisamos levar em consideração.
Dentro desse lugar vai haver orações sinceras ou rezas e orações em forma de shows de espiritualidade. Lá haverá curas e outros milagres por amor às pessoas ou apenas para fazer proselitismo e propaganda da denominação eclesiástica? O louvor será dado ao soberano deus ou vai louvar outras pessoas também? O culto vai ser um serviço prestado ao eterno Deus ou obras de religiosidade prestadas a outras pessoas como santos, Maria, pastores, instituição religiosa. O ensino vai ser a Bíblia Sagrada ou quaisquer outros ensinos? As pessoas realmente vão viver como irmão ou será cada um para si no seu banco? O local será um ambiente realmente voltado para o supremo Deus ou uma mera casa de shows? E os custos desse lugar serão conseguidos por meios verdadeiros e honestos ou serão bancados por meio de arrecadações induzidos por enganos, artimanhas e outros meios nada honestos?
Dentro desse lugar vai haver orações sinceras ou rezas e orações em forma de shows de espiritualidade. Lá haverá curas e outros milagres por amor às pessoas ou apenas para fazer proselitismo e propaganda da denominação eclesiástica? O louvor será dado ao soberano Deus ou vai louvar outras pessoas também? O culto vai ser um serviço prestado ao eterno Deus ou obras de religiosidade prestadas a outras pessoas como santos, Maria, pastores, instituição religiosa. O ensino vai ser a Bíblia Sagrada ou quaisquer outros ensinos? As pessoas realmente vão viver como irmão ou será cada um para si no seu banco? O local será um ambiente realmente voltado para o supremo Deus ou uma mera casa de shows? E os custos desse lugar serão conseguidos por meios verdadeiros e honestos ou serão bancados por meio de arrecadações induzidos por enganos, artimanhas e outros meios nada honestos?
Se você achar um lugar onde se ora com sinceridade e humildade, onde se cura apenas por misericórdia, onde o louvor, o culto são mesmo para o supremo Deus, onde o ensino é realmente bíblico, onde as pessoas realmente vivem como irmãos, onde todos são servos uns dos outros sem ser como um artista fazendo shows acima dos outros, onde as despesas são pagas com dinheiro honesto, então, esse lugar não ´será nenhum problema para a sua vida espiritual. Caso o contrário, como já dizem as mensagens proféticas:
“Saí do meio dela, ó povo meu.” (Jeremias 51:45a, AA-Br.) “Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos sete pecados, e para que não incorras nas suas pragas.” (Apocalipse 18:4b em diante, AA-Br.) Viver sem Cristo não é bom, mas viver no meio do erro em nome dele não adianta.
Não precisamos mais de templos, precisamos ser templos

No passado, conforme podemos ver na lei dada a Moisés, encontramos uma série de obras de religiosidade que deviam ser praticadas pelos sacerdotes no santuário em forma de tenda e, mais tarde, no templo de Jerusalém. Essas obras de religiosidade podem ser vistas nos livros bíblicos Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Inúmeros textos bíblicos do Novo testamento nos mostram que as obras de religiosidade da lei de Moisés não são mais necessárias. Elas não servem para nos justificar (Romanos 3:20; 3:28; Gálatas 2:16; 2:21; 5:4); nem para nos salvar (Efésios 2:8-9; 2 Timóteo 1:9; Tito 3:5). O Espírito Santo nos é dado, não pelas obras daquela lei (Gálatas 3:2; 3:5). Estamos livres daquelas inúmeras obras de religiosidade da lei (Romanos 6:14; 7:4; 7:6; 10:4; Gálatas 2:19; 3:13; 4:5; 5:18; Efésios 2:13-15; Colossenses 2:13-14). Todas aquelas obras de religiosidade do Antigo Pacto foram encerradas com Jesus na Nova Aliança (Hebreus 2:17-18; 4:14-16; 5:1-7; 6:19-20; 7:4-28; 8; 9; 10:1-31). Continuar insistindo nas obras da lei é estar debaixo da maldição (Gálatas 3:10). Por isso, não precisamos mais de nenhum templo, pois as obras de religiosidade que eram praticadas nele se acabaram com Jesus. (Romanos 10:4.)
Durante a morte de Jesus, o véu que separava os dois compartimentos se rasgou em dois, de alto a baixo. (Mateus 27:51; Marcos 15:38; Lucas 23:45.) Isso quer dizer que não estamos separados de Deus. Ele não está inacessível, confinado num santo dos santos de um edifício. Está em toda parte, ao alcance de todos. Não está ali e acolá, num lugar determinado. Está dentro de nós, por meio do seu Espírito. Por isso, podemos dizer que o nosso corpo é o templo de Deus.
Hoje não precisamos de templos, pois devemos nos tornar templos. Jesus disse para os seus discípulos: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.” (João 14:23, ARC-Br.)
Paulo esclareceu isso para os coríntios dizendo: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Coríntios 3:16, ARC-Br.) “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19, ARC-Br.) E disse para os efésios: “Vocês são como um edifício e estão construídos sobre o alicerce que os apóstolos e os profetas colocaram. E a pedra fundamental desse edifício é o próprio Cristo Jesus. Ele mantém o edifício todo bem firme e faz com que cresça como um templo dedicado ao Senhor. Assim vocês também, unidos com Cristo, estão sendo construídos, junto com os outros, para se tornarem uma casa onde Deus vive por meio do seu Espírito.” (Efésios 2.20-22, NTLH-Br.) Somos edifícios de Deus. (1 Coríntios 3.9.)
A epístola aos hebreus diz que Cristo dirige a casa de Deus, e que nós somos a sua casa. (Hebreus 3:6.)
E Pedro falou: “Vocês, também, como pedras vivas, deixem que Deus os use na construção de um templo espiritual onde vocês servirão como sacerdotes dedicados a Deus. E isso para que, por meio de Jesus Cristo, ofereçam sacrifícios que Deus aceite.” (1 Pedro 2.5, NTLH-Br.)
Infelizmente, a cristandade não permaneceu nessa liberdade. A igreja passou por um grande processo de judaização, deixando o verdadeiro evangelho libertador de lado, e voltando para as práticas judaicas. Templos chamados de igreja surgiram e se espalharam por todo o mundo. E eles são tratados como casas do Senhor. São considerados como locais sagrados indispensáveis. E as pessoas, muitas vezes, quando saem dos templos, deixam de ser santuários vivos.
Conclusão

E foi assim que ser igreja de Cristo deixou de ser um estilo de vida e se transformou em um estilo arquitetônico extremamente apurado, conseguindo, dessa forma, desviar as pessoas do evangelho descomplicado do homem simples da Galileia das casas e das estradas para o conforto das igrejas templos do culto da arte. Enquanto as grandes e imponente igrejas foram se destacando nas cidades, o evangelho foi se perdendo entre os conceitos romanos e a arte arquitetônica.
Precisamos deixar de lado as ideias de Constantino e seguir os verdadeiros ideais de Jesus Cristo, e ir além dos templos. Seu projeto não foi arquitetônico, mas uma vida de virtudes constantes, longe dos rituais templários. O que ele realmente viveu, ensinou e quer é: amor, paz, perdão, solidariedade, justiça, verdade, respeito, fé, bondade... Não adiante ficar nos templos dizendo Senhor, Senhor e não fazer o que ele realmente mandou. “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lucas 6:46.) “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” (João 15:14.)
Você é livre para construir, dirigir ou frequentar o edifício sagrado que quiser, entretanto, saiba que, conforme o evangelho puro e simples de Jesus, eles não são mais necessários. Você é livre para ficar preso dentro dos templos. Mas quero dizer que você está livre para andar com Deus mesmo sem nenhum local sagrado. O que Jesus e seus discípulos ensinaram foi o arrependimento, a conversão dos pecados, o abandono de tudo que não presta, a fim de viver uma nova vida santificada, perdoada, justificada, sendo um templo vivo do Espírito.
Antes de terminar, quero lhe convidar para a igreja que eu pertenço. Endereço: qualquer lugar desse Universo infinito: aqui nesse planeta, nas montanhas, no mar, no fundo dos oceanos, nos vales, nas matas, na sua casa, no seu quarto, em sua cama ou em qualquer outro lugar. Horário: qualquer hora. Você é livre para decidir não ser uma igreja verdadeiramente livre.
[3] http://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=50&offset=0&redirs=1&profile=default&search=Buddhist+temple
[5] http://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=250&offset=0&redirs=1&profile=default&search=temple+hindu
[6] http://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=50&offset=0&redirs=1&profile=default&search=temple+jainism
[7] http://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=50&offset=0&redirs=1&profile=default&search=Taoism+temple
[9] http://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=Confucian+temples&button=&title=Special%3ASearch
[11] http://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=100&offset=0&redirs=1&profile=default&search=temple+shinto
[26]http://books.google.com.br/books?id=NThR-3qeFssC&pg=PA151&lpg=PA151&dq=nepal+templo+365+degraus&source=bl&ots=KH9pgRwJEu&sig=IlX_jjIHuBTChT13z8EAbOW-Cx8&hl=pt-BR&sa=X&ei=lolxUNqwJImi8gSsxYCoCw&ved=0CCoQ6AEwAQ#v=onepage&q=nepal%20templo%20365%20degraus&f=false
[37] http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=zigurate
[46] http://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-BR&ie=UTF8&prev=_t&rurl=translate.google.com&sl=auto&tl=pt&u=http://en.wikipedia.org/wiki/Great_Ziggurat_of_Ur&usg=ALkJrhhdIJONRxeWzzPBUFIEz7SGTgS22g
[47] Escritura tirada da Bíblia Sagrada, NOVA VERSÃO INTERNACIONAL, NIV® Copyright © 1973, 1978, 1984, 2011 por Biblica, Inc.® Usado com permissão. Todos os direitos reservados no mundo inteiro.
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[69] http://www.formadoresdeopiniao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5669:o-tempo-egipcio&catid=66:templo&Itemid=136
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[93] http://www.compartilhandonaweb.com.br/Compartilhando/Portuguese/MapasBiblicos/templodesalomao.html
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[103] NOVA BÍBLIA VIVA Copyright © 2007 por International Bible Society (IBS)
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[106] http://pt.wikipedia.org/wiki/Destrui%C3%A7%C3%A3o_de_Jerusal%C3%A9m#Primeira_destrui.C3.A7.C3.A3o
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[364] http://books.google.com.br/books?id=XOOfD3TMc9EC&pg=PA10&lpg=PA10&dq=%22cada+deus+tinha+um+templo%22&source=bl&ots=1Y1jmJ3msJ&sig=VmDIdqn2QQJSMYyaXvUjQzCx1AQ&hl=pt-BR&sa=X&ei=m4Z1UO2kMIfKrQGp3oGACA&ved=0CCMQ6AEwAA#v=onepage&q=%22cada%20deus%20tinha%20um%20templo%22&f=false
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[397] https://www.passeidireto.com/arquivo/77870393/arquitetura-pre-romanica-arquitetura-carolingia-arquitetura-otoniana-arquitetura
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[408] https://www.hisour.com/pt/characteristics-of-romanesque-churches-29597/#:~:text=A%20tradi%C3%A7%C3%A3o%20pr%C3%A9%2Drom%C3%A2nica%20da,arqueadas%20ou%20tinham%20cabe%C3%A7as%20triangulares
[413] https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_regional_characteristics_of_Romanesque_churches#Influences
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[482] https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico_City_Metropolitan_Cathedral
[500] https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=Neo-classicism&title=Special:MediaSearch&go=Vai&type=image
[515] https://en.wikipedia.org/wiki/Cathedral_of_La_Plata
[552] https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_architecture#Middle_Muscovite_period_(1530%E2%80%931630)
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[556] https://guiarus.com/pt-br/a-igreja-da-assuncao-em-kolomenskoe/#:~:text=Acredita%2Dse%20amplamente%20que%20a,mas%20n%C3%A3o%20sobreviveu%20at%C3%A9%20hoje.
[593] https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_architecture#Early_modernism_in_Europe_(1900%E2%80%931914)
[599] https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_architecture#Early_modernism_in_Europe_(1900%E2%80%931914)
[620] http://portugues.christianpost.com/news/cidade-mundial-tera-capacidade-para-150-mil-fieis-3203/
[647] https://en.wikipedia.org/wiki/Basilicas_in_the_Catholic_Church#Minor_basilicas
[656] https://en.wikipedia.org/wiki/Bas%C3%ADlica_pontificia_de_San_Miguel
[660] https://en.wikipedia.org/wiki/Basilicas_in_the_Catholic_Church#Patriarchal_Minor_Basilicas
[675] oferta, participam no cuidado dela em sustentar os seus ministros e as suas obras.
[676] https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/descubra-por-que-a-igreja-cobra-esportulas-e-taxas/
